Além dos 7 a 1 (por Zeh Augusto Catalano)

capa o espírito da copa para livraria

Hoje tem jogo da seleção brasileira contra a potentíssima Venezuela. Há alguns poucos anos, esta partida seria um treino de luxo, no qual o treinador da seleção poderia escalar vários reservas e descansar os principais jogadores para partidas mais nobres. Hoje, há um indisfarçável temor, na própria seleção, de que o Brasil não consiga furar a retranca que certamente a Viño Tinto vai armar em Fortaleza. Willian, do Chelsea, já afirmou que um a zero está ótimo.

Enquanto isso, as pessoas se esquecem de que tem jogo do Brasil. Conversei com três, hoje, que não se lembravam da partida.

Também não consegui arrumar nenhuma explicação em tevês ou jornais para que este jogo aconteça hoje, dez horas da noite, ao invés de ter acontecido ontem, feriado nacional, em horário decente. Desrespeito com o torcedor. O de casa e o que vai ao estádio.

A Seleção, este bando desfigurado e sem moral que vimos em campo contra o Chile, é vítima – como a saúde e a educação públicas do Brasil – de uma série de absurdos que vemos acontecer ante nossos olhos sem que ninguém com autoridade faça nada a respeito. O Chile, eterno saco de pancadas da Canarinho, tem, de fato, a melhor seleção de sua história. E com ela, partiu para dentro do Brasil impunemente, como se (é é!) este fosse um time comum. Antes, ninguém tinha essa ousadia. Partir para dentro do Brasil era a certeza de tomar uma chuva de gols. Mas não mais. Com um ataque comandado por Hulk, que nada mais é do que um tanque de guerra que chuta bem, não há perigo. Não ameaçamos mais ninguém.

Mas como é que o país que criou tantos craques caiu, hoje, nessa entressafra de jogadores me(r)dianos? Basta olhar para os times do Brasil – qualquer um – e ver que não é mérito que escala ou contrata os jogadores, mas um empresário forte. Com isso, muitos craques verdadeiros ficam perdidos por ai afora, enquanto pernas de pau bem assessorados vestem a camisa dos nossos times, para nosso desespero. Claro, isso não é exclusividade dos times de cima, mas também dos times sub-qualquer-idade, nos quais olheiros estrangeiros garimpam a preço de banana reforços para suas equipes. Jogadores como Filippe Coutinho mal vestem a camisa dos clubes brasileiros e já vão embora, deixando vazio e perebas em seu lugar. E os bolsos dos empresários e dirigentes cheios.

Além desse problema, uma outra forma de evasão de jogadores, ainda mais inacreditável, acontece Brasil afora ante os olhos da CBF: Training Camps e escolinhas de clubes das mais variadas nacionalidades se instalam por aqui com a maior naturalidade, sabe se lá sob licença e permissão de quem, e garimpam brasileirinhos para levar para o exterior a preço de banana. (Até a banana está cara. Mas o ditado se mantém). Aqui em Brasilia há centros de treinamento com convênios com o Porto e o Boca Juniors, por exemplo. No Rio, praia de Ipanema, posto 10, escolinha do Espanyol, clube menor de Barcelona. Imagine um training camp do Fluminense numa praia de Barcelona. Ou em algum bairro de Buenos Aires. Alguém em sã consciência acha que isso aconteceria? Que autoridades estrangeiras permitiriam isso?

Enfim, o sete a um é muito mais profundo do que aquela partida. Passa por uma reestruturação profunda na bandalheira que virou o futebol brasileiro. Que virou o Brasil.

Deixo, para terminar, um abraço pro André Santos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

CAPA O FLUMINENSE QUE EU VIVI AUTÓGRAFOS

4 Comments

  1. Pra você ver onde chegamos: você disse que o Hulk é um tanque que chuta bem. Bem longe do gol, né??
    O cara jogou uma copa das confederações e uma copa do mundo inteirinha e não fez um mísero gol. Esse cara não é jogador de futebol. É mais um lixo com a amarelinha.
    Acho que você deveria reescrever essa frase ou pedir desculpas. hehehehehe

  2. UMA BOA DISCUSSÃO ESSA QUE VC ESTA PROPONDO.
    TENHO 67 ANOS E ACOMPANHO FUTEBOL , DESDE TELE, LEO VALDO ROBSON E ESCURINHO, SABARA ALMIR NL, VALTER E PINGA, JOEL MOACIR HENRIQUE DIDA E BABA, GARRINCHA DIDI ROBERTO E ZAGALO.
    QUEM ESTA ESTRAGANDO O FUTEBOL É A GRANDE MIDIA, (A GLOBO NA CABEÇA), SEGUIDO BEM DE PERTO PELA PEQUENA MIDIA, QUE SÓ EMITE OPINIÃO DEPOIS DE VER, LER OU ESCUTAR OS GRANDÕES.
    ODEIO O FUTEBOL EUROPEU, ADORO JOGOS DE SEGUNDA TERCEIRA E DEMAIS DIVISÕES, PQ SOU BRASILEIRO E…

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