Com licença, Presidente Abad (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, peço licença para, apenas desta vez, não me dirigir diretamente a vocês em meu texto, pois preciso(amos) bater um papo com o Presidente Abad, nem que seja de forma indireta. Já faz algum tempo que algumas situações estranhas têm acontecido, e é necessário elucidá-las, principalmente porque a diretoria do Fluminense tem o péssimo hábito de não ouvir a sua torcida. Desta maneira, dirijo-me ao ocupante do segundo posto de liderança mais importante do Brasil.

Presidente Abad, ao assumir a presidência do Fluminense, o senhor declarou que o momento financeiro não atrapalharia a chegada de um ídolo. Ótimo, onde está ele? Seis meses já se passaram e só contratamos mesmo o Lucas, pois Sornoza e Orejuela já tinham sido contratados no ano passado. Nosso Departamento Médico está lotado e, em que pese este fato não ser culpa sua diretamente, a ausência de jogadores gabaritados para substituí-los é responsabilidade sua. O que os gestores aos quais o senhor delegou a função de cuidar do futebol do clube, carro-chefe da instituição Fluminense, estão fazendo para melhorar esse quadro?

Ah, sim, quase havia me esquecido que herdamos um legado maldito da gestão Peter, e que isso inviabiliza as contratações, mas o senhor não era o presidente do Conselho Fiscal? Por que todas as contas da gestão Peter – incluindo aquelas que foram aprovadas pelo novo Conselho Deliberativo – não foram refutadas? Por que a recomendação do Conselho Fiscal da sua gestão foi pela aprovação delas (o que acabou acontecendo)? Parece-me um contrassenso, se me permite, senhor Presidente, tomar medidas que suscitam que está tudo bem no histórico financeiro do clube, mas alegar que, devido a esse mesmo histórico, não temos verba hoje para o que quer que seja.

Recentemente, o senhor publicou nas redes sociais que “não cederia à pressão por reforços”. Mas qual o impedimento? Se as contas foram aprovadas, se o Fluminense em teoria tinha superávit, qual a dificuldade para se arrumar dinheiro para contratar? Se há tanta dificuldade assim, por que falamos em construir um estádio(!) com capacidade para 25.000 pessoas no Parque Olímpico, cuja obra deve custar mais ou menos o mesmo que uns quatro CTs (por baixo), sendo que o nosso ainda nem foi finalizado? Sabe, é complicado entender suas motivações, porque falta coerência nas suas palavras e nas suas atitudes. Só queremos que tudo faça sentido, presidente.

Senhor presidente, além disso tudo, por que nosso marketing insiste em ficar dando tiro no pé, publicando (ou deixando que membros da alta cúpula publiquem) mensagens ou imagens com teor contraditório, que só jogam contra a instituição? O que o responsável por cuidar da imagem do clube diante da mídia (sendo esta já uma relação difícil, pois somos perseguidos por várias razões) está fazendo para remediar esta situação e evitar que novas cagadas – desculpe o termo – aconteçam? Por que o foco não está em estreitar relações com o torcedor e com o sócio, criar um canal de ouvidoria realmente eficiente, e deixar que o principal interessado pelo bem-estar do Flu participe de sua gestão?

Por último, Presidente, por que a insistência em jogar num Maracanã deficitário? Enquanto não se conseguir fazer valer o nosso contrato (que era maravilhoso, segundo o mandatário anterior), por que não investir uma quantia referente ao prejuízo de três jogos em Edson Passos e mandar lá as nossas partidas? Para que se falar em construir estádio para 25 mil pessoas, quando podemos reformar o estádio das Laranjeiras, ficar praticamente com a mesma capacidade e ainda preservar nosso patrimônio e valorizá-lo, evitando que fique à mercê de outros interesses de especulação imobiliária? Além disso, o senhor não imagina o “boom” de associação que essa medida criaria?

Enfim, senhor Presidente, eu realmente espero que, com o tempo, o senhor entenda que a torcida, como o próprio Abel já cansou de dizer, é soberana. O Fluminense existe por causa dela e para ela, e não para atender a interesses de A, B ou C. Se perdermos nosso propósito, que é o de sermos protagonistas em tudo o que disputarmos e sempre formar times fortes para brigar pelos títulos, em vez de nos contentarmos com o papel de coadjuvantes, talvez muitos percam a razão de torcer pelo Fluminense. Talvez a vocação para a eternidade seja revogada e a nossa perenidade, enquanto instituição, passe a correr perigo. Pense nisso, Presidente Pedro Abad.

Curtas:

– Nesta quarta enfrentaremos o Avaí, na Ressacada. Trata-se de um dos piores times do campeonato e, mesmo que joguemos fora de casa, os três pontos são obrigatórios. Se não vierem, é melhor que fechemos para balanço.

– A quantidade de jogadores importantes lesionados no Fluminense é assombrosa. Espero que não percamos também Orejuela e Wendel para os próximos compromissos. Daqui a pouco estaremos jogando com o terceiro time!

– O Flu hoje é um time de meio de tabela em todos os aspectos. Três pontos nos separam do G4 e do Z4. A importância de uma vitória contra o Avaí se mede por essa diferença. Precisamos vencer!

– Com tantos moleques da base subindo para o time profissional, será que não podemos testar um goleiro? Tá brabo encarar Chester e Águalieri (by Marcos Chaves).

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pan

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