Amor ao clube? (por Marcelo Vivone)

cbarros

Notícias de bastidores informam que “o maior tricolor de todos os tempos” informou a Conca, Fred e companhia que a antiga investidora deixará de pagar seus salários mensais.

Sinceramente, estranhei muito quando o doutor anunciou que continuaria pagando a parte que cabe à sua empresa, mesmo depois da não renovação do contrato com o Fluminense.

Simplesmente porque, com a equação apresentada, era difícil chegar a um resultado benéfico para o plano de saúde.

Passados alguns dias, ficou mais difícil ainda de entender a posição inicialmente anunciada, pois ficou claro que o grande motivo do rompimento foi o estado calamitoso das contas do antigo parceiro, que possui dívida bilionária.

Como uma empresa falida iria continuar pagando salários astronômicos e, para piorar, sem ter qualquer benefício de ver sua marca estampada na camisa do clube?

Fazendo a análise retrospectiva do caso, desde a primeira aparição do Celso Barros e até os dias subsequentes ao rompimento da parceria, penso que “o maior tricolor de todos os tempos” mais uma vez utilizou-se dos meios de comunicação para satisfazer seu ego, dar uma resposta ao conselho diretor da empresa que preside e ganhar tempo na tentativa de se desfazer de todos os jogadores com os quais tem contrato.

Nessa sua aparição, incrivelmente para aqueles que realmente o consideram o maior tricolor de todos os tempos, ele mostrou ter pouco ou nenhum interesse em ajudar o Fluminense e fazer a sua torcida feliz. Explico: para não tornar público que a empresa está falida, seja por conta do mercado ou por causa do seu inflado ego, o doutor reuniu a imprensa e anunciou que a saída do Fluminense era por questões de estratégias da área de marketing.

Sabia ele que, naquele momento, não precisava nem citar ou atacar o presidente Peter, pois a parte da oposição que age como ave de rapina se incumbiria de pôr na conta do atual presidente a culpa pelo fim do relacionamento entre clube e empresa. Dito e feito: cinco minutos depois da entrevista as redes sociais já fervilhavam com o pedido da cabeça de Peter.

Enquanto isso, perdurava a falsa expectativa de que o plano de saúde continuaria bancando os 50 ou 80% dos valores mensais de Conca, Fred e dos demais. Em paralelo, seguia firme o plano perfeito do “maior tricolor de todos os tempos” de repassar todos seus jogadores para qualquer clube que demonstrasse interesse em tê-los.

Tudo seguia conforme planejado no escritório da Barra da Tijuca: ambiente nas Laranjeiras tumultuado, torcida contra o Peter e a continuidade da ilusão de que o Dr. Celso é tricolor de verdade (o maior de todos os tempos). Até pedidos em rede social para que ele fosse candidato na eleição de 2016 foram postados.

Infelizmente para o doutor, a montagem do planejamento não considerou uma premissa básica: os altos custos dos seus jogadores. O feitiço voltou-se contra o feiticeiro: os salários inflacionados e fora da realidade do mercado brasileiro impediram que o antigo investidor conseguisse repassar seus jogadores de forma rápida.

Desde o início desse imbróglio, notícias dão conta que Fred já foi tentado no Palmeiras, na China e a bola da vez é o Internacional. Conca tem sido vendido diariamente para o Corinthians. Essas operações até aqui esbarram na questão dos valores. De Cícero, Jean e Wagner não há sequer especulação sobre negociações.

Como o planejamento não deu certo, os problemas vão se complicando. Hoje os jogadores já estão no segundo mês de atraso dos seus salários e já foram avisados pelo doutor que não receberão mais um centavo do plano de saúde. Com isso, Conca e companhia se veem cada vez mais pressionados a deixar o clube seja por qual quantia for.

Interessante é que diferente das outras vezes, o Dr. Celso Barros não se utilizou dos meios de comunicação para informar sobre os atrasos dos salários e a impossibilidade de cumprir com o que foi previamente confirmado. Fez isso longe dos holofotes dos quais tanto gosta.

Do meu humilde ponto de vista, “o maior tricolor de todos os tempos” não considerou em momento algum o clube do qual tanto ama e pelo qual parte da torcida acha que ele fez tantos sacrifícios (sem nada receber de retorno) durante os últimos 15 anos. E estou me referindo somente aos momentos finais da pareceria.

Basta lembrar que há algumas semanas Dr. Celso Barros informou ao Fluminense e ao seu torcedor que manteria o combinado em contrato (alguém precisa ter acesso a esse documento) e pagaria a sua parcela aos jogadores.

Em cima dessa confirmação, o clube começou (com muito atraso) seu planejamento, tendo como principal alicerce a manutenção de Conca e companhia. E a ideia parece bastante clara. Contando com Cavalieri, Gum (ambos já pertencendo ao Fluminense), Jean, Cícero, Wagner, Conca e Fred, fazer contratações pontuais para as posições carentes e de acordo com a nova filosofia do clube: jogadores mais baratos, jovens e com potencial de crescimento.

Com a quebra da palavra do “maior tricolor de todos os tempos”, o ano de 2015 poderá ser muito difícil. Por enquanto todos os jogadores continuam, mas como lidar com os salários atrasados por parte do antigo patrocinador?

Conca

Se a perspectiva atual se confirmar, acho que uma forma de garantir um ano de 2015 digno é priorizar a manutenção do Conquinha nas Laranjeiras.

Nosso ídolo (na acepção real da palavra) tem sido vendido diariamente para o Corinthians. Verdade ou não, eu não sei. Acho estranho que o clube paulista tenha condição de contratá-lo. É sabido que os salários por lá atrasaram algumas vezes e, pra completar, foi divulgada notícia de que o clube do Parque São Jorge teve que pegar R$ 2 milhões emprestados para poder quitar o 13º salário de funcionários e jogadores.

Do lado do Fluminense, por tudo que representa o argentino (leitura imprescindível da coluna de segunda-feira do craque das letras Paulo Roberto Andel: http://www.panoramatricolor.com/conca-e-patrimonio-da-redacao/) é preciso que todos os esforços possíveis e impossíveis sejam feitos para mantê-lo. Seja a venda de todos os demais jogadores compartilhados com o antigo investidor, o pagamento do salário do pequeno craque com a ajuda de algum patrocinador, ou qualquer outro tipo de arranjo. Não sei. Sei apenas que Conca seria um excelente símbolo de renascimento do espírito Tricolor em 2015.

Panorama Tricolor

@Panoramatri @Mvivone

Imagem: globoesporte.com

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3 Comments

  1. O maior problema do torcedor, e não digo apenas do torcedor tricolor, é enxergar sob forte neblina, com visibilidade de poucos metros. Quem enxerga um pouco mais distante, e não precisa ser muito, consegue perceber quem é quem na atual conjuntura tricolor, aliás, como muito bem colocado no texto. Conca é imprescindível e, sem mercado, os demais também deverão permanecer, afinal, mesmo que a Unimed não os pague, também recebem pelo Flu e possuem contratos a cumprir. Que acionem a Unimed.

    1. Vivone:

      Felipe, todos ficando seria melhor, mas, se tiver que sacrificar o resto para o Flu pagar o salário integral do Conca, sem mais depender da Unimed, que assim seja.

      Um abraço.

  2. O que grande parte da torcida do FFC não entende é que o CB sempre viu o FFC como um negócio. Só que era um negócio com seu time, logo ele uniu o útil ao agradável. Ele não era um mecenas e tampouco fazia as coisas para ajudar o FFC.

    Com relação ao rompimento, ele blefou e perdeu feio. Agiu como menino. Poderia ter seguido com a marca estampada sem aumentar um único centavo do que já gastava. Agiu de forma a prejudicar o FFC, seu clube, e resguardar a Unimed.

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