Deus e o Diabo na Terra do Sol (por Antonio Gonzalez)

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O que terá essa obra maestra de Glauber Rocha, puro ‘Cinema Novo’, gravado em 1964, em Monte Santo, na Bahia, com o Fluminense?

De cara, o título…  quem sabe se o Deus de ontem poderá se transformar no Diabo de amanhã?

Ora senhores, quem me conhece de outros Carnavais sabe que surfo as ondas das ‘entrelinhas’… mas, cá para nós: o tal de ‘Cinema Novo’ na visão dos jovens cineastas não foi nada além do que, baseado e influenciado pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, um grupo de jovens frustrados com a falência das grandes companhias cinematográficas paulistas resolveu lutar por um cinema com MAIS REALIDADE, MAIS CONTEÚDO E MENOR CUSTO.

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Assim, mais claro, água!

Semana que alguns quiseram complicar…

Seja na saída do sonolento mor do Cícero…

Seja na ida do então ídolo Conca para o arquirrival…

Seja na multibandeira do Equador, nas camisas do Sornoza e do Orejuela, que para muitos pertencia, pelas cores e formato, à Colômbia…

Viramos a ‘Geni’ de turno, com um agravante…  nasceu a categoria de torcedor que foi derrotado nas eleições presidenciais no clube e ainda não aceitou a realidade…  Na boa, mais chatos que os botafoguenses que ficaram 21 anos sem títulos.

Sim, não ganhamos porcaria nenhuma desde 2012.

Sim, eu estou P. da vida por causa disso, assim como você, assim como todos os tricolores de verdade.

Mas calma lá…

O ‘Tio Celsão’ fechou a fábrica da Unimed, que ficou sem bala na agulha, e se equivocou aquele que pensou que o Fluminense passaria impune ao deixar de ter o maior patrocínio da América Latina.

Mas foi o ‘Tio Celsão’ quem ditou o rumo do clube nas eleições de 2010,  2013 e hoje muitos dos que esperneiam seguiram nas urnas os desejos do mecenas…

Da mesma forma que foi o ‘Super Barangueiro do Mario’ quem inventou o BARANGUISMO, contratando supostos futuros craques ou artilheiros beijoqueiros (por favor não confundam o Wellington Paulista com o Beijoca, aquele maluco beleza que jogou no Bahia e na dissidência nos anos 1970)…

Uma hora a conta tinha que chegar… E chegou!

Mas, calma lá (2.0), em nome do bom senso.

É certo que os erros pertencem a todos que inflacionaram o mercado e fizeram do Fluminense o ‘Bom Samaritano’ dos olerites de turno… Salários estratosféricos e contratos de duração interminável…

Mas a fórmula não é exata, porque pagamos essas cifras, protegidas pelas leis trabalhistas, para ‘Barangas’ e ‘Aposentados’…

E, sem culpa de nada, o Presidente eleito (que também poderia ter sido o ‘Tio Celsão’ ou o ‘Super Barangueiro do Mario’) se encontra com uma verdadeira montanha russa.

Dezenas de jogadores sem quilate – e que nem latem – compondo o elenco, sem nível para vestir a elástica tricolor… entretanto, todos com ‘Super contratos’…

O que fazer?

É preciso limpar o elenco e isso está sendo feito.  É óbvio que não da forma ideal, mas da forma possível.

Como fazem os grandes clubes do mundo quando passam por essa situação, trocam ‘dívida cara’ por ‘dívida barata’.

Assim funciona.

E aos que se mostram inconformados com a saída do Cícero, vos respondo com números para o jogador de meio de campo no último campeonato brasileiro:

34 jogos, duas assistências de gol (tudo isso?), 28 roubadas de bola (menos de uma por jogo),  99 passes errados (média de quase 3 por jogo)… fez 9 gols (0,26 por jogo)…

Tudo isso por quase 500 pilas ao mês.  Com impostos chega a 600.

Você acha que vale o custo benefício?

É claro que você pode e tem o direito de me reponder perguntando “cadê o patrocínio master?”, “até quando vamos segurar o beiço da Dry Word (assim como o do Matte Viton) e ficar sem um novo fornecedor de material esportivo?”, e “quando teremos um plano de Sócio Futebol que nos garanta uma arrecadação decente?”.

Você tem todas as razões ao fazer essas perguntas.

O fato é claro: heranças malditas podem ser como dores de barriga em criança; com qualquer resvalo se repetem.

Ao Presidente Pedro Abad; ao Vice Presidente Geral, Cacá Cardoso; ao Vice Presidente de Finanças, o meu amigo de arquibancada Diogo Bueno; ao Vice Presidente de Futebol, Fernando Veiga, eu só peço uma coisa: Sejam transparentes!  Falem a verdade sem medos!

Da mesma forma que eu peço aos nossos torcedores para que não se transformem em histéricos sem causa.

O Fluminense necessita de todos nós!

Sem essa de futebol com o BARANGUISMO do BBB (bom, bonito e barato)…

Mas que se faça FUTEBOL com MAIS REALIDADE, MAIS CONTEÚDO E MENOR CUSTO.

Sim, também sou daqueles que gritam “queremos time”, mas é preciso ter o pé no chão… 1996, 97, 98 e 99 nunca mais!

Deixemos a nova gestão trabalhar, é honesto de nossa parte. O Fluminense merece.

Quanto aos ODIÁTICOS de turno, líderes de ODIÊNCIAS nas ondas das webs e Redes Sociais, fica o toque: antes de nada, aprendam a HISTÓRIA DO FLUMINENSE, pois nesse quesito tem muita gente com a caneta na mão que não passa de café com leite, quando muito pré Jardim de Infância, em conhecimento da causa. Um pouco de Nelson Rodrigues não faria mal a ninguém!

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Sejam bem vindos Sornoza e Orejuela!

Quanto ao Conca, ele é livre para decidir entre a idolatria e o bolso… Não sei o que é pior, se o cordeiro que é lobo ou o lobo que se faz de cordeiro.

De resto, restará decidir se o Deus de ontem poderá se transformar no Diabo de amanhã!

No fundo, todos queremos gritar ‘É campeão!’…

Lutemos para encontrar a nossa Terra do Sol.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: ag/google

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4 Comments

  1. Grata leitura. O Gonzalez cresce a cada texto aqui no Panorama. E como sempre, aborda os temas sem medo.
    Até eu, que fiquei triste com a saída do Cícero, depois dessa leitura, começo a ter uma outra visão.

    No mais, vence o Fluminense.

  2. Não ganhamos nada desde 2012? A primeira liga não pode ser desprezada assim por nossa torcida ….
    ST

    1. Caro Juliano:

      Quando escrevi “Não ganhamos nada desde 2012” falava com relação a campeonatos de caráter nacional, ou seja, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

      Obrigado
      Antonio Gonzalez

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