Boicote ao Estadual: sigamos juntos pela Primeira Liga (por Rodo)

rodo red

Assim que recebi o convite para ingressar no Panorama Tricolor, já tinha em mente o tema de minha primeira coluna. O assunto pré-definido terá de ficar para outra oportunidade, pois existe outro, bem mais relevante para o momento.

A Primeira Liga é o assunto em foco, seja nos jornais, nas TVs, nas ruas e até por aqui no Panorama. E a Liga merece toda nossa atenção, se realmente desejamos alguma mudança no futebol brasileiro. Mais do que um torneio, ela é um embrião que formará o alicerce para a quebra do paradigma que estamos acostumados. A história está sendo escrita e provocará uma profunda mudança no que vivenciamos.

Federações deveriam servir aos clubes, auxiliar na organização de torneios e nada além. Infelizmente, não funciona assim. As entidades servem hoje para dar poder a quem não faz parte do espetáculo, para quem não merece. Isso sem falar no antro de corrupção que está no dia a dia dos noticiários. Estamos fartos do voto de cabresto, do “toma lá da cá” promovido pela CBF com as Federações Estaduais, de equipes irrelevantes tendo o mesmo poder de decisão dos grandes clubes.

Se o Campeonato Fluminense (Seria Carioca, se fosse disputado unicamente por equipes da capital) do último ano foi uma piada por completo, o desse ano beira o ridículo. A Federação do Rio de Janeiro se acha no direito de definir as equipes titulares de Flamengo e Fluminense, define a distribuição de cotas de TV, proíbe o desconto para Sócios Torcedores, interferindo diretamente na relação cliente x fornecedor, que não cabe a ela, entre outros pormenores.

Juntos os Clubes podem fazer a diferença, mas é preciso mais do que a união. É preciso que o torcedor abrace a ideia, que jogue junto para ajudar a transformar o cenário, dando aos Clubes o que é deles por direito: O poder de decisão.

Cheguei a acreditar que nada seria mais maléfico ao futebol do Rio de Janeiro que o Eduardo Vianna, mas eu estava enganado. A figura folclórica do “Caixa D´Água” nem se compara com o que está acontecendo na gestão do Rubens Lopes e de “seu campeonato” como ele denomina o Estadual do Rio de Janeiro. Quem vai determinar o rumo das coisas é o mercado. A discussão entre clubes, federações e jornalistas é inócua se o mercado se mostrar mais favorável à Primeira Liga e é aí que o torcedor atua, ou pode atuar.

Se o ibope for maior para os jogos da Primeira Liga, se o público nos estádios for maior, deixando o Campeonato Estadual entregue às moscas, o produto “Primeira Liga” será mais valorizado, arrecadará mais e enfraquecerá de uma vez por todas as entidades que só prejudicam os clubes. Convoco a todo torcedor o apoio irrestrito à Primeira Liga, ignorando a existência do Campeonato Estadual, mesmo nas fases decisivas. Deixe de assistir aos jogos, não compre pacotes de Pay-per-view e menos ainda compareça aos estádios para ver o Fluminense em campo pelo falido campeonato do Rio de Janeiro.

Para fechar, um recado ao vice-presidente de futebol do Fluminense: O que prejudica financeiramente o Clube não é o boicote ao Campeonato Estadual. Isso fortalecerá em longo prazo as finanças do Clube, com um produto muito mais rentável. O que prejudica financeiramente o Fluminense são contratações equivocadas, como a de Wellington Paulista ou a cessão das mangas das camisas, sem nenhum custo, a um patrocinador que sequer nos paga em dia.

Responsável pelo site Pó-de-Arroz, Rodrigo “Rodo” Barros é um escritor fluminense, autor de livros, contos e poemas. Desenvolve em cima dos mais diversos temas, entre eles o futebol. É historiador e lançou recentemente o livro “De Oswaldo Gomes a Fred: A história do Fluminense Football Club no centenário da Seleção Brasileira”.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @rodoinside

Imagem: rb/pra

CAPA FINAL GOL DE BARRIGA 2

 

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