Atlético-PR 1 x 2 Fluminense (por Marcelo Vivone)

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Enderson foi mais uma vez obrigado a mexer muito na equipe. Se pôde contar novamente com Giovanni e Edson, perdeu, por contusão muscular, Pierre e Jean. Assim, Gustavo Scarpa permaneceu no time e Rafinha entrou para compor a dupla de cabeças de área.

Primeiro tempo

Começamos o jogo muito bem. Mantivemos a posse de bola durante os dez primeiros minutos e fizemos o jogo transcorrer no campo do adversário. Com essa postura, evitamos qualquer tipo de pressão inicial do time da casa.

Somente a partir dos 15 minutos o Atlético conseguiu dividir a posse de bola com o Flu e equilibrar o jogo. A partir daí foi a vez do Atlético ter mais posse de bola e manter o jogo em nosso campo.

Mas o jogo continuou sem oportunidade de gol para ambos os times. Chances claras não ocorreram, somente alguns chutes de fora da área dos dois times.

Gostei da postura do time na etapa inicial. Faltou uma maior força ofensiva, mas é preciso lembrar os muitos desfalques que tivemos.

Não houve destaque individual no Fluminense, nem positivo, nem negativo.

A torcida do time adversário, que é geralmente barulhenta, manteve-se muda durante 40 minutos. Ainda tentou, nos minutos finais, esboçar alguma reação, mas o que fez não foi nada que assustasse nosso time cheio de garotos.

Segundo tempo

Com menos de um minuto de jogo tivemos grande chance de marcar, em cruzamento feito pela esquerda por Scarpa, depois de tabela com Giovanni. Marco JR, já dentro da pequena área, tocou no contrapé do goleiro Éverton, que se esticou e conseguiu salvar.

Repetindo o primeiro tempo, começamos dominando essa etapa da peleja. Mas, dessa vez, fomos mais incisivos no ataque e conseguimos chegar na área adversária com perigo.

Aos sete minutos, numa jogada trabalhada desde a defesa, e que passou pelos pés de Gum, Wellignton Silva, Marco JR e Fred, até chegar a Scarpa, o Flu marcou seu primeiro gol. Fred fez passe diagonal entre os zagueiros adversários para o jovem Scarpa, que invadiu a área e colocou no ângulo. Bola indefensável e que não deu chance ao goleiro de se mexer. Flu um a zero.

Continuamos melhores e pressionando o Atlético.

Aos dez tivemos nova oportunidade de marcar, com Wellington Silva, que chutou mal e pra fora. Aos 15 chegamos muito bem de novo, mas Fred errou o último passe, quando Scarpa e Gerson estavam livres na área, e permitiu ao zagueiro adversário aliviar o perigo.

Aos 18, foi a vez do Atlético chegar com muito perigo, depois de Antônio Carlos sair jogando errado. Primeiro Walter, em chute de fora da área obrigar Cavalieri a fazer grande defesa. No rebote, Wellington Silva salvou o que seria o gol de empate.

Aos 20, Wellington Silva, machucado, deu lugar a Renato.

Aos 23 tomamos o gol de empate. Walter conseguiu levar vantagem sobre Renato e Gum, numa jogada confusa na linha de fundo pela esquerda, e colocou a bola “com a mão” na cabeça de Sidclei, que só teve o trabalho de cabecear para estufar a rede. Flu um, Atlético um.

A torcida rubro-negra, que esteve ausente em praticamente todo o jogo, evidentemente, acordou com o gol e fez o time da casa crescer.

No ataque seguinte o Atlético perdeu seu atacante gordinho por contusão muscular.

O Flu sentiu o empate e a pressão e o adversário passou a dominar as ações. Aos 28, Cavalieri defendeu chute forte e na sua direção, proferido da marca do pênalti.

Aos 35, Rafinha extenuado saiu de maca e o Atlético aproveitou a momentânea superioridade numérica para assustar. Cavalieri espalmou para escanteio. Na sequência saiu também Gerson e entraram Marlon, improvisado na cabeça de área, e Lucas Gomes.

Depois de sofrermos o empate perdemos nossa força ofensiva. Passamos a ficar pressionados e parecíamos lutar apenas para segurar o empate. O juiz, para nosso desespero, naquele momento, resolveu acrescentar seis minutos ao jogo.

Mas nossa camisa entrou em cena e nos fez superar um quadro desfavorável, o que é recorrente em nossa centenária história.

Aos 48 minutos, em jogada novamente trabalhada desde a defesa, Scarpa dominou já na intermediária de ataque e esperou Renato passar. Nosso lateral recebeu na linha de fundo e, dessa vez, foi ele quem executou um cruzamento “com a mão”. Fred mergulhou para marcar de cabeça.

Após o gol foi só esperar o juiz encerrar a partida e comemorar a conquista três pontos importantíssimos.

O time foi novamente vibrante, com os jogadores mostrando muita dedicação e luta durante todos os 99 minutos de jogo.

Coletivamente o time foi bem. É verdade que desperdiçamos a chance de matar o jogo quando abrimos vantagem e dominamos completamente as ações. Mas há também que se ressaltar a valentia do time em suportar a pressão sofrida durante uns dez minutos e, no final, conseguir matar o jogo.

O que realizamos hoje não foi pouca coisa, considerando a histórica dificuldade que qualquer clube tem de vencer o Atlético paranaense em seus domínios. A vitória deve ser ainda mais enaltecida se considerarmos os desfalques, a falta de tempo para treinar o novo time e, principalmente, a quantidade de garotos que levamos a campo. Começamos e terminamos a partida com nada menos que quatro meninos.

Individualmente, gostei de Wellington Silva, Gustavo Scarpa, Marco JR e Fred.

Devemos ressaltar, e muito, a atuação do Scarpa. O garoto jogou com postura e tranquilidade de “gente grande”, demonstrando ser o tipo de jogador que domina o meio de campo de uma equipe. Além disso, marcou novamente um gol importantíssimo, o segundo em sua segunda partida como titular.

Marco JR tem me surpreendido. Sinceramente, achava que havíamos perdido esse outrora promissor jogador para as noites do Rio. Felizmente, ele parece ter sido recuperado e tem sido importante na composição do meio de campo. Para o jovem melhorar mais creio que precisa ser aconselhado pela comissão técnica a cair menos. Em vários momentos, parece preferir se jogar ou simular uma falta a dar continuidade à jogada.

De negativo vi os erros de passe do Antônio Carlos (em um deles quase tomamos o gol de empate) e o conjunto da obra do Gerson. Nosso jovem e talentoso jogador precisa estar acordado durante todo o jogo e não viver de lampejos de craque (hoje nem isso aconteceu). Há algumas partidas, Gerson tem jogado muito abaixo daquilo que já mostrou ser capaz.

Quem diria no início do ano ou até no início do campeonato que nosso time com Gum, Wellington Silva, Giovanni, Rafinha, Marco JR, Gustavo Scarpa, Gerson, Lucas Gomes e outros pouco acreditados jogaria o futebol que temos visto e seria hoje o vice-líder do Campeonato Brasileiro?

Eu, certamente, não acreditaria se algum maluco fizesse essa previsão. Comecei o campeonato querendo chegar aos 46 pontos. Depois, com as coisas andando bem, achei que dava para fazer um campeonato sem sustos e ficar entre os dez primeiros. Mais alguns dias e percebi que nossa performance e a fragilidade da quase totalidade dos adversários nos condicionava a lutar na parte de cima da tabela. Hoje somos com méritos vice-líderes.

Estão deixando nosso time chegar e acreditar em algo mais.

Panorama Tricolor

@Panoramatri @Mvivone

Imagem: Panorama

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4 Comments

  1. Concordo plenamente com você. No começo estava descrente mas, aos poucos, percebi que podemos sonhar alto. E estou sonhando. ST.

  2. Vivone, realmente o time perdeu chances de matar o jogo, isso pode custar caro uma hora… Mas, melhor perder chances que não criar! Gerson parece jogar distraído, meio preguiçoso demais se comparado aos outros jovens jogadores, já é meu escolhido pra sair do time quando os reforços chegarem. Acho que nosso treinador deveria usar mais o Magno Aves, fica sempre de Lucas Gomes, mesmo tendo feito o gol contra o Santos, produz pouco quando entra! S.T

    1. Vivone:

      Vicente, o Gerson, pelo futebol que não tem jogado, seria o jogador naturalmente barrado para a entrada de reforços. Marco JR e, principalmente, Scarpa, têm jogado muito mais bola que ele.

      Magno Alves é uma incógnita para mim. Minha opinião de que ele não devia ser contratado continua até hoje. Não vejo a hora dele queimar minha língua…

      Um abraço.

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