Aos coadjuvantes, saudações! (por Mauro Jácome)

Domingo, após o jogo, depois da comemoração na rua, sob o temporal que desabou sobre Brasília, deitei e tentei dormir. Claro, óbvio, que o sono ainda vinha longe, impedido, pela adrenalina, de chegar perto. Aproveitei o tempo vago e, em vez de lutar sem arma alguma contra os olhos abertos, sonhei acordado. Fiz um VT mental, recordei as seis vezes em que o Fred arrematou ao gol: na defesa de Bruno, na trave, no gol, no gol, na rede pelo lado de fora, no gol. Pensei em tudo que cabia dentro da cabeça. Mas passei a maior parte do tempo pensando nas pessoas; em todos que, de alguma forma, participaram daquele dia especial para o torcedor tricolor. E imaginei…

…o torcedor que foi a Presidente Prudente, que gritou, que comemorou o 1 x 0; que pulou no 2 x 0, que berrou precipitadamente, ou visionariamente, “É Tetra”; que se desesperou no 2 x 1, no 2 x 2 e que sentiu o 2 x 3; que pulou, sentou, pulou e, finalmente, arrancou lá do fundo da garganta o grito “É CAMPEÃO” e comemorou no alambrado junto aos seus ídolos. Saudações ao Tricolor de aventuras!

…o torcedor que, assim como eu, com as mãos trêmulas, com o grito engasgado, acompanhou pela TV; que se desesperava a cada “dramáááááático” que o Galvão soltava; que gritava com o Edinho, com o Gum, com o Leandro Euzébio, com o Sóbis, com o Thiago Neves; que explodiu com Fred na trave; que correu junto com o artilheiro para alcançar aquela bola rebatida por Bruno; que ficou estático com o Cavalieri no empate; que usou seu controle remoto imaginário para entrar no cérebro do Thiago Neves e fazê-lo enxergar o Jean correndo solto pela direita; que atrasou os passos do Fred; que se esfregou, satisfeito, em êxtase, nas cordas da rede do gol do título. Saudações ao Tricolor distante-presente!

…aquele torcedor lá do rincão. Aquele que só tem o radinho. Aquele que ri, que chora, que sofre, que comemora sozinho. Aquele que imagina o Fred louro, o Thiago Neves mais alto, o Valência branco, o Wellington Nem negro, o Cavalieri cabeludo, o Bruno de barba, o Abel magro. Saudações ao tricolor abnegado no seu mundo imaginário!

…até mesmo, aquele tricolor desligado. O que chega na segunda-feira, vê os colegas comentando, algumas camisas dispersas e pergunta quanto foi o jogo e em que lugar o Fluminense está na tabela. Saudações ao tricolor campeão por um dia!

…as mães, iguais a minha, que acompanham, aflitas, o jogo, preocupadas mais com a saúde dos filhos do que com o resultado propriamente dito; que ficam aliviadas ao saber que, entre mortos de infarto ou de coma alcoólico, todos estão sãos, salvos, felizes e enjoados. Saudações às Tricolores abnegadas!

…os pais que, conscientemente ou não, gravaram na alma de seus filhos o verde, o branco e o grená; que incentivaram e alimentaram a ânsia de ver o Fluminense ser campeão; que foram referência; que ensinaram seus filhos a não se dobrarem ante às incertezas do sucesso. Saudações aos Tricolores-Mestres!

…as esposas, iguais a minha, que tentam entender isso que ninguém entende; que sofre o sofrimento da gente, mesmo não entendendo o porquê e que são cúmplices das vitais banalidades do futebol. Saudações às Tricolores companheiras!

…os tricolores na eternidade, dos ilustres aos anônimos, que lado-a-lado, sentados nas arquibancadas superiores, vibram, riem, choram, desesperam-se, tais quais os mortais, e, quando preciso, atendendo à súplica de uma benção, proporcionam-nos momentos inimagináveis à frágil lógica do futebol. Saudações aos Tricolores sobrenaturais!

…até os adversários de convicção que me deram mais certeza de ser Fluminense, mesmo quando tudo poderia se tornar, somente, uma história nos livros. Saudações ao Tricolor convicto e incooptável!

Imaginei e agradeço a todos a oportunidade de compartilhar comigo esse sonho-realidade, essa alegria de ser Tricolor.


Mauro Jácome

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem: extra.com.br

Contato Vitor Tetra Franklin

Revisão: Rosa Jácome

12 Comments

  1. TETRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

  2. Maurão, sempre falo aqui na propriedade de ser seu amigo, de gostar de futebol como sei que você gosta, de ver um detalhe ou outro e fazer conspirações para combinações de resultados e por aí vai…

    …seu texto retrata muito bem o que foi vencer um título estimado no maior esporte do planeta. O futebol é mágico. Um simples gol pode valer mais do 25 pontos no vôlei ou uma partida inteira de playoff no Basquete.

    Como jornalista, destaco: se eu mover as palavras Fluminense e Tricolor do texto, vamos estampar aos quatro cantos o momento de extase de um adolescente que acaba por descobrir os prazeres da vida. A bola rola como um objeto de sentimento vivo, que nos apaixona e fere, que nos alegra e nos causa tristeza…

    e no final tem toda mulambada oposicionista gritando “é treta! é treta!”, tentando tirar o valor do título… isso é normal.

    O Fluminense jogou como vencedor, independente se a arbitragem atrapalhava ou ajudava. Montou uma estrutura consistente dentro e fora de campo, ainda da herança do título de 2010 com Murici. O Flu fez o que todo time nasceu para fazer – jogar para vencer e por isso está de parabéns.

    Parabenizo ainda você, Maurão, em especial em nome de todos que colaboram para esse portal, por ajudarem a escrever a história de nosso futebol. Seria muito bom se todos os times pudessem ter torcedores como vocês, colocando para a posteridade o que a imprensa convencional não tem sentimento para produzir.

    Aquele abraço,

    De seu amigo americano, 8º na série B 2012,

    Átila Pessoa

    1. Valeu, meu camarada. Nem sei se mereço todas essas palavras. Obrigado pela ajuda em sempre melhorar.

  3. Mauro,

    mais uma vez dei boas gargalhadas com o controle remoto e Thiago Neves, muito bommm!!!

    Abraços

    Jorand

  4. E agora, Maurão? Iremos alterar para “Tetra” a letra de nosso hino, na parte “Faz a torcida querida Vibrar com a emoção do Tricampeão!”?

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