Alma Dourada (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, nosso querido Fluminense venceu mais uma no último sábado, batendo o Vitória por 2 a 1 no Maracanã. Foi a quarta rodada da competição, alcançamos a terceira vitória e, de quebra, temos o artilheiro do campeonato até o momento, com seis gols. Isso mesmo, SEIS gols em QUATRO partidas. Humildade é saber reconhecer quando se é duro demais ou simplesmente tem uma opinião que não condiz com a realidade. Humildade é mudá-la apenas por ser o mais coerente e, é claro, o mais justo. Então, hoje quero falar de um dos jogadores que, embora ganhe um salário acima da média, merece todo o nosso apoio e reconhecimento.

José Henrique da Silva Dourado é um centro-avante de 27 anos que começou a atuar pra valer no futebol apenas há sete anos. Jogou no União São João, São Caetano, Cianorte, Chapecoense, Mogi Mirim, Santos, Portuguesa, Palmeiras, Cruzeiro e Vitória de Guimarães (POR) antes de chegar ao Fluminense. Há algo de curioso na história dele: seus clubes de origem na carreira foram apenas os times paulistas União São João e Mogi Mirim (além do Flu), pois o resto do tempo ele permaneceu emprestado a outras agremiações. Em sua carreira, fez um total de 96 gols, em cerca de 240 jogos, média de 0,4 por partida. No Flu, foram 20 gols em 41 partidas, média levemente superior.

Apesar da vice-artilharia no Brasileirão de 2014 jogando pelo Palmeiras (16 gols), Dourado viveu momentos de ostracismo, mesmo jogando no Fluminense. Sua temporada debutando pelo Flu foi terrível (2016), mas não apenas ele estava fora de ritmo e de forma, como o time também não ajudava. Em 2017, tudo mudou. Além dos seis gols pelo Brasileirão até aqui, marcou também seis vezes pelo Carioca, deixou o dele num dos jogos da Sul-Americana, balançou as redes quatro vezes na Copa do Brasil e só passou em branco mesmo na Primeira Liga. Nada mal, ainda mais se considerarmos que ele não atuou em todas as partidas, fosse por opção do técnico ou por razões comuns ao esporte, como lesão ou cartões.

O nosso camisa 9 tem se destacado pelo seu empenho, pela sua raça e por não desistir de nenhuma bola. Também tem se mostrado um exímio batedor de pênaltis, além do faro de gol apurado. Ele não prima pela técnica exacerbada, embora já tenha feito o pivô várias vezes com eficiência – e até elegância, e não são raras as suas assistências. O Ceifador, apelido bastante apropriado, lembra-me muito o injustiçado Adriano Magrão, que foi importantíssimo para a nossa conquista da Copa do Brasil em 2007, sendo depois preterido pela diretoria da época, que quis formar um elenco estelar. Ele era o operário que mais havia contribuído para a bela obra que ficou pronta.

Dourado também merece nosso carinho e reconhecimento porque, quando veio para o Fluminense, chegou com uma missão ingrata: jogar na mesma posição de Fred, ídolo tricolor por quase uma década. A pressão era muito grande, já que enxergavam nele o substituto que “deu pra arrumar”. Como resultado, ele demorou a dar frutos e a praticar seu melhor futebol. Com a chegada de Abel, que passou a apostar nele, o centro-avante tricolor passou a ceifar com mais frequência, queimando a língua de muitos – eu incluso – e fazendo os zagueiros ficarem “bolados” com a sua presença na grande e na pequena área. Se antes era ignorado, agora é bastante respeitado pelos defensores, que não aliviam.

A cereja do bolo é o seu carisma. Henrique Dourado é de uma simpatia ímpar e de uma humildade comovente. Já foi banco, nunca reclamou, nunca deu piti ao ser substituído, nunca falou besteira e sempre respeitou a instituição. Após o jogo contra o Vitória, foi até a torcida, deu autógrafo, apertou a mão de torcedores e caiu definitivamente nas graças dos fãs. José Henrique, perdão por não ter acreditado em você. Eu também estava magoado com a saída de Fred e queria um substituto à altura, mas você não tem nada a ver com isso. Hoje respeito o seu trabalho e, com todas as suas limitações, terei o maior prazer de continuar acompanhando suas jornadas trajando a camisa 9 tricolor. Ceifai por nós!

Curtas:

– Nesta terça-feira tem Fluminense contra o Atlético-PR no Maracanã. O time rubro-negro possui um ponto em quatro jogos. Ainda não ganhou de ninguém e virá babando tentando colocar água no chope tricolor. Pesa contra eles o desgaste de uma sequência de jogos – problema que também enfrentamos. São nossos fregueses recentes e não nos costumam vencer com frequência em nossos domínios. Que continuemos praticando um bom futebol e consigamos mais três pontos.

– Já falei sobre isso em outros espaços, mas urge que tenhamos mais representatividade na CBF e nos bastidores do futebol em geral, sob pena de reclamarmos quase todo jogo (ou em quase toda eliminação) do desempenho da arbitragem, que claramente apita com má vontade contra nós – ou até clubismo. Declarações enfáticas apenas não resolvem nada.

– Falando em declarações, lamentável o episódio do colunista Paulo Cézar Caju criticando a diretoria do Fluminense em relação ao funeral do imenso Gilson Gênio. Expor o clube, ainda mais sem fundamento, em um jornal de circulação nacional, foi no mínimo um ato de irresponsabilidade do ídolo. Que se retrate o mais rápido possível, se é que já não o fez.

– Manter os preços dos ingressos mais baratos é uma bola dentro da diretoria, mas não consigo concordar com o fim da gratuidade no Setor Sul, principalmente para as crianças. É no meio da torcida de massa, onde estão as Torcidas Organizadas e onde acontecem as festas, que são batizados os (as) tricolores. Obrigar pais a levar seus filhos apenas no Setor Leste devido a questões financeiras pode ser um tiro pela culatra a longo prazo. Repensem!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: ola

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