Aos destemidos tricolores (por Aloisio Senra)

Aloisio Senra

Tricolores de sangue grená, minha coluna vai ao ar sempre às quartas-feiras, de modo bissemanal, mas eu as escrevo sempre dois dias antes, nas segundas-feiras das semanas em que serão publicadas, devido a motivos profissionais. Como sou professor e trabalho às terças durante o dia inteiro, eu teria um prazo apertado para escrever, que não me pemitiria entregar um texto com a mesma qualidade. Desta forma, não há como tecer qualquer comentário mais aprofundado sobre a partida de segunda-feira, entre Fluminense e São Paulo, realizada em Edson Passos. Espero que entendam. De qualquer maneira, o tema desta vez é outro.

Em 2013, no caso “Flamenguesa”, não houve, como todos sabemos, defesa institucional adequada – se é que houve alguma – por parte da diretoria do Fluminense, cabendo aos blogueiros e escritores tricolores, entre os quais vários do PANORAMA, transformarem-se em escudos vocabulares da pátria tricolor. Somente desta maneira houve uma mínima retaliação aos ataques que a instituição Fluminense sofreu, e ainda sofre até hoje, sem ter tido qualquer culpa no episódio. Vale constar que esta omissão não é privilégio desta gestão. Aconteceu isso em 1997 (anulando o rebaixamento de 1996) e em 2000 (após a instituição da Copa JH), em que levamos a “culpa” por episódios que não nos disseram respeito e pouco ou nada foi falado em nossa defesa.

Durante o passar dos anos, sofremos toda espécie de achincalhe, desde piadinhas de torcedores rivais, locutores, comentaristas e “profissionais” afins até arbitragens claramente mal-intencionadas, chegando ao cúmulo com o Sr. Rubens Lopes na FFERJ, nos prejudicando em várias situações que nem valem a pena relembrar. E, no decorrer de todo esse tempo, em raras, raríssimas situações, houve o rebate adequado. Nos últimos tempos, começamos a dar margem para fazerem mais troça conosco, ao sacanear times pequenos eliminados por nós e errar a mão nas provocações, ou seja, tudo o que menos precisávamos. Até mesmo em 2013, ao fazer a exposição como terceiro interessado no STJD, o Fluminense deu margem para reforçar a alcunha de “tapetão”.

O grande problema é que este episódio acabou por melindrar a torcida de uma maneira inacreditável e inaceitável. Os acontecimentos estapafúrdios da partida contra os impronunciáveis na última quinta-feira não deveriam gerar qualquer questionamento nas mentes não só de tricolores, mas de qualquer um que ame o futebol e deseje a perenidade deste esporte, mantendo sua credibilidade e todos os valores positivos que ele agrega. Porém, não foi esse o comportamento observado. Diante da possibilidade de anulação aventada não apenas pelo presidente Peter, mas por inúmeras pessoas que acompanharam o desenrolar dos fatos, tricolores ou não, percebi comentários de torcedores nossos dizendo que deveríamos deixar para lá, pois iríamos nos queimar.

Amigos, como assim? Cairemos na pilha? Tornar-nos-emos uma torcida de covardes? Quer dizer que desrespeitam uma regra fundamental do futebol – em que pese ser discutível a sua mudança, com a adoção de consulta eletrônica em lances duvidosos – e temos que ficar calados? Até quando seremos prejudicados em favor dos queridinhos da mídia? Não, não podemos nos omitir, nem agora, nem nunca mais. Enquanto escrevia a coluna, fiquei sabendo que a diretoria do Fluminense protocolou o pedido de anulação da partida. É inegável que tinha a obrigação moral de fazê-lo. Não foi o Fluminense o único prejudicado em Volta Redonda, foi o esporte como um todo.

Entendam: falarão mal de nós de qualquer jeito. Não há mais como reverter esta tendência a curto prazo, por diversas razões. A mídia tem interesse em propagar as mesmas velhas mentiras a nosso respeito e, fazendo isso ou não, ainda teremos a pecha de “time do tapetão”. Até que a ignorância e a hipocrisia sejam varridas do mundo, ou seja, nunca, teremos que aturar essas inverdades e lutar contra elas. O que não podemos fazer é deixar que isso tire a nossa coragem de “botar a cara” e pleitear o que é certo. O clube que deu sua contribuição na II Guerra Mundial não pode prescindir de torcedores e representantes absolutamente destemidos, de cara limpa, que não tenham nada a esconder e que andem lado a lado com a verdade, com a retidão e com a justiça.

Curtas:

– O Fluminense atual é o time do coito interrompido antes do orgasmo. Quando há a expectativa de gozar a Libertadores, Juvenil Julião, Marquinho Barriga, Giovanni sem pernas, Douglas muito mal, Gum em dia vacilante, Júlio Chester e amigos. É o que temos. Basta perder Marco Jr. e Wellington Silva (está explicado o porquê de ele ser titular) para o time desabar.

– Levir deveria ter posto Edson em vez de Julião, mas a verdade exposta por estas três últimas derrotas (em que pese o jogo do escândalo) é que não temos elenco para brigar com firmeza nem pelo G6. Ainda bem que o objetivo da diretoria para este ano já foi alcançado. Já temos 46 pontos. Na minha opinião, ainda faltam dois empates.

– Uma pena a pintura de Wellington ter sido ofuscada pelo segundo tempo ridículo da equipe.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alo

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