Crise de abstinência (por Mauro Jácome)

Um final de semana insosso. É difícil ficar tanto tempo sem jogos do Fluminense. Dez dias é muito tempo. Os técnicos e jogadores adoram. Dizem que o calendário é massacrante e que não há tempo para descansar, treinar, recuperar os contundidos. É jogo quarta e domingo, domingo e quarta. Problema deles. Eu gosto de futebol e quero ver meu time jogar.

Mas, a realidade é que o Abel tem essa semana inteira para preparar o time para o confronto, teoricamente, mais difícil até o fim do campeonato. Não vai ser fácil suportar a pressão de um time que se acertou tarde para ser campeão, mas na hora certa para garantir uma vaga no torneio continental do ano que vem. Ceni voltou em grande forma. Na zaga, Tolói e Rhodolfo formam uma boa dupla. Luis Fabiano está na cola de Fred e Oswaldo tem sido um inferno.  É um time de muitas qualidades.

O Fluminense também o é. Não deve nada a ninguém. Vai ser um jogaço. O Brasil inteiro estará torcendo. Os tricolores pelo Fluminense e os torcedores do time de três cores, mais a arco-íris, quem diria, pelo São Paulo.

Dos dois machucados, Deco e Wagner, há alguma possibilidade de o segundo jogar. Isso é bom, muito bom. Não altera muito a estrutura. Tanto a entrada do Diguinho, pela insistência do Abel, como a opção pelo Sóbis, mexeriam na forma de jogar. No primeiro caso, o Jean seria adiantado. Ruim, pois o camisa 25 tem jogado o fino (essa é antiga, hein?) vindo de trás. Com o Sóbis em campo, seria necessário o recuo do TN; também não me agrada. Vamos acompanhar as notícias da semana para saber quem virá: Wagner, Diguinho, Sóbis. Não acredito em surpresas.

Wellington Nem terá papel fundamental, não só na puxada do contra-ataque, mas também para prender o Cortês, que tem apoiado muito bem.

Quem continua me preocupando é o Fred. Anda muito estressadinho. Neste momento do campeonato, é preciso cautela nas atitudes. Reclamar, cavar, bater boca não é uma boa. Está todo mundo de olho. Todos querem um décimo de motivo para aquele lenga-lenga que tanto irritou a torcida nas últimas semanas. Além disso, o artilheiro é o nome do time, o líder, a referência e não tem um substituto. Uma perda seria catastrófica.

Sobre o Fluminense, é isso. Vamos torcer para que tudo dê certo nesta semana e que os jogadores não tenham se excedido no fim de semana prolongado. Boa sorte a todos nós e ao Abel também.

Agora, vamos falar um pouco da vida alheia.

Na falta de Brasileirão, vi dois clássicos mundiais: Chelsea x ManU e River x Boca. O primeiro foi um jogaço. Espetacular. Jogo aberto, cheio de chances de gol. O Manchester abriu 2 x 0, o Chelsea empatou e no fim os Red Devils ganharam com um gol irregular. Em todo lugar tem. Para mim foi uma surpresa, pois achava que isso só acontecia a favor do Fluminense.

Além do bom futebol, o que chamou a atenção, também, foi que a primeira falta do jogo aconteceu aos 23 minutos do primeiro tempo. Comparando com o futebol brasileiro, isso mostra a simbiose existente aqui entre a forma de apitar e o estilo do jogador brasileiro. O jogador brasileiro procura muito o contato e tenta, o tempo todo, ludibriar a arbitragem.  O árbitro, por sua vez, se vê numa situação complicada: se marca tudo é criticado; se deixa o jogo correr, é massacrado por não controlar o jogo. Fala-se muito em profissionalização da arbitragem. Concordo. Já passou da hora. Mas, simultaneamente, é preciso mais rigor com o jogador malandro. No dia em que começarem, também, a punir com rigor o cai-cai, a simulação e os espertalhões, a coisa melhora. O lance do Barcos contra o Internacional é um bom exemplo. Estão todos preocupados em discutir se a atitude do árbitro foi correta ou não por, supostamente, ter consultado alguém não envolvido diretamente com o jogo. Ora, e o Barcos?

Ainda tem algo que precisa ser combatido urgentemente: a falta de educação dos jogadores e técnicos com o árbitro e auxiliares. É um festival de palavrões e gestos. Chegamos ao ponto em que todos se dirigem de forma agressiva ao trio. Tanto o time beneficiado com a infração, quanto o que a cometeu. Não quero parecer ingênuo, nem piegas, mas há muitas crianças assistindo aos jogos pela TV e elas repetem o que veem. É isso que queremos?

O clássico argentino foi menos movimentado. Começou e terminou muito bem, mas o miolo do jogo foi meio arrastado. O River abriu o placar logo no primeiro ataque. Levou o jogo no banho-maria até fazer o segundo. O Boca não estava muito bem, mas a sorte lhe sorriu e, em dois lances, já no final do jogo, empatou. O segundo gol foi aos 46’. Um duro golpe para o River. Outro detalhe do jogo foi o Monumental de Núñez completamente lotado. Todos os jogos do campeonato argentino que vejo pela TV, estão entupidos de gente. Mais uma vez comparando com o futebol brasileiro, o que eles têm lá que não temos aqui?

Será sadismo? Mas acho muito interessante ver a cara dos torcedores quando o seu time está perdendo. A cara do inglês é a mais sofrida. Parece que está tendo uma perda irreparável, uma verdadeira tragédia. Ficam imóveis, perplexos, olhos fixos, cara de choro, alguns com as mãos na cabeça e a tristeza extrema estampada no rosto. O brasileiro é mais resignado, fica mais desanimado, decepcionado, ombros caídos, do que profundamente triste. Os torcedores do River deram pena. De empolgadíssimos ante a provável vitória sobre o maior rival, depois do retorno da segunda divisão, ao desespero pelo empate no último minuto. Devem ter saído do estádio como num cortejo fúnebre.

É isso. Mesmo não tendo jogo do Fluzão até domingo, quarta-feira feira teremos o dever cívico de torcer contra o Atlético. Será que o Flamengo consegue alguma coisa no Independência? Não acredito, mas não custa torcer.

Mauro Jácome

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem:

Contato: Vitor Franklin

13 Comments

  1. Quando li o título, achei que era uma referência a um clube mineiro.

    1. Serve também. Na posição em que o Flu está, fico muito ansioso. Se estivesse mais para baixo, não tanto, ficaria mais tranquilo. Outra coisa, não sei se é impressão, mas acho que o Fluminense rende melhor quando joga sem grandes paradas.

  2. Continuo indignado com essa onda anti-fluminense que se instalou no país. Quer dizer que agora que o flamengo não está mais sendo beneficiado pelas arbitragens, o Fluminense está? Tudo bando de chorões mesmo… Tem que roubar para o flamengo, jogo limpo não pode ter??? Aí não!!! Quer queiram quer não, FLUZÃO TETRA-CAMPEÃO, no jogo, na bola…

  3. é vai ser um jogão e espero q meu tricolor do morumbi vença……………

    1. Legal ter uma torcedora do São Paulo nos prestigiando. Infelizmente o seu Tricolor do Morumbi vai perder. Mas não faz mal, pois se classificarão para a Libertadores. Sds Tricolores do original…..

  4. Luciano, eu acho que depois de toda a discussão, os caras tavam vendo que exageraram demais e deram uma folga pra gente. A bola da vez é a mão do Barcos.

    Jácome, partilho com vc esse desespero de ficar sem ver o Flu jogar. Pior será depois da festa do tetra esperarmos até janeiro para ter pelo menos a copinha.

    ST!

    1. Rods, será?
      Ontem fui encher o tanque do carro, e tenho um adesivo do FLU bem grande no porta-malas, e logo veio o frentista dizer que o Fluminense já era campeão com a ajuda dos juízes e CBF (que não convoca jogadores do Flu), que assim não valia.
      Já respondi logo que a CBF era do flamengo, e o FLU só ganha na bola, contra tudo e todos, não precisa de CBF nem Rede Globo…
      Mas mesmo assim fiquei indignado com isso.

      1. Calma, Luciano. Esse povo nem sabe o que diz. Saem repetindo o que ouve dizer. Se fosse diferente nào era flamenguista, era gente.

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