Chega de politicagem (por Zeh Augusto Catalano)

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Estamos a algumas semanas da estréia do Campeonato Brasileiro e a três dias de um jogo encardido em Araraquara, contra a tradicional e grená Ferroviária. É um time arrumadinho. Pode dar algum trabalho.

No entanto, ao invés de se estar conversando sobre reforços e a preparação para as próximas batalhas, o noticiário do Fluminense se arrasta em politicagens, picuinhas, celeumas entre jogadores, diretores, técnicos. Dívidas, certidões negativas, profut, patrocínios. O caderno de esportes poderia se fundir comas páginas de economia e política.

Feliz ou infelizmente, isso não é exclusividade do Fluminense. Nesta semana, passamos boa parte dos dias discutindo a palhaçada protagonizada pelo Flamengo em sua patética entrada em campo no jogo contra o Vasco. Bandeira de Melo, em sua “gestão profissional”, aprovou o ato circense, enquanto o mundo lhes caia na cabeça.

Esta semana a discussão nas timelines e páginas tricolores foi sobre “virada de mesa”. Assunto duplamente desagradável, principalmente quando o assunto surge dentro do próprio clube. E uma semana após um título!

Bola na rede que é bom, nada.

Mas o que mudou? Será que antigamente não existia essa politicagem toda? Não haviam problemas financeiros? Traições entre dirigentes? Bate-bocas entre jogadores e técnicos?

Havia tudo isso. Mas havia jornalistas, chamados “setoristas”, que passavam a semana enfiados nos clubes, porque precisavam parir matérias para seus jornais diariamente. Esses jornalistas conheciam os jogadores. Viam diariamente seus treinos, conheciam hábitos, problemas de relacionamento, tudo.

Hoje, esses jornalistas existem, mas não existe mais esse contato direto e diário com os jogadores. Mais da metade do que se lê por ai afora chega aos veículos (oficiais ou não) em releases ou em informações “plantadas” por assessores de imprensa ou empresários de técnicos e jogadores. Concorrem com os jornais e tvs um sem número de blogs – como este Panorama – sites e redes sociais. Então, o que é destaque na mídia nem sempre é o que realmente merecia estar em evidência, mas o que interessa a qualquer desses expoentes do clube. Os demais veículos acabam tendo de repercutir o assunto que, natural ou artificialmente, dominou a atenção da torcida.

Com isso, o futebol – bola na rede – acaba ficando relegado a um plano inferior. E o desinteresse aumenta.

Pra completar esse cenário negativo, com o futebol estrangeiro se dá um fenômeno inverso. Como a imprensa brasileira não tem acesso quase nenhum aos bastidores dos clubes de fora do Brasil, ocorre a desleal concorrência: as notícias do futebol estrangeiro chegam aqui embrulhadas para presente, até porque esses mesmos canais compram os direitos de transmissão dos campeonatos e, portanto, não tem nenhum interesse em depreciar seus produtos. Ao contrário, transformam algumas porcarias de campeonatos em eventos imperdíveis. Como exemplo, os campeonatos alemão e francês, cujo resultado já sabemos de antemão, tal a discrepância financeira entre os dois pré-campeões e os demais competidores.

Concluindo, torço para que, neste resto de ano, ganhe-se ou perca-se honestamente, e que tenhamos motivos de sobra pra falar de futebol e bola na rede, em vez de se falar de Primadonas.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: cat

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