Camisa tricolor: um aríete contra o império do mal (por CH Barros)

Após o empate sem gols contra o Botafogo no domingo passado, já sabíamos que o Fla seria nosso adversário na decisão da Taça Rio. Sabíamos, idem, que não seria nada fácil. Eu mesmo, nas últimas colunas, preferi ser otimista e acreditar na camisa – no time, não, uma vez que as atuações antes da final lograda foram pífias. E, com efeito, foi o que aconteceu: o “Fluminense” que perdeu pro Volta Redonda e empatou com Macaé e Botafogo simplesmente desapareceu depois de toda a chuva de soberba e subestimação vinda da Gávea e da mídia descarada rubro-negra na noite de 08/07/2020. Quando surgiram os papos de que seria goleada, passeio e tudo o que tem direito, pensei: esses caras vão se ferrar de novo. Flamenguistas, entendam de uma vez: brinquem com quem quiserem, mas tratem de respeitar o Fluminense, o qual é responsável por haver Laranjeiras – berço da seleção brasileira –, o futebol no clube de remo de vocês e tudo que é relacionado ao futebol neste Rio de Janeiro.

Tenho ciência de que vencê-los novamente será ímprobo; contudo, nosso Fluminense já provou que é possível. Se jogarmos com a mesma raça da final, as condições de conquistarmos o Carioca após oito anos – ou melhor, oito anos de muito roubo contra nós – serão imensas. Quando há olho no olho, garra e muita vontade à flor da pele nos jogadores que vestem a armadura tricolor, tudo fica mais fácil. E mais difícil pra eles. A receita é essa: muita perseverança, transpiração, disposição. Já que eles insistiram tanto com a insanidade de voltar com um campeonato falido em meio à pandemia, vamos à luta. Poderá ser a nossa terceira conquista no ano, dado que ganhamos a Taça Rio e o recorde de audiência no youtube na final de quarta passada. Vale lembrar também que, em matéria de humanidade mediante aos fatos atuais, também superamos – e muito – o rival rubro-negro – juntamente ao Botafogo, que esteve ao lado do Flu.

Bom, partindo para a esfera futebolística da partida de domingo, talvez o Fluminense jogará a partida de ida da final com a seguinte escalação: Muriel; Gilberto, Nino, Matheus Ferraz e Egídio; Hudson, Dodi e Yago; Nenê, Marcos Paulo e Evanílson. Como pode-se observar, mais uma vez sem Fred e Ganso em campo. Isso é bom para o Flu? Decerto; iremos à batalha contra a Gávea com o time renovado – que teve êxito na quarta-feira – e, assim, mais solto e ágil. Não resta dúvidas de que Ganso e Fred podem ser decisivos – o último, pode fazer falta numa decisão em determinados momentos –, entretanto, quando joga-se contra o Fla presentemente, é preciso de inteligência. Rapidez, idem: no pensamento e nas jogadas. Eles têm jogadores rápidos, capazes de armar contra-ataques mortais. Ora, não podemos contestar: o time dos caras é bom. Então, às vezes, mais leveza no time somada a uma boa defesa aumentam as chances de triunfar contra eles.

Se Ganso e Fred deixam a desejar, como disse, no quesito velocidade, Nenê – que é praticamente da idade deles – os desafiam constantemente: sempre corre nos jogos e muito bem disposto. Ele estará na final contra o Fla e, caso falte a transmissão de experiência e boas energias aos mais jovens, creio que Nenê fará isso, ainda podendo ser útil em campo. Do mesmo modo, Matheus Ferraz, xerife em frente ao gol tricolor, também pode exercer essa função. Até mesmo Gilberto, já com uma certa experiência em sua carreira. Vamos ver que bicho dará.

Que o nosso Fluminense nos dê mais essa alegria, ganhando um campeonato que, infelizmente, não tem mais o pudor e a atratividade de outrora. O Carioca hoje, em si, não vale nada; mas, vencer um rival que traz a soberba consigo – que chega até aos jogadores e ao treinador, vide as atitudes de Rafinha no jogo e de JJ ulteriormente a ele – não tem preço.

A vitória de quarta-feira coroou todo o esforço e a postura tricolor adotada previamente ao retorno ao futebol. Ela já vale muito e é, sem dúvidas, a melhor de todas: é a vitória da sensatez, da vida e da empatia. Vitória sobre o contrassenso. Vitória tricolor.

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Vinte e cinco anos do gol de barriga no dia vinte e cinco. Julho é, definitivamente, um mês vitorioso, queiram eles ou não. É um “Ai, Jesus!”, como é citado no hino deles. Quiçá ainda estaremos alegres pela conquista do Carioca quando vier a data tão perturbadora para os rubro-negros. Oxalá.

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O momento atual é difícil. Bem difícil. As mortes e os números de casos de Covid-19 não param de crescer. Não é fácil dizer sobre, mas aproveito a ocasião para registrar os meus sentimentos e o desejo de força a todxs que perderam familiares e amigxs queridxs. A volta do futebol é uma sandice desmedida, mas, ao menos nosso Fluminense tem encimado em campo sua conduta empática que manteve ao longo de todos esses meses.

Sigamos com o coração cheio de esperança de que a pandemia passará e que o Fluminense voltará aos dias de glória, a valer.

Mais uma vez, minha solidariedade a todxs que passam por momentos difíceis agora.

Saudações tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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