A soberba, a boleiragem, a altitude e o nosso vice (por Marcus Vinicius Caldeira)

O ano de 2008 começou mágico e terminou trágico.

Nem Fellini seria capaz de bolar uma tragicomédia daquelas.

A Unimed patrocinava o Fluminense e seu presidente Celso Barros, mandava no clube. Horcades era o presidente, e Celso Barros, o primeiro ministro. Quem mandava, decidia e pronto. E naquele ano ele arrombou os cofres da Unimed para montar um excelente time. Já tinha uma base boa de 2007, campeã da Copa do Brasil: Fernando Henrique, Gabriel, Thiago Sllva, Luis Alberto, Arouca, Cícero e Thiago Neves. Trouxe Conca, Dodô, Washington, Leandro Amaral (que não jogou) e outros. Por pouco, não trouxe Falcão Garcia. O técnico era Renato Gaúcho.

No começo do ano caímos no Carioca para o Botafogo. Washington perdeu um pênalti naquele jogo. Mas, começou a Libertadores…

Não disputávamos o torneio há décadas. Primeira partida foi contra a LDU, lá. Um zero a zero em que Fernando Henrique agarrou até bola por detrás dele. Foi um sufoco. Já era um sinal que as coisas lá na altitude não seriam fáceis. Um aviso. Totalmente ignorado pelo técnico boleiro e soberbo, como veremos mais tarde.

Depois veio o jogo no Maracanã, mágico. Metemos seis a zero jogando muito e com Dodô fazendo chover e um golaço. Ali o time emplacou.

Nas oitavas, sem sustos com Atlético Nacional da Colômbia.

Veio o jogo contra o São Paulo no Morumbi e a primeira patacoada de Renato: manter Conca no banco. Fui ao Morumbi. Éramos para tomar uma sapatada do São Paulo no primeiro tempo. Adriano destruindo com o jogo. Mas, para nossa sorte, Dagoberto perdeu gols claros. No segundo tempo, Conca entrou e conseguimos jogar bola. Derrota de um a zero para lamber os beiços. Éramos para ter sido eliminados ali. Mas, não teria o requinte de crueldade final.

No jogo de volta, sem comentários. Épico.

Fomos para as semi com aquele Boca Juniors multi campeão da Libertadores na década de dois mil. Jogamos bem as duas partidas. Na segunda, um jogaço e no final nosso preparo físico ajudou e deslanchamos a vitória. Lembrando que tínhamos o melhor preparador físico da época e da atualidade no Brasil: Fábio Mahseredijan. Que no dia seguinte à perda do título para Libertadores, não aguentou a boleiragem e se mandou. Segue um dos maiores.

Fomos para a final, com justiça, dando show no campo e na arquibancada. Mas, com a final veio a soberba, a boleiragem do treinador. Se preparou mal para a altitude de Quito. Poderia ter levado o time antes, mas, como abdicou do Brasileiro desde o começo naquela altura o time estava em último com dois pontos, não o fez. Ainda mais que já tinha dado uma declaração soberba que se o time fosse campeão da Libertadores, o Fluminense ia brincar no Brasileirão. Não fomos com antecedência ambientar com a altitude. O fato é que o time sentiu os quase três mil metros de Quito, o jogo rápido que a altitude faz a bola correr e no fim, o desgaste físico. Uma sapatada de quatro no primeiro tempo em Quito. Perdemos a Libertadores naquele primeiro tempo em Quito.

Aquele timaço nas mãos de um treinador capaz, científico e humilde…

Tudo bem… Washington perdeu um gol que não se perde em Quito. Feito aquele gol e éramos campeões. Tivemos chances também no Maraca. Mas, a soberba e boleiragem do treinador foram determinantes para aquele vice.

Renato Gaúcho é ídolo por 1995 e por 2007. E prefiro lembrar-me dele sempre assim. Mas, é culpado por 2008.

Quinta não será revanche de nada. Não dá para comparar uma final de Libertadores e final de Sul-americana com uma oitavas de Sul-Americana. Espero que a gente vença, porque lá em Quito sempre é difícil pelo doping da altitude.

E mais nada!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @mvinicaldeira

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