Ainda tem salvação (por Mauro Jácome)

Melhorou. Achava que o Abel ia meter uma nova retranca lá em Curitiba, mas me surpreendeu. Espalhou o time. Jogou quase num 4-3-3. Adiantou o Nem para jogar na mesma linha do Fred e colocou o Thiago Neves para sair da última linha e voltar para buscar a bola. Wallace e Carlinhos tiveram liberdade para sair para o jogo. O Fluminense não fez uma grande partida, mas não ficou acuado esperando, unicamente, a oportunidade do contra-ataque. Outra vez, Cavallieri e Gum fizeram uma ótima partida e Fred foi decisivo.

A cada vez que o Coritiba recuperava a bola, o time avançava a marcação para não deixar a intermediária para o adversário. Nesse papel, Jean foi fundamental. Na saída para o ataque, o pessoal de trás diminuiu a quantidade de chutões. Os defensores procuraram trocar passes, chamar o meio-campo, em vez de meterem o pé na bola.

No primeiro tempo, o Coritiba, ao contrário do que acontece normalmente, respeitou o Fluminense e dava a impressão que o tricolor sairia em vantagem para o intervalo. No entanto, faltou aquele passe que deixasse Fred na cara do gol. A bola sempre era mal colocada quando chegava à intermediária.

O tempo final começou um pouco diferente. O Coritiba adiantou-se e ocupou melhor o campo do Fluminense. Os espaços existentes no primeiro tempo acabaram e, assim, começava o bate-e-volta, mas os donos da casa não souberam aproveitar. Aos poucos, o jogo foi caindo em qualidade e o empate já soltava um cheiro forte.

Já lá pelo final, o Coritiba lembrou-se que jogava em casa, apertou novamente e criou jogadas de perigo. Inclusive, obrigou Cavallieri a fazer uma bela ponte. Hoje em dia não vemos mais esse tipo de defesa. Normalmente, para aparecer, o goleiro dá uns saltos acrobáticos, inclusive, em bolas simples. Quem não se lembra do “saudoso” FH!

De repente, o jogo vira. Uma expulsão, um gol contra, um gol de Fred. 2 x 0 e fatura liquidada. Ainda teve o gol anulado do Thiago Neves. Um detalhe mudou tudo.

O jogo foi ótimo para mostrar que o mundo ainda tem salvação. Ao contrário de outros jogos, com adversários mais fracos do que o Coritiba, o Abel enfiou dez jogadores na defesa e passou sufoco 90 minutos. Lá no Couto Pereira, surpreendeu, e soltou mais o time, ganhando um jogo que tinha tudo para ser muito complicado.

Agora vem uma sequência de três grandes: São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro. Duas “em casa” e uma fora. Sem Deco, o time deverá ficar mais pegador, mas sem criatividade. Wagner é o substituto natural, mas não tem as mesmas qualidades técnicas, embora tenha melhorado em relação ao começo do ano. Thiago Neves também não está em condições de assumir o papel do Maestro.

Outro desfalque importante deverá ser Wellington Nem. Não sei se o Abel colocará o Marcos Junior no seu lugar. O técnico ainda acha que o garoto está cru e prefere colocá-lo aos poucos, sem muita euforia.

A Rodada

Quem chamou a atenção foi o Internacional. Com um futebol consistente, ganhou tranquilamente do Palmeiras, mesmo fora de casa. O time ainda sente falta de Oscar, que não volta mais, e de Damião, mas tem um jogador que está se destacando no meio-campo: Fred. Forlan ainda não desencantou, mas é um ótimo jogador e, em breve, será um dos destaques do Brasileiro.

Outro time que mostrou força foi o Grêmio. Num jogo em que o Bahia tentou complicar, o time de três cores lá do sul, foi para cima e ganhou na marra. Tirar pontos do Grêmio no Olímpico não será fácil.

O Botafogo fez um jogo ruim, mas ganhou. Impressionante é a escalação daquele Rafael Marques no ataque. Que jogador ruim! Por outro lado, que cobrança de falta do Seedorf!

O São Paulo quase para no Magrão. O goleiro do Sport fez um monte de defesas sensacionais, mas prevaleceu a força do time de três cores paulista. Destaco o bom jogador Ademílson. Movimenta-se muito, aparece várias vezes livre, tem velocidade, mas ainda precisa ter tranquilidade na hora de finalizar.

O Cruzeiro manteve a instabilidade. Jogando em casa, se atrapalhou com a Ponte Preta. O time mineiro tem, no geral, um elenco aquém de anos anteriores. Os laterais são esforçados, mas fracos tecnicamente. O meio-campo fica na dependência de Montillo que, se estiver bem marcado, sem espaços, não consegue fazer a bola chegar bem no ataque. Esse jogo deve ser visto e revisto pelo Abel, porque a Ponte soube explorar bem a pressão da torcida no time cruzeirense.

Por fim, Romarinho e Jorge Henrique irritaram todo mundo. Os atacantes do Corinthians, que contavam com toda nossa torcida, ficaram várias vezes em boas condições na área vascaína, mas ou chutavam longe ou caíam ou perdiam a bola.

Mauro Jácome

Panorama Tricolor/ FluNews

Revisão: Rosa Jácome

Foto: Globoesporte.com

10 Comments

  1. Uai, o que houve com o Deco? E com o Nem? Acho que perdi esta parte, rs. Tb, o jogo estava tão morno que cochilei (dormi mesmo), no começo do 2º tempo, acordei e já não estavam mais em campo. Mais 10 min de jogo, e acabava em Flu 2×0 Coxa.
    Mas não exaute o Abel ainda, Mauro, jogo contra um time como o Coritiba, é obrigação vencer quem quer ser campeão!!!

  2. Tem que vencer o São Paulo, porque Vasco pega barbada, Internacional pega barbada, Grêmio pega barbada, Atlético pega barbada… Tem que ganhar!!!!!

  3. De fato me surpreendeu. Não jogou o que espero, mas jogou o suficiente para não levar gol (primeira prioridade do Abel) e quem sabe marcar um golzinho de contra-ataque. Fez dois, superou a expectativa do Abel, estou certo.
    A lamentar as contusões (esse departamento médico do Flu, combinado com a musculatura cansada de alguns idosos está deixando a desejar) e os dois gols anulados. O primeiro foi legal, pois o W. Nem amorteceu a bola no ombro. Isso ficou claro nos replays em câmera lenta. sorte que não fez falta.
    O segundo, alguém falhou, não sei se quem cruzou ou se o TN, pois perderam o time da jogada. No gol do Fred isso não aconteceu, pois o Wagner centrou na hora certa. Se demora dava impedimento também.
    Acho que o time vai ficar bem com o Wagner. Quem sabe o Sorbis também? Temos elenco e devemos usá-lo, o campeonato vais ser assim e quem tem banco leva vantagem. Sinto a falta do Valência, do Diguinho, do Sorbis, do He Man e outros, que são peças importantes em determinados momentos e caros.

    1. O que tem me preocupado é a instabilidade tática. Ontem foi um exemplo claro: primeiro tempo, encurralado; segundo tempo, dominando os espaços. O time deve ter alternativas, mas o que tem acontecido são antagonismos.

  4. Maurão, muito boa a crônica do jogo. Deu para ver que Abelão também está lendo a sua coluna. Muito bom também a resenha dos adversários. Mas, permita-me discordar de uma coisa: “sequência de três grandes: São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro”. Desde a saída de Muricy e as cirurgias do Ceni o SPFC vem capengando no trato com o futebol. Esse Palmeiras de Felipão nunca mais emplacará na vida. Ganharam a Copa KIA do patrocinador KIA e vice-versa… o único que sobra é o Cruzeiro. Uma verdadeira sucata que está dando resultado. Assim como o co-irmão mineiro, a raposa tem um elenco recheado de refugos e se mantiverem a sorte e o preparo físico farão a história que não fizeram em seus times de origem.
    Aquele abraço!
    Ah! anote aí… esta semana meu time perdeu uma. kkk. Sabe como é, né? foi como dar uma topada numa criptonitazinha.

    1. Domingo estaremos torcendo para um empate lá em Minas antes de entrar em campo contra o Palmeiras. Aliás, falando em Palmeiras, domingo será mais um dia de choradeira felipiana. O árbitro isso, o bandeira aquilo, fulano me persegue, beltrano não gosta de mim… Chatice.

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