As lições do rival (por Felipe Fleury)

É difícil – e doloroso – escrever depois de ontem. Assistir ao nosso rival subir aos céus de vento em popa, enquanto descemos ladeira abaixo, é triste para dizer o menos.

Dói porque tivemos a oportunidade, aproveitando o gancho da conquista do campeonato brasileiro de 2012, e ainda sob o pálio do patrocínio master da Unimed, de nos estruturarmos profundamente, equacionando dívidas, montando equipes competitivas, planejando o futuro financeiro e impulsionando o programa sócio-torcedor (a saída mais viável para os nossos problemas).

Mas o que se viu, de lá para cá, foi uma sucessão de equívocos, desmandos, conflitos de egos e absoluta incompetência administrativa.

Endividado até o último fio de cabelo, com receitas futuras comprometidas, mergulhado numa crise política e correndo risco iminente de rebaixamento – essa tem sido a sina do Fluminense nos últimos anos – não há saída possível para evitar a ruína de nossa instituição centenária que não seja, primeiramente, livrar-se do risco de descenso.

Caso se salve, o que é imprescindível, aí é que começa o trabalho árduo.

Nosso rival passou seis anos se reestruturando – não se deve desconsiderar o apoio midiático, muitas vezes da arbitragem e a injeção sobrenatural de recursos da Globo, mas é preciso reconhecer que também houve mérito no trabalho realizado – para colher os frutos que amargam nossas bocas.

E fizemos o que durante esse período? Perdemos anos com conflitos entre grupelhos políticos, fomos reiteradamente mal geridos, vítimas da incompetência e ganância de gestores, fomos comandados por quem sequer tem apreço pelo Fluminense.

Só uma revolução muda esse jeito de administrar as coisas do Fluminense. E, a partir daí, uma administração que priorize o clube, o seu futebol em detrimento de conchavos e interesses menores. Para isso é preciso profissionalismo, e amor ao Fluminense também, alocando em seus quadros os melhores nomes, sem vaidades. É preciso um presidente comprometido com o resgate do Fluminense Football Club.

Isso passa, evidentemente, pelo eleitor, aquele que tem o poder de mudar a forma de se fazer futebol nas Laranjeiras.

O Fluminense precisa sair desse atoleiro, resgatar sua história. E o primeiro passo é a escolha de uma gestão verdadeiramente comprometida com o clube. Chega dos mesmos, dessa mesmice, dessa rotatividade só para inglês ver.

Ou a torcida põe fim a esse establishment, ou seremos coadjuvantes eternos. Talvez nem isso. Nosso rival nos deu a lição, é preciso aprendê-la. Não há mais tempo para marcarmos passo nesse labirinto de incompetência.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @FFleury

#credibilidade

6 Comments

  1. OU FAZEMOS ISSO, OU O CLUBE ACABARÁ COMO O AMÉRICA. CHEGA DE INCOMPETÊNCIA!!

  2. Se há amor pelo Fluminense, temos que desapegar, enterrar o velho modelo de associação desportiva e preparar o futebol para ser entregue a um dono. Não há outra saída dentro desse modelo em que cabe a torcedores corneteiros amadores administrar um negócio de milhões. Já deu.

    ST

  3. Boa tarde. O nosso caminho é o mesmo percorrido pelo Palmeiras após Parmalat, culminando com a sua queda em 2012. Ninguém aprendeu com aquilo. Muito menos nós. O Palmeiras achou o seu grupo financeiro e parece que se acertou. O Flamengo, com seu Banqueiro circulando como poucos no meio financeiro/bancário do País, ludibriou a lei federal de licitações 8666 e se acertou com a CEF. Só que isso não interessa à grande mídia. E nós?

  4. Prezado Felipe,

    utilizou a expressão perfeita para sintetizar as últimas administrações do clube: “labirinto de incompetência”. Há quem diga que a recorrência de incompetência, em algumas situações, possa implicar má-fé. O FFC deve ser submetido a uma (imediata) auditoria séria e independente, e, sobretudo, seguir fielmente suas recomendações, para que se re-estruture. Não há outra opção, tampouco tempo para isso. Desse cenário (péssimo) de glórias do rival, realmente carecemos de extrair…

  5. E tem gente que fica louvando o trabalho feito na época da Unimed, onde o dr. Celso colocava muito dinheiro, muitas vezes em contratações erradas e mesmo quando acertava, pagando muito mais do que seria necessário.

    Peter, Abad, Flusócio e agora Mário, em vez de buscar unir os clubes prejudicados pela má distribuição de direitos de imagem, se perderam em picuinhas pelo lado do Maracanã, se o nosso time tinha que pagar a série B ou coisa parecida, o inimigo, que deveria ser adversário, fazia…

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