“As camisas estão feias”… (por Wallace Cestari)

Um habitante de algum planeta distante que chegasse à Terra (e entendesse de futebol, é claro) teria uma estranha impressão do momento que vive o Fluminense. Sua fiel torcida anda ranheta, ranzinza e rabugenta. Pergunta-se o porquê disso, se é o Flu, o clube que, nos últimos anos, coleciona títulos com a facilidade de quem coleciona figurinhas. O extraterrestre certamente franziu a testa e juntou as sobrancelhas (sim, esse alienígena tem sobrancelhas).

De tudo hoje se reclama. Razões brotam nas postagens nas redes sociais amaldiçoando o ano do Tricolor por conta ora de ausência de contratações, ora por contratações, ora por contratos de empresas com outros clubes e por aí vai.

Se outros clubes contrataram mais que nós, há de se lembrar de que clubes se desfizeram de seus elencos ou tinha-os extremamente enfraquecidos. Salvo a exceção do Corinthians, que reforçou realmente um elenco campeão, os outros ainda tentam chegar próximo ao degrau em que hoje se encontra o Fluminense. Reclamar àquela altura era apenas repetir a ânsia da mídia nos meses de férias, em seu intento de vender jornais.

Mas as contratações vieram. E trouxeram as reclamações. O ET não entende essa torcida ciclotímica (perdoe pela apropriação do termo, Marcus Vinícius), que não sabe do que quer reclamar.

Esse grupo de mal-humorados não deseja jogador, anseia por grife. Nomes maiores que a necessidade. O comandante Abel, por sua vez, sabe bem o que é preciso e a diretoria, precisa, fez as contratações que sanearam as demandas.

“Confesso que preferia Messi ou Cristiano Ronaldo, mas fico feliz por saber que temos um plano, uma estratégia campeã”, disse o ET, cada vez mais desapontado com o que vê entre os torcedores.

Para coroar o FEBEAFLU (Stanislau emprestou-me um pedaço da sigla), torcedores protestam contra a contratação de Felipe. Como se Abel Braga, técnico que conquistou inúmeros campeonatos com o jogador sob seu comando, não conhecesse o temperamento e a bola que ele possui. Prever problemas no elenco é demonstrar total falta de confiança no comando técnico da equipe.

Falam dos contratos com os outros, dos contratos que não assinamos, dos contratos que assinamos, do número de sócio-torcedores, do marketing, das dívidas, do CT em Xerém, da venda de jogadores, da matemática louca que perverte a contabilidade tricolor, do tom do grená do bar temático… Chega!

O ET desistiu, pegou a chave da nave e declarou que voltaria a seu planeta. Calma, tricolor interplanetário! Volte aqui, leve pelo menos uma camisa. E ele respondeu: “Ia levar, mas, na frente da loja, havia torcedores dizendo que a camisa é feia.”

Dá vontade de pedir carona e mudar para um planeta sem tricolebas.

Amplexos,

Wallace Cestari

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Contato: Vitor Franlin

6 Comments

  1. Excelente Walace. Infelizmente, reclamar faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Imagine de torcedores impotentes diante de tanta paixão. Boa sorte ao tricolor na Libertadores!

  2. Falou a voz da verdade,o tricolor mais tricolor de todos.Desculpa meu amigo se os indignados não são tão tricolores como vc,se esses “tricolebas” como vc disse só sabem reclamar.Pena não ter um E.T. com uma nave para te livrar dos “tricolebas” e ser a sua a única opinião correta.ST.

    1. Calma, Duilio (nome de craque!)

      Ninguém aqui é dono da verdade, apesar de alugá-la enquanto penso. Em momento algum afirmo que a minha opinião é a correta, mas é a minha opinião. Ora, se eu discordasse de minha própria opinião, seria louco.

      E posso achar tudo isso que escrevi, não posso? Sua reclamação me dá razão, pois até reclamar da minha reclamação já estão reclamando!

      Os indignados podem hoje, por exemplo, se associar, montar uma chapa e concorrer ao conselho do Fluminense. Assim, podem demonstrar sua indignação na prática. Coisa rara na história do futebol.

      Perdoe-me pela carapuça que lhe fiz vestir, mas é que tenho confiança na direção do clube, que, como recomenda Paulinho da Viola (vascaíno, mas cabe aqui), faz “como um velho marinheiro que, durante o nevoeiro, leva o barco devagar”.

      Amplexos

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