Aos trancos e barrancos (por Crys Bruno)

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Aos trancos e barrancos, perdemos para um Palmeiras que precisou de apenas 25 minutos para vencer. Levir culpou a bola parada e chegou a mencionar a falta da torcida tricolor no Estádio para justificar uma derrota bisonha.

De repente ele tem razão: vai que, colocando em campo mais uns dez mil torcedores, ajudaria o Fluminense a fazer a proposta de jogo de time grande e que quer está no topo, mas Levir não escolheu.

O Palmeiras tem um meio-campo comum, mais corredor que criador e uma defesa irregular quando pressionada. Era para o Fluminense, que entrava em campo ambicionando o G4, fazer marcação alta e pressão. Tomar a iniciativa. Impor-se. Mostrar que tem credenciais de G4. Não fez.

Levir escolheu uma ambição sem riscos, sem audácia, ou melhor, aquela retranquinha básica e mediana como nossa posição na tabela, mais preocupado em evitar o contra-ataque do ataque veloz deles do que agredi-los, atraindo o Palmeiras para o nosso campo; o Alviverde agradeceu o espaço que teve para sua saída de bola e matou o jogo em 24 minutinhos.

O nosso técnico experiente e boa praça vem errando na postura e na escalação. Esta, inclusive, influi diretamente na intensidade de um time, pois não adianta posicionar jogadores com determinadas características que mais travam do que fazem jogar.

A entrada de uma única criatura, o Wellington, no ataque, é a prova do quanto uma troca de jogador faz diferença. Tendo qualidade, claro. Levir foi “obrigado” a escalá-lo. Nas outras posições só escalou o pivô Henrique, mesmo ele tendo dificuldades técnicas, mas pela característica, justamente. De resto, é mais do mesmo.

O Fluminense de Levir joga para não tomar gols. Consegue a custo. É um 4-4-1-1, uma variável do 4-4-2. A segunda linha de quatro é drástica porque tira do ataque os dois jogadores mais perigosos do time, Gustavo Scarpa e Wellington, para eles, pasmem, marcarem (“os cracaços”) laterais adversários, quando deviam segurá-los na defesa se posicionando mais à frente.

Sobre o atacante, o 1, que se desloca por dentro, sem habilidade e técnica para a posição, é o voluntarioso Marcos Jr, um perdido que só corre e nada produz ao lado de um jogador igualmente centralizado, sem velocidade, que joga de costas para o gol, o Dourado.

Um crime ter Scarpa se matando de correr, subindo e descendo o campo inteiro, o tempo todo, se esforçando mais na marcação do que os volantes que correm entre duas intermediárias, sem obrigação de armar o ataque e finalizar. Do outro lado, o driblador, Wellington, marcando o lateral direito ao invés de jogar nas suas costas.

Os nossos volantes não se completam e jogam em linha, com Douglas cada vez mais extremista: ou quer mostrar que é o Toni Kross ou baixa o sarrafo, com pontapés em faltas desnecessárias. E Cícero. Bem, Cícero é aquela coisa Cícero… técnica, bom passe e inteligência, às vezes, “fora do jogo”, exatamente quando Levir escolhe chamar o adversário e recua a linha do meio à entrada da grande área defensiva. Perdemos, com essa proposta de jogo ao mesmo tempo e de uma vez só, nossos melhores jogadores: Gustavo Scarpa, Cícero e Wellington.

Levir erra. E me decepciona porque esperava algo a mais dele, por ter visto times muito bem encaixados, com atuações ofensivas, o oposto do que o que ele faz no Flu. Ele erra feio na escalação e na proposta de jogo. Isso prejudica a atuação individual. Tem prejudicado.
E em vez de ser questionado por suas escolhas táticas, o é para analisar o jogo como um comentarista de TV, fazendo alguma graça, de preferência, e não como o treinador responsável por um time que não fica a dever a nenhum do campeonato, mas não consegue sequer ser intenso na maior parte dos jogos.

O resto… montagem de time às pressas, no remendo, de um presidente que quer sustentar o clube com times medianos e acha mais importante um trocado imediato, vendendo mando de campo para adversários diretos, ao valor da questão técnica que é a vida e razão de ser do Fluminense, já sabemos, convivemos e não aguentamos mais. Não tem solução.

Mas, talvez, Levir tenha… Ainda há tempo, já que a maratona de jogos decisivos será nesse mês de setembro. E para entrar esse mês primaveril, nada como uma vitória sobre o Corinthians. Essa noite, pela Copa do Brasil, é jogo que pede essa imposição, essa fome de ataque, essa gana de querer mais do que o conforto da mesmice, tão aceitável para essa diretoria.

Se assim não for, resta torcermos que dê uma vaga na Libertadores aos trancos e barrancos…Difícil, quase impossível, totalmente sofrível, mas é o que nos restará. À bênção, João de Deus.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: crib

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