Conca: lembranças, vitórias e gratidão (por Erica Matos)

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“A gratidão é a memória do coração.”

Antístenes

Diante de tudo o que tenho visto, lido e ouvido na última semana, chego à conclusão de que existe uma pequena fatia da torcida que tem me envergonhado com tamanha arrogância, prepotência e hipocrisia.

Estamos numa sociedade onde quem manda e desmanda é o dinheiro.

No futebol, esta máxima é ainda maior. O jogador está no clube que lhe faz melhor proposta, diante da carreira construída.

Em 2008, Darío Conca chegou ao Fluminense.

Em pouquíssimo tempo, tornou-se muito querido pela torcida e reconhecido como um grande jogador pelas torcidas rivais.

Em 2009, ano do nosso campeonato na tabela de baixo, Conca foi eleito pelos torcedores de todo o Brasil, o “Craque da Galera”.

2010 foi o ano do maestro Conca, que além de “Craque da galera” (de novo), foi o grande premiado da CBF, com o prêmio de craque do Brasileirão.

erica conca

Conca carregou o tricampeonato nas costas. Nunca teve tempo ruim pro argentino.

Jogou as 38 rodadas ininterruptas com o joelho para ser operado.

Quando o baixinho caía, aí é que ele levantava com mais garra e coragem pra driblar e fazer o que tinha que ser feito.

Em meados de 2011, veio a proposta do Guangzhou. Conca, ao ir para a China, se tornou o terceiro jogador mais bem pago do planeta, com uma proposta avaliada em 19 milhões de reais.

Lembro-me do jogo em que nos foi anunciada a sua saída. Eu chorei, mas engoli quando avaliei que era do meu Fluminense que estava saindo um jogador que honrou cada milímetro da camisa e, como reconhecimento, estava galgando um futuro próspero e merecido.

Conca saiu com a promessa de que voltaria para o Tricolor, e em um ato simbólico, escreveu “Eu voltarei” na bandeira, afirmando que Laranjeiras havia se tornado a sua casa.

No ano passado, nos deu a alegria de sua volta.

Ironicamente, hoje, 24/01/2015, faz um ano em que estivemos no Maracanã para recebê-lo numa grande festa de máscaras, onde todos “viramos Conca”.

Lembrar do nosso canto “Olê, olê, olê, olá! Conca, Conca!”, até mesmo quando o jogador estava fora do Brasil, é arrepiante.

O argentino nos deixou um tanto temerosos em relação ao seu rendimento em 2014, pois o ritmo de treino do futebol na China é outro. Mas não deixou a peteca cair e foi avante, honrando (como sempre), as cores que traduzem tradição.

A realidade hoje é que, com o rompimento da ex-patrocinadora, junto ao não cumprimento por parte da Fraude, chamada Celso Barros, o nosso Conca está indo de volta para a China, com outra proposta milionária.

Isso está longe de ser o que o que queríamos.

O meu coração doeu e custei a acreditar que isso aconteceria novamente.

Diferente de 2011, Conca não fez nenhuma declaração, nem teve tempo, pois parte da torcida está fazendo um papel controverso nas redes sociais e afins, dizendo que se trata de um ato “mercenário” por parte do jogador.

O grande problema é que nosso coração tricolor se misturou com a figura do Conca. Não esperávamos isso agora; entretanto, na vida não temos garantia alguma – e tudo pode mudar de uma hora para a outra na vida de qualquer um de nós.

Conca não é mercenário, mas profissional.

Parte da torcida “fala” no calor da emoção. Mas quando se julga o caráter de um ser humano, temos que usar a mente.

Tenho vergonha desta pequena fatia da torcida que tem falado pelos cotovelos nos últimos dias, esquecendo do profissional que tivemos e olhando tão somente para o próprio umbigo.

Obrigada Conca, por nunca ter se omitido, por ter sido sempre presente, por não faltar aos treinos, por sua simplicidade, humildade e por nunca abrir a boca para falar o que não devia.

Eu, na minha particularidade, tenho o Conca como ídolo. Com certeza não foi só a mim que ele marcou.

Não será a sua ida, produto de pura dedicação, que irá desmerecer quem ele foi, é e sempre será na historia do FFC.

De pequeno, ele só tem a estatura. O argentino mais amado do Brasil é um gigante e será pra sempre o pequeno-grande guerreiro das Laranjeiras. Por mim e por parte de quem pensa, a porta estará sempre aberta.

Não é por ser “casa da mãe Joana”, mas sim ser casa de quem honra o dono.

Seja muito feliz, Conquinha!

Termino citando um trecho da composição de Milton Nascimento, em “Encontros e despedidas”.

“Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar,
É a vida”

ST,

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @erica_matos

#SejasóciodoFlu

Copa

5 Comments

  1. Já foi tarde!!!! É pena que não pegamos toda agrana que tínhamos direito. Mais uma vez nossa diretoria abriu as pernas. lamentável!!!

  2. Já foi tarde!!!! Esse que estava aqui não é aquele de antes, logo não podemos racionmente misturar o passado com o presente. É pena que não pegamos toda agrana que tínhamos direito. Mais uma vez nossa diretoria abriu as pernas. lamentável!!!

  3. Manoel Mesquita,

    Lamentável essa atitude mesquinha e egoísta que parte da torcida está tendo.
    Conca não mudou e com certeza não deixaria de citar um passado que ele nos proporcionou, pq está indo embora por motivos que QUALQUER UM IRIA.
    Ele não vai tarde. Infelizmente está indo pq é necessário e por mim volta sempre que quiser, pois ele pode!
    A quem honra, honra.

  4. Acho que essa parte da torcida age com ingratidão. Conca não precisa ser ídolo de ninguém, mas nenhum tricolor, em sã consciência, pode negar o quão importante foi para o Fluminense. Como jogador, profissional ao extremo; como homem, um exemplo de dignidade. Que seja muito feliz onde estiver.

  5. ele se foi.
    não por causa do dinheiro, mas sim porque não confia nesta diretoria incompetente.

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