As outras curvas da estrada (por Erica Matos)

recomeco (1)

Hoje, 08 de Dezembro de 2014, segunda-feira, estou escrevendo um texto fora da programação da minha coluna no PANORAMA.

Se eu estou aqui hoje, nesta casa de cronistas tricolores, (casa esta, que tenho aprendido a gostar mais e mais, a cada dia que passa), é porque tenho um sentimento incondicional pelo Fluminense.

Eu não canso de dizer que, se sou tricolor, é porque tive um avô que trouxe o Fluminense pra dentro da minha família e o amor dele contagiou as gerações posteriores.

Como diz a letra de Heitor D Alincourt: “Eu sou, tricolor como meu pai, meu avô”.

Mas hoje especialmente escrevo para agradecer a alguém que me fez chegar aqui.

Exatamente há um ano atrás, dia 08 de dezembro de 2013, eu estava sozinha em casa na frente da TV.
Acordei com um sentimento ruim e passei o dia sofrendo, até que chegasse a temida hora do jogo da ultima rodada do campeonato.

Lembro do meu pai sofrer em 1996, eu era criança e sentia de forma diferente.

Em 2009, sinceramente, eu não sei como cheguei ao fim daquela partida sem sequelas, pois posso dizer com todas as letras que passei mal naquele jogo contra o Coxa.

Ano passado, quando o jogo contra o Bahia acabou, eu fiquei anestesiada.

Ao constatar o nosso rebaixamento, após o término dos jogos que dependíamos para não cair, eu chorei.

Chorei a ponto de amigos ligarem, eu não atender e virem me buscar pra me levar pra comer fora, pra tentar me colocar pra cima.

O sentimento foi terrível. E o pior é que minha família estava longe, eu não tinha com quem falar e compartilhar da minha dor.

Em horas como aquelas, eu penso numa frase do meu pai: “As vezes, não queria gostar tanto de futebol e amar tanto o Fluminense”.

Dormi mal e ao acordar, na segunda-feira, dia 09, liguei o computador.

Estava em uma página de chat do Fluminense, e vi alguém compartilhar um texto que me chamou a atenção pela descrição dada pelo leitor. Ele disse que o texto tinha sido um alento para o seu coração triste, naquela manhã.

Eu li o texto que estava copiado no post do menino.

O tema era “ Uma nova estrada”, de Paulo-Roberto Andel.

http://www.panoramatricolor.com/16898/

Li e chorei.

Eu encontrei naquele texto, um motivo para sorrir em meio a tempestade. Encontrei alento nas palavras do autor, que até então não conhecia.

O texto inteiro me marcou, mas lembro de uma frase que acalmou meu coração: “O Fluminense vai superar tudo porque sempre teve a vocação de nocautear o caos”.

Fui ao Facebook, digitei o nome do autor, e apareceu o “perfil” do Paulo.

Prontamente o adicionei e ele me aceitou.

No dia 10, tivemos a noticia do caso Flamenguesa.

Recebi algumas ligações, as pessoas me perguntavam e eu, meio tonta, vi o Paulo on line, e resolvi arriscar uma conversa, perguntando sobre o caso.

Para a minha alegria, ele me deu muita atenção e mostrou seu ponto de vista, em relação ao que estava acontecendo.

Dali por diante, Paulo virou alguém de referencia, uma pessoa que eu passei a acompanhar pela literatura apurada.

Fiquei de aparecer no PANORAMA para uma entrevista e fui postergando até que, enfim, no fim de Julho, estive lá e conheci esse grupo de pessoas que já são parte da minha vida.

Escrevo este texto para agradecer ao Paulo. Agradeço pelas palavras que um dia me emocionaram e que me fizeram chegar até aqui.

Sempre gostei de literatura, de ler e de escrever.

Mas foi o Paulo que me incentivou e me fez ter coragem de começar a escrever para o PANORAMA.

Foi pelo texto de um ano atrás, que hoje, não fico sozinha na arquibancada quando estou sem minha família nos jogos. Alias, minha família sabe que encontrei uma espécie de família, dentro do Fluminense, chamada “PANORAMA TRICOLOR”.

O tempo é curto, mas são seis meses intensos, que parecem ter mais.

Agradeço pelo acolhimento, pela empatia e porque através do seu texto, conheci pessoas incríveis, e hoje sou parte do PANORAMA e do CANAL.

Hoje eu vim aqui para te agradecer, Paulo-Roberto Andel.

Obrigada por ter transformado minhas lagrimas em esperança através do seu texto e obrigada por ter feito do PANORAMA meus amigos .

Conte sempre comigo!

Te admiro imensamente.

Com muito carinho,

Erica Matos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @ericammatos

Imagem: em

pontos de venda

8 Comments

  1. Andel: Na pequena parte que me cabe, todo o agradecimento pelas palavras, querida.

    Aqui, nossa proposta não é a de fazer um site de engomadinhos pedantes, mas de juntar gente que pensa em gente e gosta do Flu mostrando seus talentos.

    Assim tem sido, assim será. “ThaT house that Trane built”, é por aí.

    Grande beijo. Ano que vem tem mais.

    @pauloandel

    1. Paulo,

      Meu carinho e admiração por ti, são imensos.
      Estava a ler o texto de novo (Uma nova estrada), e vi um parágrafo se cumprindo para o bem, por mais difícil que seja.

      “…O Fluminense é grande demais para ter um dono ou rei. A conta veio cara demais.

      A principal ação definidora do nosso caminho passa por esta mudança de paradigma. Não era beijando as mãos da patrocinadora que se conseguiria nada melhor. Discurso mofado do coronelismo político…”

      Grata por ter vc, como…

  2. Parabéns, Érica. Quando eu for ao RJ irei tentar achar o Andel e pedir para ele autografar os livros que eu comprei.

    1. Márcio Borges,

      Faça isso!
      Meus livros dele são todos com dedicatória, e isso os tornam ainda mais especiais.

      Obrigada pelas palavras.

      ST

  3. Erica,vou contar-lhe algo que nunca disse a ninguém,nem a meus familiares,pois sou cético e não acredito em milagre,premonição,intuição ou sonho como forma de presságio.
    Acordei no dia 8 de dezembro,sem esperança alguma,pois não acreditava na vitória do flu e quase que sabia da entrega do São Paulo.
    Após o Fluminense fazer o gol de empate,sem saber porque ,passei a torcer freneticamente pela virada,mesmo sabendo que de nada adiantaria.
    E o Samuel fez o segundo gol.

    *** Antispam disabled…

  4. E fiquei inexplicavelmente ,muito feliz.
    Liguei para meu irmão e falei que essa vitória foi muito importante.
    Por que? Perguntou-me ele.
    Não sei,respondi,mas vibrei com essa vitória.
    Mais tarde,vendo o sorriso de satisfação do Rizek,Kfoury,etc,liguei novamente para o meu irmão e lhe disse: não esquenta sua cabeça,pois essa alegria deles,logo será frustração,depressão e raiva.
    Você acha? Perguntou o mano.
    Tenho certeza,respondi e não sei porque.
    E eu não sabia do André Santos e do…

  5. A sua lembrança,reportou-me a minha,que agora compartilho com você e seus leitores.
    ST

    1. Elias,

      Esse tipo de coisa só acontece com Tricolor das Laranjeiras.
      Bela história! Legal mesmo, ouvir relatos sobre o dia 08/12/13.

      ST

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