Baixa isso! (por Gilmar Prado)

Deu no Google: em 2011, o percentual de bilheteria em relação às receitas brutas dos principais times de futebol do país era de apenas 8%.

http://www.bdobrazil.com.br/PDFs/Noticias/Financas_2011.pdf

Então, já que os jogos têm em 99% das vezes arquibancadas vazias, sendo que o “espetáculo” já está pago, por que não baixar o preço dos ingressos de modo a permitir que o torcedor mais pobre – e que sempre encheu os estádios – possa fazer a festa nas arquibancadas?

Baixa isso, pô!

Não adianta fingir que é outra coisa.

Essa historinha de estádios lotados com público rico e sofisticado é muito boa para a Europa, que teve uma definição de perfil desde o começo do esporte.

O Brasil é outra coisa. É arquibancada de pobre.

Lembram que antigamente rico comprava cadeira especial pra não se misturar? Eram meia-duzia no meio de cinquenta mil trabalhadores pobres, todos felizes com seu time em campo, sem cornetagem nem encheção de saco.

Quando Maracanã, Morumbi e Mineirão enchiam direto, não tinha televisão, ninguém via jogo nos bares, o preço era acessível.

Aí inventaram que tem que ser elitizado, estilo primeiro-mundo, só que a nossa “respeitável” elite econômica não está nem aí para o futebol. Ela quer é Village Mall, não colocar a boonda nas cadeiras sujas.

Os setores populares foram liquidados, os ingressos aumentados, mas a dita elite não passou a ocupar o velho Maraca, nem o Engenhão e nem irá de novo ao novo Maraca.

Hoje em dia, para o clássico dar mais de vinte mil pessoas, só sendo decisivo; afora isso, sem chance. Fluminense e Botafogo, terceira rodada do Carioca, 60 contos. Para com isso!

Abelão reclamou ontem e bem; o preço está salgado para quarta-feira.

Atenção: eu sou CONTRA qualquer tipo de tricolebagem. Agora, a 80 contos, se o cara levar mulher e filho, deixa meio salário-minimo no Engenhão num jogo que é importante, mas não decisivo. Claro que isso pesa e muito.

Você vai de carro, deixa no estacionamento do maldito estádio, o jogo acaba meia-noite, você sai da garagem uma da manhã. Brincadeira.

O futebol já está mais do que pago, gente. Anunciantes, televisão (que paga muito e faz o que quer), imprensa, tá tudo muito bem-pago. Mas tá faltando uma coisa essencial no espetáculo do futebol: público nas arquibancadas. Aí fica meio-espetáculo.

A rapaziada que ia até Marte pra ver um jogo agora economiza pra três cervejas e assiste no boteco da esquina.  Eram 20 mil no maraca, agora são 3 mil em Volta Redonda e olhe lá.

A respeitável confraria que acha que tem que ser elitizado mesmo não lota estádio nenhum e vai de Premiére.

E lá vai o campeão brasileiro de novo jogar até meia-noite para meia plateia de Enchenão, quando merecia a p*rra do Maracanã lotado pra si.

Abelão tem razão. Ele sabe do que está falando.

É do tempo em que bastava espirrar “atchim”, as pessoas entendiam “Fla-Flu” e lotavam tudo num segundo.

Gilmar Prado

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Contato: Vitor Franklin

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