Adeus, Capitão (por Walace Cestari)

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A grande área tricolor está mais triste. Fred não veste mais a camisa nove e não mais balançará as redes dos adversários. Sem sombra de dúvidas, um grande jogador, com um faro de gol raríssimo. Um dos maiores goleadores de nossa história, uma referência dentro de campo. Desde há muito, é ícone das três cores, tamanha foi sua identificação.

É certo, por outro lado, que não vinha repetindo atuações magistrais. Os gols, outrora em profusão, também estavam mais escassos. A liderança e a referência andaram rateando nas quatro linhas ou dentro do vestiário. A imagem, antes intocável, foi arranhada e, de certo tempo para cá, muitos torcedores questionavam sua capacidade.

Fred é, antes de tudo, humano. Não um daqueles seres humanos únicos na história, como grandes filósofos, cientistas ou líderes políticos. Fred é um ser humano comum, cheio de dúvidas e paixões, que se irrita e se deixa cativar como todos nós. Talvez esta seja um defeito de todos nós: enxergamos o líder em campo, o modelo a ser seguido, a técnica, a capacidade e a frieza para resolver jogos e esperamos que ele seja ainda mais do que possa nos dar. O que faz Fred ser grande é exatamente isso: ele não é infalível. Tem seus defeitos. É mais um de nós. Só que tocado por um talento espetacular.

Por isso mesmo não cabe qualquer grito de “mercenário” ou outro xingamento que equivalha. Fred, ainda que não esteja acima das críticas, não lhes é merecedor. Como em qualquer relação, há o risco de que alguma parte não esteja feliz. E chegou o momento em que Fred, humano como qualquer outro, não estava mais feliz. Sem qualquer demagogia, que ele encontre a felicidade no Galo.

Podemos resumir tudo a negócios. Nessa perspectiva, não há dúvidas que não foi de todo mal. Em uma crise galopante dentro do Fluminense, com um iminente calote da fornecedora canadense, sem patrocínio master e repleto de altas contas a pagar, deixar de pagar o maior salário brasileiro a um jogador alivia bastante as contas. Ainda veio um troco de um milhão e meio de dólares. Não dá para desprezar qualquer centavo a esta altura.

Óbvio que se ouvirá: “qual o preço de um ídolo?” e dedos apontarão culpados para o fracasso de onde quer que ele venha. Se Fred não der certo no Galo, as críticas cairão em Minas. Se o time tricolor ratear, será por conta da venda do craque. Nada mais superficial. Por isso luto tanto contra a cultura de idolatrias. Ninguém é maior que o Flu, jamais será.

Assim termina um ciclo de um grande jogador nas Laranjeiras. Resta o agradecimento por tudo o que fez. Seus erros, a história os apagará lentamente, pois sua carreira é mais gloriosa que confusa. Esperemos o melhor. Tanto para ele quanto para nós.

Quem sabe os garotos agora não correrão mais? Não por conta de mau relacionamento, mas por uma cobrança que também crescerá. Existe vida sem Fred. Fomos campeões da Primeira Liga voando baixo sem ele. Mas não vamos nos esquecer de que precisamos ainda mais reforçar a equipe. Não precisamos de loucuras para buscar um “novo ídolo”, porque isso é caminho para o fracasso. Precisamos fortalecer o conjunto e acreditar no trabalho de Levir. Sem Fred, que sabe não voltamos a ter onze operários?

Ao fim e ao cabo, só nos resta, com toda a fidalguia que temos dizer apenas: OBRIGADO, CAPITÃO.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: c2w2

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