Só a rede social não basta (por Sergio Trigo)

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Prezados amigos, saudações tricolores!

Noite de segunda. Vitória do Botafogo pelo Campeonato Brasileiro. Pronto. Foi o suficiente para que tricolores queixosos passassem a se ocupar do seu esporte preferido nos últimos tempos: a lamúria.

E eis que o remendado time alvinegro, aquele amontoado de jogadores de segundo escalão que se reuniu lá pelos lados do Engenhão, voltou a ser saudado como um poderoso esquadrão, digno dos mais superlativos elogios. Ah vá…

Foram eliminados da Libertadores, da Copa do Brasil, do Carioca e não chegarão nem perto de ganhar o Brasileiro. Não ganharam nada esse ano e nem ganharão. Não ganharam nada ano passado, nem no outro. Ou melhor, ganharam alguma coisa sim, em 2015. A série B. E sem querer bancar a Pitonisa, não vão ganhar de novo no ano que vem, já que não devem cair graças à sua portentosa campanha, invejada pelos tais tricolores queixosos.

Importante registrar que não quero diminuir o esforço do elenco alvinegro em superar as próprias carências para fazer uma campanha; digamos, digna. O Jairzinho-zinho tem se mostrado um treinador capaz de arrumar bem o seu time e torna-lo competitivo. E só. Não passa disso.

Semanas atrás um ex-dirigente do Botafogo andou divulgando números e informações para a turma de General Severiano prevendo uma hecatombe financeira a partir de 2018. As dívidas dos caras orbitam na casa dos R$ 700MM e o último balanço foi superavitário em função de receitas especiais decorrentes da renovação do contrato com a televisão. Te lembra alguém? Pois é.

Agora, responde aí: você teve essa invejinha do Botafogo em 2014, em 2015? Teve inveja quando anunciaram Pimpão, Roger, Lindoso, Arnaldo, Brener? Sorte deles que está dando certo. Estão em estado de graça. Bom para eles, mas vamos combinar que não dá para comparar a nossa trajetória recente com a deles, vai. Aliás, com a de quase ninguém. Nem mesmo o todo-poderoso rubro-negro dos subúrbios do Leblon, que pouco fez nos últimos anos a não ser ganhar estaduais no apito e passar vexames nacionais e internacionais em profusão e quantidade. Sem contar, é claro, com a mal esclarecida história da Portuguesa. Vexames caros, os deles…

O que quero dizer com isso? Reclama aí, mas não distorce. No fundo, não é nada disso.

A grandeza de um clube não se mede por uma ou outra campanha, em um ou outro ano isolado. A arte é tornar essa grandeza sustentável, perene, e fazer com que o clube entre em qualquer campeonato em condições de ganhá-lo.
E se você acha que dentro do Fluminense não tem ninguém trabalhando para isso, se você não gosta de quem está lá, se pensa diferente, ou se quer ver as coisas tomarem outro rumo, acho que o melhor caminho é passar a participar do processo.

Mas se liga aí. Por mais tentador que seja “participar” via rede social, isso não será suficiente. Passa da hora de discutirmos com seriedade e compromisso o futuro do Fluminense, sob pena de não termos mais o que discutir no futuro.
O Fluminense precisa de gente nas arquibancadas e no clube, de sócios. É preciso que todos assumam a cidadania tricolor e que estejam dispostos a contribuir para que o clube se torne cada vez mais forte independentemente de quem sejam os seus mandatários, até para que você possa cobrá-los quando não estiver satisfeito.

Enfim, era isso.

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Hoje tem Fla-Flu pela Sul-Americana… semana que vem, também. Hora de chegar junto e apoiar o time. Os caras do outro lado vêm com tudo para tentar levantar uma taça esse ano e justificar os milhões da Globo e dos outros 978 patrocinadores que eles arrumaram. É o primeiro jogo de um confronto arriscadíssimo, sujeito à ladrilheiro, urubu e apito amigo. Nosso apoio é fundamental.

Entre os jogos da Sula, teremos o Bahia pela frente. Depois, Botafogo, Coritiba, Ponte Preta e Sport. Tudo no Rio. Dá para escapar sem muito susto. Repito: nosso apoio é fundamental.

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Os clubes de futebol no Brasil foram muito mal administrados ao longo dos anos. Não fossem as benesses do governo, já teriam fechado as portas. Vez por outra aparecem bons gestores, bem-intencionados, que tentam ajeitar as coisas, mas os mandatos são curtos e a pressão por bons resultados é enorme. Alguns clubes se sobressaem (ou ao menos resistem) por conta de injeções absurdas de dinheiro. Da televisão ou de poderosos mecenas que aparecem aqui e ali. Tivemos o nosso até bem pouco tempo. O certo é que sem dinheiro não se faz futebol.

E aí a gente fala em criatividade, em inteligência para buscar novas receitas, e quando a conversa acaba, a gente vê que a maioria dos clubes brasileiros é financiado por um banco público, que não deveria sequer se envolver nesse tipo de negócio. Ainda mais quando os clubes patrocinados possuem enormes dívidas fiscais, como nossos coirmãos cariocas.

Só na série A, 14 clubes são patrocinados por bancos públicos. E antes que alguém me pergunte porque não entramos nessa boquinha também, antecipo que não tenho a resposta, ainda que eu me sinta melhor assim. Acho muito escroto esse negócio de colocar dinheiro público em clubes de futebol.

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Saudações Tricolores!

Sergio Trigo

Se preferir, entre em contato através do endereço eletrônico strigo@globo.com, twitter (@S_Trigo) ou facebook.

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P.S.: Se você, assim como eu, tem o hábito de guardar os ingressos de partidas de futebol, entre em contato comigo. Possuo uma coleção de ingressos de mais de mil partidas e tenho interesse em trocar ou adquirir aqueles que não figuram na minha coleção.


Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: st

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