Chá de camomila (por Mauro Jácome)

Vida de torcedor é mesmo difícil. Entende mais que o técnico, mas é desprezado por caprichos, por preferências duvidosas, por pragmatismos, pelos resultados. O torcedor contrata melhor, escala melhor, substitui melhor, mas ganha menos. Muito menos. É injusto.

Já pensei numa forma de acabar com esse disparate. Queria ver o time sendo montado, treinado, escalado e conduzido por seus torcedores. Como? Sei lá, talvez num fórum, ou pelo Facebook, Twitter, MSN.

O torcedor do Fluminense vem passando por um momento desses, de divergências com seu técnico. O que o torcedor do Fluminense discute é: com o elenco que tem, daria para jogar com mais propriedade, com mais agressividade, com menos preocupação com o adversário. Eu faço parte desse grupo. Por outro lado, também faço parte da turma que vibra com as vitórias, que olha a tabela e ri de orelha a orelha quando vê a parte de cima. Então, damos desconto ao Abel e, se trouxer o caneco, tudo será perdoado.

Mas, enfim, acho que não adianta ficarmos mais nessa discussão. Não vai mudar o rumo das coisas. É meio que “meu time joga assim, goste ou não, pronto e acabou. E se quiser futebol bonito, vai torcer para o… para o… para o…”.

É, realmente, não há ninguém jogando esse futebol todo. Os times do Brasileiro estão jogando com muita cautela. Digo isso dos times que realmente estão à frente da tabela. No máximo, podemos ver uma velocidade bem sincronizada no time do Atlético. Bernard e Danilinho, acompanhados pelos laterais Marcos Rocha e Junior César, puxam os contra-ataques. Jô e Ronaldinho, mais atrás, jogam centralizados. Ao recuperar a bola, o Galo parte rápido e, com três ou quatro toques, já está próximo à área adversária. Vasco, Grêmio e o nosso Fluminense jogam de forma mais compacta. Privilegiam a defesa e vão com mais cuidado à frente.

Olhando por esse prisma, do excesso de cautela do técnico e, consequentemente, de todo o time tricolor, alguns detalhes precisam ser aperfeiçoados para se atingir a excelência e trilhar o caminho até o título. O primeiro deles é o contra-ataque. Contra o Flamengo e contra a Ponte Preta, o Fluminense ficou grande parte do tempo à frente no placar, mas não conseguiu encaixar contra-ataques. Opta-se muito pelo chutão. Às vezes, é possível sair no toque, mas algum precipitado enfia logo o pé na bola. Inclusive, para facilitar a saída em contragolpe, há que se treinar a saída com as mãos do Cavallieri, principalmente, com os laterais.

Outro ponto fraco é o Anderson. O zagueiro é muito ruim no tempo de bola. Marca errado, fica olhando a jogada e esquece o atacante. Contra o Botafogo, o gol foi assim e, em Campinas, o Roger quase marca. Se o time vai adotar uma postura mais defensiva, permitindo ao adversário a posse da bola, a jogada aérea vai ser uma constante, logo, parece-me que o Leandro Euzébio seria o mais indicado para compor a zaga ao lado do Gum. Com um sistema defensivo semelhante, o time treinado pelo Muricy teve na dupla Gum/Euzébio a menos vazada do campeonato.

Em terceiro, já que o Edinho é “o cara” do Abel, o comandante deve chamar-lhe a atenção com relação ao começo dos jogos. O adversário sempre tem muita liberdade na intermediária tricolor até os 15 ou 20 minutos. Depois, o Edinho se posiciona e fecha melhor aquele setor. O time tem dado um pouco de sorte por não tomar um gol no começo do jogo e ter que correr atrás.

Pelo lado positivo, a “bola parada em movimento” está, a cada dia, mais eficiente. O Deco tem batido as faltas pelo lado esquerdo e o Thiago Neves, pelo lado direito. A bola do Maestro vai sem peso, rasante, boa para jogadores altos; a outra, sobe mais e desce com muita precisão entre a marca do pênalti e a risca da pequena área, local inalcançável pelo goleiro, muito difícil para a zaga e ótima para quem vai em direção ao gol.

O sistema defensivo, salvo as ressalvas com relação ao Edinho e ao Anderson, está compacto. Um bom indicador é a quantidade de vezes que o Cavallieri é chamado durante os jogos. Somente contra o Náutico, quando fez umas cinco defesas importantes, o goleiro suou. Nas demais partidas, apesar da pressão e da posse de bola do adversário, o Cavallieri nem precisou lavar a roupa.

Portanto, camaradas, acredito que esse vai ser o Fluminense: o resultado acima de tudo. Nas próximas rodadas, poderemos ter a exata dimensão da força do jogo coletivo do Fluminense, porque vamos ter uma sequência indigesta. Até o Sport, na penúltima rodada do primeiro turno, que, teoricamente, será uma partida mais tranquila, teremos: Grêmio (fora), Atlético-MG (casa), Coritiba (fora), São Paulo (casa), Palmeiras (casa), Cruzeiro (fora). Isso mesmo, pedreira atrás de pedreira.

Tomem um chazinho de camomila e acalmem-se; as próximas rodadas vão ser de muita pressão. Preparem-se.

Mauro Jácome

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Revisão: Rosa Jácome

Créditos da imagem: O Dia

11 Comments

  1. relamente mauro, só os jogos e os resultados dirão a verdade, eu digo que no futebol de hoje o abel faz o feijão com arroz, aposta no talento individual e fecha o time, mas isso tem funcionado porquê ainda não tomamos o primeiro gol, na verdade quando garoto eu vi um fluminense que era chamado de máquina de jogar bola perder dois brasileiros para equipes menos badaladas, mudou o futebol mas não mudou a nossa forma de torcer, sempre queremos o nosso time dando espetáculo…

      1. Continuando…

        O problema é que falta trabalhar a posse de bola, criar alternativas, se não, fica só no chutão e é bate-e-volta. Ficamos sempre com a sensação que só o adversário joga. A começar pelo Cavallieri e laterais, ou seja, quando o goleiro pegar a bola, os laterais abrem na intermediária para receber o lançamento com as mãos. Outra coisa: precisa de alguém para dialogar com o “Deco”. O Maestro está sozinho na função de tocar a bola.

  2. É Maurão, no começo até comecei a gostar do Anderson, mas aí as coisas foram mudando, o tempo de bola dele está realmente precisando melhorar, o cara precisa ser mais incisivo, mais firme e focado.
    O Edinho, é o Edinho… Pinta e perfil para ser a segurança no meio, mas erra até chutes na bola (quando vai dar os famosos chutões dele), e tem também os sustos que o cara nos dá. Complicado! Trabalhe Abel, trabalhe que a torcida não perdoa!!! Queremos o Fluminense de volta com a Máquina Tricolor, e que todos tenham mesmo medo de jogar contra a gente…
    As rodadas: Grêmio: vai ser f0%@, lá em RS em sem o Deco. Não espero muita coisa, um empate já será salvação. Atlético: jogo duro, espero não perdermos, estaremos em casa, precisamos da torcida e espero vitória, mas empate também será bom. Coritiba: espero vitória, mesmo fora. Para ser campeão, tem que ganhar fora como um time como o Coritiba. São Paulo: espero vitória. Em casa, e aproveitar que o São Paulo não está lá essas coisas. Cruzeiro: um empate nos salva, ainda dará para ser campeão. Mas neste espero pelo pior. Se ganhar as outras partidas ainda dará. Se bem que costumamos ganhar do Cruzeiro lá. Vamos ver. Pra ser campeão, tem que ser time matador mesmo, como o “Corintia” foi no ano passado.

    1. Hoje vai ser muito complicado. O Grêmio está numa ascendente e muito motivado. Se nos jogos mais fáceis já sofremos, lá no Olímpico…

      Mas o Flu surpreende…

  3. Eu já abdiquei do desejo de ver os jogos do Fluminense. Confesso que não suporto ver o time sendo sufocado a maior parte do jogo, torcendo para que os atacantes adversários não acertem o alvo. E que o Flu faça um golzinho e o jogo termine logo. Aqueles 4 minutinhos de prorrogação matam qualquer um. Por tudo isso, prefiro ver outra coisa e saber apenas do resultado. Não há chá de camomila que me acalme. Hoje é dia de angustia.

    1. Sabe uma coisa que me ajudou a melhorar a angústia? Tirar o som da TV. Nem ligar o rádio, senão, ouvir outro jogo. Não resolveu, mas diminuiu.

  4. Comecei a rir, quando inicei a leitura do seu artigo, me lembrando do Renato Gaúcho mantendo o IGOR e fiz uma analogia com o Abel e o Edinho. O que será que esses técnicos enxergam que somente milhões de torcedores no país do futebol não enxergam ? Chega a ser um atentado a inteligencia dos torcedores. O pior, é que o edinho é tão burro, que se ele voltasse a posição anterios, no lugar do Anderson, estaria entre os melhores zagueiros do campeonato.
    Olho pro banco do fluminense e temos quase um outro time de ponta. O que realmente está faltando ? Acho que o fluminense entra em campo, no esquema “já ganhamos” e se perder…. foi só uma derrota e temos que trabalhar mais ! Acho que deve ter uma cobrança maior da torcida e da diretoria. Falta é entrega, vontade de ser campeão ! Raça ! Parece que o time já entra em campo com febre !

  5. Olá,Mauro!
    Concordo com você,eu tiraria o Anderson e colocaria L.Euzebio,então com o Valencia recuperado poderia recuar o Edinho pra zaga,elenco nós temos para fazer variações táticas,
    tanto para melhorar o sistema defensivo como a transição do meio para a frente,pois os meias sabem passar a bola,e na frente temos o Fred que em forma é craque.
    Acredito que,mesmo jogando de forma pragmática como estamos podemos ganhar este campeonato,e temos 2 jogos cruciais agora contra o Gremio e At Mineiro,que pode fazer com que com vitórias deixemos bem encaminhada a nossa campanha rumo ao titulo.
    Além do que com o elenco que temos é pensar em ganhar sempre.
    Lembremos que , no ano passado deixamos o titulo escapar pelo excesso de empates,coisa que nos primeiros jogos aconteceu.É ficar atento torcer, e um chá de camomila não faz mal
    a ninguém.
    Abraço e Saudações Tricolores!

    1. Estou vendo o jogo do Atlético contra o Santos. É impressionante o volume de jogo e a velocidade da bola. Danilinho e Bernard não param em campo. Estou preocupado com domingo. Mas vamos ver se o Abel aprendeu algo com o jogo de ontem.

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