Ainda sobre NetFlu (por João Leonardo Medeiros)

João Leonardo

Estou consternado com a censura imposta ao excepcional site Netflu. O Fluminense justificou a censura com a alegação de que o site faz jornalismo com viés político. Os responsáveis pelo Netflu negam veementemente a orientação política do site. Agora, na minha opinião, isso é absolutamente irrelevante. Vamos dizer que o Netflu fosse um site identificado com um candidato da oposição. Vamos dizer que tivesse declarado o voto num candidato da oposição. Por causa disso, o Netflu não poderia exercer seu jornalismo politicamente orientado no Flu? Por que não? O Fluminense foi comprado pela situação, é propriedade exclusiva dos seus atuais mandatários?

Na verdade, a situação do clube não aguenta o contraditório. Nunca vi o clube alegar inverdade de uma notícia divulgada pelo Netflu. Nunca foi negado absolutamente nada. Tomemos, por exemplo, o vídeo que foi usado como desculpa para a censura. O Netflu informou que o vídeo foi filmado por Antônio González. Eu vi a indicação da fonte na notícia. González, por sua vez, é sócio do clube e, corretamente, expôs uma situação de descaso com a higiene do vestiário masculino. Expôs porque, como todos sabemos, reclamar na Ouvidoria não dá em porra nenhuma. O clube não aceitou a exposição, alegou que o site estava dando voz à oposição. Agora, o mais importante: o clube não negou o fato denunciado no vídeo, ou seja, a situação lamentável do vestiário masculino. Está mesmo um lixo. O que foi feito no vestiário depois da divulgação do vídeo? Respondo eu: nada, continua um lixo.

Em 2013, a mídia empresarial maculou a imagem do clube, massacrou o Fluminense, ofendeu seu torcedor comum. Inventou coisas, omitiu outras. O clube não fez absolutamente nada. Quem defendeu o clube naquela ocasião foram os tais blogueiros tricolores, muitos dos quais hoje achincalhados pela direção omissa. A Netflu certamente virou o que virou, um monstro de 3 milhões de audiência, porque defendeu ardorosamente o clube em 2013, quando o clube se omitiu. A gestão do clube largou a imagem do clube para os abutres. E eles teriam comido a carniça, não fosse a garra daqueles que decidiram trabalhar nas mídias alternativas em favor do Fluminense. Nenhum jornalista do Globo, do Lance, da ESPN, da Fox foi proibido de entrar no clube. Nenhum, nem Renato Maurício Prado, nem Juca Kfouri, nem Antero Grecco. Mas a Netflu foi.

Isso significa apenas uma coisa. Os que estão à frente do Flu não estão defendendo o clube. Estão defendendo a si mesmos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: lej

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