Despedida e retrato de um ano jogado fora (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, a partida da tarde de ontem foi um retrato ironicamente fiel do que foi o ano de 2019, talvez o mais perdido dessa década. Talvez só fique atrás de  2011, quando conseguimos jogar pela janela o título brasileiro,  graças à venda, no meio da temporada, de Dario Conca ao futebol chinês.

Fluminense e Corinthians entraram em campo para o duelo de um time organizado e com ideia de jogo contra um arremedo de adversário. Apesar disso, esse arremedo de time conseguiu uma vaga na Libertadores, enquanto nós terminamos o ano comemorando uma vaga na Copa Sul Americana, já que Cruzeiro e Ceará decidiram excluir os demais clubes da briga contra o rebaixamento.

É nessa hora que você se pergunta por que diabos um time como o do Corinthians terminou a competição dez pontos na nossa frente. Talvez uma cena do jogo explique, em parte, essa idiossincrasia. O golaço de Evanilson arrancou um berro do peito da plateia tricolor, mas eis que o VAR interfere em busca de alguma irregularidade num lance absurdamente normal.

De modo que não houve como anular o gol do Flu, que passeava em campo nos primeiros 45 minutos. Mas o  gol de Evanilson é daquelas coisas que faz a gente vibrar e passar raiva, ao mesmo tempo. Fomos suficientemente incompetentes para não renovarmos o contrato do moleque, que vence em fevereiro. O que era para ser motivo de celebração tornou-se alimento para a  nossa interminável frustração, pois mal apresentou suas credenciais – e que credenciais! -, Evanilson já vai embora de graça, num time que, ao longo da temporada, perdeu quase todos os seus atacantes (Pedro, Luciano, Everaldo, Yony Gonzalez e João Pedro).

É para sentar no meio fio e chorar copiosamente, porque a promessa é de muitas perdas,  pois o mesmo aconteceu com Daniel, o cérebro do time ao longo da temporada. É ou não de enlouquecer um cristão?

Aliás, foi Daniel sair no intervalo e o Fluminense, que já não tinha Allan e Ganso, se transformou num verdadeiro deserto de ideias. Sei lá o que se passa na cabeça do Marcão, mas que substituições  sem pé nem cabeça.

Apesar disso, não me sinto tão convencido de que Marcão deva deixar o comando técnico do Fluminense. Quando quer fazer a coisa certa, ele faz. E o Fluminense tem melhor ideia e padrão de jogo do que 80% dos times da Série A. Não houvéssemos  perdido para mais de dez pontos para o VAR, teríamos terminado o ano classificados para a fase de grupo da Libertadores, mas nós jogamos uma solução ainda melhor pela janela.

Fica um gosto amargo na boca quando lembro da demissão de Fernando Diniz nas vésperas de um jogo decisivo da Sul-Americana contra o mesmo adversário de ontem. Jogamos pela janela um título de uma competição em que éramos o melhor time disparado, mas decisões inconsequentes também marcaram o ano.

A começar pelo verdadeiro golpe político dado por Pedro Abad, quando antecipou em seis meses a eleição para presidente do clube, suprimindo da história do clube um debate político que era inadiável, em torno de projetos ousados e viáveis.

Em outras palavras, terminamos o ano lamentando um título internacional  jogado pela janela, uma vaga na Libertadores surrupiada no apito, um projeto futebolístico de alto valor amputado, um bom  time quase inteiro perdido e dezenas de milhões a menos nos combalidos cofres.

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Gerson na Rádio Tupi afirmando aos berros que o Vasco salvou o Fluminense do rebaixamento ao vencer o Cruzeiro e ainda lembrando de que Eurico Miranda foi o responsável por resgatar o Fluminense da Série B.

Eu não acredito que estivesse sendo desonesto, apenas desinformado. Talvez tomado de uma certa má vontade. O Fluminense terminou o campeonato com dez pontos a mais que o Cruzeiro, Gerson, e o Eurico nunca ajudou o Fluminense  em coisa nenhuma.

Mas são essas as saborosas lembranças de coisas que nunca aconteceram.

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Foram 36 pontos apenas e um final melancólico, com cinco derrotas consecutivas nas últimas cinco rodadas e as últimas nove partidas sem vencer.

O Cruzeiro é a prova de que repetir o passado que deu certo não é garantia de êxito no presente.

Thiago Neves e Fred não!

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Campeão brasileiro: Jorge Jesus (português).

Vice campeão brasileiro: Jorge Sampaoli (argentino).

Campeão da Copa do Brasil: Thiago Nunes (nova geração de técnicos brasileiros).

Só faltou o Fluminense campeão da Sul-Americana com Fernando Diniz, o mais brilhante da nova geração. Ah se tivesse um grilo falante nessa história…

O futebol brasileiro foi sacudido e virado pelo avesso em 2019. Parece que muitos aprenderam a lição. O Corinthians já foi atrás de Thiago Nunes antes de reformular o elenco. O São Paulo já confirmou a permanência de Fernando Diniz. Outros clubes olham para o exterior com carinho.

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Teremos um dezembro nervoso. Tem muita coisa para acontecer no futebol brasileiro. Os bastidores devem ser mais emocionantes do que o passeio dos café com  leite na temporada.

O Panorama entra em recesso e fica facultativo, mas eu continuo por aqui, porque tem muito tema para tratar.

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Santos 4 x 0 Dissidentes!

Será que é ensaio para o jogo com o Liverpool?

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Parabéns ao Vasco e sua torcida. Ao clube, porque usou de engenho para transformar um sentimento em milhões de reais. À torcida, porque mostrou um caminho a ser seguido para resistir ao projeto de destruição dos grandes clubes cariocas.

Atingiram em cheio a soberba dos café com leite.

Estarei monitorando o projeto do Botafogo. Reunião na próxima quinta-feira. Torcendo muito para que dê certo. Diante do deserto de ideias em que nos transformamos, o jeito é acompanhar os adversários e torcer pelos ventos da mudança.

Nada disso será suficiente se os clubes não romperem com o modelo organizacional ultrapassado do futebol brasileiro. Precisamos para ontem de uma liga ou continuaremos vendo nossos clubes serem saco de pancadas dos café com leite.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

2 Comments

  1. E o presidente do Fluminense ainda aventa com a possibilidade de contratar Fred e Thiago Neves, com a dupla ganhando $1 milhão ao mês. Assim, perdemos Ewanilson, Daniel, Caio Henrique, Allan, Nino e ficamos com Fred, Thiago Neves, Nem, Nenê. Um excelente time…para os másters.

  2. Pelamor de Deus, não cansa de falar em Fernando Diniz? O cara quase rebaixou o Fluminense. Chega, de não fosse Marcão a gente estaria agora catando o que sobrou. Não sei é teimosia em querer estar certo a qualquer custo, mas esquece Diniz meu amigo. Foi um dos piores trabalhos que vi no nosso clube. Aproveitamento ridículo, time desprotegido, entrevistas maravilhosas e nada de resultado em campo. Uma transição lenta para o ataque, uma posse de bola mentirosa, ganso jogando volante. Chega, pelo…

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