Crisis? What crisis?* (por Paulo-Roberto Andel)

Sim, o Fluminense frustrou a expectativa de sua torcida no sábado, quando teve a faca e o queijo na mão para conseguir mais uma importante vitória na sequência do campeonato brasileiro. Fechou o sábado com pequeno gosto de decepção.

Não, o Fluminense não tem crise alguma e é co-líder do campeonato – tem uma vitória a menos, mas enfrentará o time à sua frente. O panorama à frente não se alterou.

Sim, deveríamos ter vencido e provavelmente a retirada de Nem do campo deu ânimo ao Figueirense, desesperado que estava, para tentar uma reação muito difícil – onde logrou êxito.

Não, não foi obra apenas das falhas do Fluminense. Mesmo com o erro de Bruno, a cabeçada do primeiro gol foi precisa. A falta foi magistralmente cobrada no empate. E ninguém ia se lembrar de crucificar Abel se a esplêndida cobrança de falta tivesse entrado no fim do jogo, garantindo o placar emblemático de 3 x 2. Mas o “se” é uma possibilidade que não se confirmou.

Sim, mesmo com campanhas espetaculares, Fluminense e Atlético também falham. Não são invencíveis. Tudo o que passe pelo mundo da plena invencibilidade tem a ver com ingenuidade ou bobagem. São quase quarenta jogos. Não tropeçar em alguns deles é impossível. Há sempre um adversário disposto a ganhar do outro lado – ou, ao menos, conquistar um ponto. Futebol é esporte de dois times, um contra o outro, não de um jogando sozinho em campo – o que parece estar no pensamento de alguns poucos lunáticos.

O fato é que os – também – poucos torcedores que viram uma debacle no Orlando Scarpelli sábado ficaram convenientemente silenciosos – ou levemente sorridentes – quando Paulo André marcou de cabeça e o Atlético perdeu seu jogo. E serão os mesmos que, por quarenta e cinco motivos diferentes, não estarão no Engenhão na próxima quinta-feira contra o Santos. Os mesmos que não entendem as piadas de Milton Neves. Não, ir ao estádio não é obrigação do torcedor, é a opção de cada um. Porém, confesso que acho bastante estranha a figura do “corneteiro virtual”, sempre a vociferar bobagens nas redes sociais eletrônicas enquanto mantém distância continental das roletas de acesso ao estádio.

Não fizemos um primeiro tempo brilhante e nem o jogo seria fácil – chegamos a levar uma bola na trave. É claro que o Figueirense estava mergulhado no mais completo desespero. E jogamos desfalcados. Mas no segundo longo mostramos nossa força e abrimos 2 x 0 com saudável facilidade. O jogo estava ao nosso favor, poderia ter sido o caminho de uma goleada. Então Abel mexeu e as coisas não foram bem. Sempre fui um de seus críticos, embora muito o respeite. Mas pergunto: e se não tivesse mexido e tomássemos o gol? “Ah, estão vendo como ele é burro? Em vez de reforçar a marcação com o jogo ganho, preferiu atacar e levamos o empate”. Esse seria o discurso hipotético dos bobocas de plantão. Acontece. Aconteceu uma vez contra o Grêmio, aconteceu pela segunda vez em vinte jogos. Mas o “seria” é um possibilidade que não se confirmou.

Certo mesmo é que o Fluminense continua com tudo na briga pelo título e reduziu a vantagem que os atleticanos tinham à frente na pontuação. Não precisamos sequer da liderança, precisamos ocupá-la apenas em uma única rodada – a última. Digão mostrou força, Jean também, Edinho idem. Bruno e Carlinhos foram medíocres? Pode ser, mas o mesmo Bruno que falhou na defesa foi quem municiou Sobis no segundo gol. Wellington Nem ainda usa certo preciosismo, mas fez boa partida. Cavalieri não teve culpa nos gols.

Que os poucos bobos mergulhem no cemitério das verborragias derrotistas. Estamos firmes na luta. Não pode haver ilusões: o Santos não será carne-assada no Engenhão. Literalmente, é fritar o peixe, mas, em vez do gato, ficar de olho no Galo. Nada é fácil para o Fluminense, nunca foi. Depois de vinte rodadas, chegamos cabeça com cabeça junto do Atlético. Basta olhar o passado do tricolor, tão vívido no recém-lançado livro dos 110 anos: é possível acreditar que não disputaremos o título? Uma ova!

Abel voltará a se enganar. Teremos jogadores em más jornadas. Árbitros cometerão erros grosseiros. Será o que tem sido nessas vinte rodadas: luta, garra, valentia, erros, acertos. Humanidade. Os idiotas celebram a derrocada do Fluminense nos estúdios, redações e botequins de mau agouro, os racionais olham para o topo da tabela e sorriem – tem sido assim desde os tempos de Welfare. Vinte jogos, estamos no topo.

Nossa vocação secular é a conquista, disso não podemos abrir mão.

 

Paulo-Roberto Andel

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem: “Crisis? What crisis?”, Supertramp, 1975

Contato: Vitor Franklin

7 Comments

  1. Paulo , quinta a torcida tem obrigação de comparecer ao Jogo na sexta é feriado portanto pelo menos 20 mil , mais vamos ver se pelo menos 15 mil comparecem , Saudações Tricolores , Abraço.

    1. Fernando, hoje em dia nosso público tá tão complicado que não acredito nesse número nem em véspera de feriado. Isso só acontecerá nas últimas 5 rodadas.

      Tá ficando chato bater nessa tecla, mas ver Bahia e Sport colocar quase 25 mil no estádio, enquanto a média do Flu fica em 8,8 é pra qualquer desavisado acreditar em crise mesmo.

      Aliás, aposto que os criadores de crise sopradores de corneta são desses que não vão ao Engenhão.

      1. Pois é, Rods… E os corneteiros de plantão, do alto de sua ignorância e sempre à distância das arquibancadas (que é o lugar do torcedor), não percebem que alimentam os criadores de crise nos estúdios e redações com suas abobrinhas e pseudo-interpretações das partidas que eles “analisam”.

        Enquanto isso, a caravana do FLUZÃO segue rumo a novas vitórias!

        ST!!!

        GG Andel, parabéns pela qualidade de sempre! Braxxxxx!!!

  2. Paulo, vc foi extremamente feliz na sua coluna. Não tiraria e nem colocaria uma linha. Perfeito! Abs

  3. Eu prefiro (não tenho certeza disso rs) quando o Fluminense deixa pra fazer seu gol nos minutos finais da partita, assim não sobra tempo para o relaxamento do time. Lembro que essa foi uma reclamação de todos durante o ano, mas acabou esquecida pelo fato de que o Flu não estava obtendo vantagem no placar com facilidade, obrigando o time jogar no ataque durante quase todo o tempo. Mais uma vez em vantagem o Flu recuou e acabou dando tudo certo para o Figueirense.

    Não acho que a substituição do Abel foi determinante para o resultado. Todos sabem que não se pode dar campo ao adversário, mas acaba acontecendo de forma “automática”, infelizmente!

    S.T

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