Culto à polêmica (por Mauro Jácome)

Uma coisa fica sempre na minha cabeça: a arbitragem piorou, conforme muitos dizem, ou aumentou a visibilidade dos erros?

Particularmente, acho que aumentou a visibilidade concomitantemente com a ânsia de parte da mídia de ficar criando “polêmicas” e prender a atenção do torcedor. São dezenas de câmeras, com os mais avançados recursos tecnológicos, mostrando até as expressões labiais e os palavrões com as marcações dos árbitros. Não demora e será possível saber o que pensam. Por enquanto, somente o Galvão Bueno tentando adivinhar.

Ao longo desses 50 anos em que acompanho futebol, as discussões sempre aconteceram. Antes, exceto em casos extremos, não se tinha certeza do erro/acerto do árbitro. Então, geralmente, ficava o dito pelo não dito. Hoje, não. As imagens são definitivas.

Além disso, alguns comentaristas não sabem ler um jogo, então, apegam-se a essas discussões de arbitragem para não ter que falar do jogo jogado. São dezenas de minutos condenando ou absolvendo o árbitro que não conseguiu ver que o atacante estava 3 centímetros à frente do último zagueiro. Em mesa redonda, então, é um lenga-lenga sem fim. Ainda tem um Felipão para fazer a festa da turma!

Estamos em meio a uma crise e fica difícil sustentar alguma tese contrária à de que a arbitragem atual é a pior de todos os tempos. Inclusive, há um direcionamento para que fiquemos discutindo isso, pois interessa diretamente aos mecanismos atuais de marketing utilizados para prender a atenção do expectador-leitor-ouvinte-interneteiro.

Mas insisto. Quem não se lembra do Edilson Pereira de Carvalho, do Márcio Rezende de Freitas, do Sidrack Marinho, dos cariocas da “Era Eurico-Vianna”. Indo um pouco mais longe,do Boschilia, do Aragão. Acredito que, se conseguíssemos colocar os mesmo recursos de hoje lá atrás, os erros seriam, rigorosamente, os mesmos: impedimentos mal marcados ou ignorados, faltas inexistentes, pênaltis, e por aí vai.

Duas coisas, também, chamam a atenção: a falta de respeito com os árbitros e a utilização das arbitragens como muletas. No primeiro caso, são xingamentos, gestos, gritaria, entre outras ações, muitas vezes, senão a maioria, de forma injusta. Por pior que seja a arbitragem de um jogo, eles acertam mais do que erram. No entanto, em todos os lances, repito, em todos os lances, há reclamação. Seja por quem cometeu, seja por quem recebeu, seja pelos dois. No outro aspecto, tem sido muito conveniente colocar a culpa na arbitragem para justificar as derrotas. As falhas técnicas e táticas dos times ficam encobertas e os “erros de arbitragens” são ótimas muletas.

Os “homens de preto”, hoje em dia, são de muitas cores, erram e, assim, atrapalham o futebol. No entanto, os demais atores estão fazendo sua parte para melhorar o espetáculo? Não. Em muitos casos, há a simulação, a tentativa de ludibriar. O tempo todo, jogadores e técnicos estão jogando a torcida contra a arbitragem.

É preciso mais responsabilidade de todos os segmentos envolvidos – clubes, profissionais, imprensa, torcedores – porque o que um jogador de nome faz, e tudo aparece na tela de TV, no dia seguinte, todos estão imitando. Inclusive, nas categorias de base e isso é muito preocupante. Onde vamos parar?

Um exemplo de como um fato superdimensionado midiaticamente pode levar a situações complicadas: os jogadores do Coritiba tentaram agredir o bandeirinha no fim do jogo contra o Grêmio, pela Sulamericana. O bandeirinha foi o mesmo que, no polêmico Santos e Corinthians, foi transformado no inimigo-público-número-um por não marcar três impedimentos num mesmo lance. Acredito que, se não houvesse aquela histeria coletiva depois do jogo da Vila Belmiro, a atitude dos jogadores do Coritiba teria sido bem menos agressiva.

Outro exemplo: no jogo entre Cruzeiro e Atlético, tivemos momentos que beiraram a barbárie. Além dos objetos arremessados em campo, vimos jogadores simulando agressões, dirigente do Cruzeiro partindo para cima dos árbitros e todos jogando a torcida contra a arbitragem. Ontem, segunda-feira de muita discussão sobre a rodada do fim de semana, havia uma quase-unanimidade sobre a intranquilidade do juiz do jogo. No programa Arena Spotv, um dos analistas questionou, com muita lucidez, como alguém pode apitar com tranquilidade naquele caldeirão em que o Independência foi transformado pelos presentes. Perfeito.

Há que se ter em mente que não somente os penteados, tatuagens e dancinhas se proliferam num piscar de olhos, mas, principalmente, as atitudes e os comportamentos.

Enfim, ninguém quer fazer sua parte, somente cobrar.

Coadjuvantes, Guerreiros

Rafael Moura se foi e colocou fim na sua segunda passagem pelo Fluminense. Desta vez, o saldo foi muito melhor do que na primeira vez. Deixou gols marcantes. Foi melhor quando entrou no transcorrer dos jogos. Quando era titular por vários jogos consecutivos, caía de produção.

Sou do tipo de torcedor que, além da contribuição técnica, valoriza o envolvimento daquele que honra a camisa que veste. E o Rafael Moura foi assim. Salvo pequena fase em que parecia desconcentrado, cujo auge foi aquele pênalti perdido contra o Boca Juniors pela Libertadores, o He Man, dentro de suas limitações técnicas, esforçava-se muito.

Na minha galeria de jogadores que, recentemente, contribuíram com o Fluminense, junta-se a Mariano e Marquinhos. Nenhum dos três é um primor técnico em suas posições, longe disso, mas um time se forma por vários perfis. Nem só de Deco, TN10 e Fred vive o Fluminense.

Mauro Jácome

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Revisão: Rosa Jácome

Foto: http://raizculturablog.wordpress.com

Contato: Vitor Franklin

6 Comments

  1. Concordo mais faço uma pequena ponderação, na maioria das vezes isso acontece , mas se nos formos destacar , Curithians e Sardinha , em um lance incorreto , já suspenderam o bandeira 3 semanas , o bandeira do jogo entre o Flu e o galo , o que aconteceu, ele simplesmente viu a bola entrar no gol e pensou, e agora? , o flu vai ser Lider? ah não! , então levantou a bandeira, meteu a mão e fica por isso mesmo , e ficou.
    E o Juizão foi na dele , ao inves de assumir a responsabilidade , simplesmente omitiu a sua responsabilidade, resultado menos 02 pontos a o Flu.
    Concordo que hoje realmente a imprensa vive disso pois poucos conhecem de futebol, mas é preciso abrir o olho pois tem muito coisa envolvida e principalmente dinheiro , num País onde a vergonha é não roubar, porque não aceitar um agrado de lá , de cá , efim ……
    Grande Abraço.

  2. De fato os problemas de hoje dentro de campo estão mais relacionados à falta de educação dos torcedores, dos técnicos, dos dirigentes, dos juízes e bandeirinha e dos atletas. E esse conceito de edução tem vários naipes. No caso dos torcedores é mesmo falta de educação social. Os atletas carecem muitas vezes de formação moral e de inteligência para suportar a pressão própria da disputa do jogo e serem respeitosos com os colegas de profissão e com o juiz. Já aos dirigentes falta discernimento e capacidade de gestão, fatores que os metem em embrolhos de má gestão, que buscam dissimular acusando o juiz. E, finalmente, aos juízes falta a educação do treinamento e o esforço em mergulhar fundo nas regras do jogo para minimizar os seus erros. Esta sopa dá forma ao estágio atual do futebol brasileiro. E olha que vem Cop do Mundo por aí. É, precisamos muito mais do que estádios transporte e hotéis.

    1. Hoje ouvi uma análise interessante na CBN (4 em Campo): como podemos cobrar tanto profissionalismo dos árbitros, se eles são semiprofissionais. Ele são obrigados a ter uma profissão, ou seja, a arbitragem é quase um bico. Muitos deles trabalham o dia todo, exceto quando viajam, e não lhes sobra tempo para se reciclarem, se prepararem técnica e fisicamente. Além disso, são vinculados à CBF, em vez de serem autônomos.

  3. Muito bem dito e escrito. Tenho a acrescentar que às vezes odiamos o modo como o europeu trata o futebol (frio demais, sem emoção, sem ginga, etc). No entanto, temos que copiar a atitude da torcida de vaiar jogador que tenta “ludibriar” o árbitro. De uma vez por todas…”ISSO É FEIO E NÃO FAZ PARTE DO ESPORTE”.

    Quanto aos erros de arbitragem sempre existiram e sempre existirão. Na verdade, para o torcedor, é ´”ótimo” meter o pau no juiz, principalmente quando o nosso time não está jogando nada. De repente, seria uma boa solução utilizar a tecnologia somente em gols e impedimentos… a polêmica continuaria, mas talvez com menos erros.
    No entanto, nada vai acabar com a polêmica no futebol.

    Abraço

    Simplício Santos

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