Atlético-PR 3 x 1 Fluminense (por Paulo-Roberto Andel)

A graça do futebol é mergulhar na surpresa. Depois de um primeiro tempo em que passamos dificuldades, tomamos uma involuntária bola na trave e mantivemos a dificuldade de agredir um adversário com forte marcação, descer para o vestiário em “ôxo” já seria razoável, ainda mais jogando fora de casa. Tudo isso sobre a tal grama sintética e contra um adversário sempre incômodo para o Fluminense. Mas futebol não é ciência exata, não tem modelos matemáticos exatos e, por isso, saiu vencedor o cuidadoso coadjuvante da primeira etapa, o que não é nenhum demérito: vencer fora de casa é sempre difícil, ainda que o Tricolor em 2017 seja melhor visitante do que anfitrião. Ok, vencemos o primeiro tempo mas não convencemos.

Méritos do Scarpa, que criou a jogada do 1 a 0 na cobrança do corner e, claro, do Dourado pela cabeçada, pouco importando se a zaga do Atlético-PR deu bobeira. Não é problema nosso. E não custa elogiar o Júlio César que, se não é o goleiro dos sonhos da torcida, esteve muito seguro nos primeiros 45 minutos. Coletivamente, o Fluminense cumpriu uma etapa regular, sem brilho mas com seriedade e, no último grão da ampulheta, abrindo o marcador.

Retomado o jogo, a alegria durou muito pouco, a realidade entrou em campo e logo o Atlético empatou numa cobrança de falta frontal, deixando Abelão bem bravo com o posicionamento da barreira, que permitiu a bola passar – ela ainda tocou em Nogueira antes de ganhar as redes. Ah, e Júlio César voltou ao normal. Rei morto, rei posto e em seguida Scarpa quase marcou, mas Weverton fez um defesaço. Os mandantes não se intimidaram, ameaçando Júlio César pelo menos duas vezes.

Jogo lá e cá, mais lá na verdade, o estreante Richard saiu para a entrada de… Renato. Marcos Jr. em campo para a tentativa final, mas em cima do lance Ribamar virou o jogo aos 34 minutos. O que fazer? A mesma receita de N outras jornadas: tentar o abafa no final do jogo, em vez de fazê-lo meia hora antes. Aos 45, o golpe final na conclusão do veterano Jonathan “Francismellow”, num belo gol. Derrota com três na sacola, desânimo e incertezas. Péssima.

A verdade é que perdemos nosso ímpeto, nossa criatividade, nossa velocidade, um trinômio que prometia muito há seis meses e que agora parece um arremedo. O time tem limitações, e disso todos sabemos, mas é nítido que sua performance está abaixo do esperado, independentemente de contusões, desfalques e gente poupada. Salário, como se sabe, também não é. Bem abaixo. O meio de tabela hoje parece o destino, ironicamente agora ao lado do Atlético Mineiro, o que traz algum simbolismo. Com a palavra, quem vive o dia a dia do CT, não os caçadores de likes.

No mínimo, hora de acender o sinal de alerta, já. E recolher os cacos de mais um domingo, porque o futebol não espera e lá vem a LDU…

Estamos mal, precisamos nos reinventar e para ontem. O futebol não espera.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: cezar guedes

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