Acabou o recreio (por Mauro Jácome)

126 - 05022012 - Acabou o recreioRenato Gaúcho resolveu poupar mais três jogadores, além de Fred e Valência. Nas laterais, Bruno e Carlinhos deram lugar a Wellington Silva e Chiquinho. Na cabeça-de-área, Rafinha foi escalado para substituir Diguinho. As justificativas para o “rodízio” foram: curta pré-temporada e eventuais contusões. De fato, não seria o Fla x Flu do próximo final de semana? Quanto à armação, entrar com três volantes contra o lanterna-sem-gols não seria a melhor opção. Vamos para o jogo:

Primeiro Tempo

O Fluminense começou o jogo preso na marcação do Audax, que adiantou as linhas de meio-campo e ataque para fechar a saída de bola. Não tem sido novidade. Logo aos 4’, Cavalieri se assustou com um chute de longe, mas o goleiro tricolor espalmou para o lado. Esse lance é a amostra de um dos principais problemas do sistema defensivo: o meio-campo dá espaços e deixa o adversário ganhar velocidade ao se aproximar da área tricolor. Com isso, é comum os zagueiros ficarem no mano-a-mano contra jogadores com a bola dominada. Por consequência, são batidos com frequência. É sufoco atrás de sufoco.

A partir dos 12’, o Fluminense tomou o controle do campo de jogo e se aproximou do gol do adversário. De repente, aos 22’, num escanteio, o Audax abre o placar. Mais um lance que deixa bem visível outro problema do sistema defensivo: o posicionamento errado dos zagueiros. Gum e Elivélton pegam adversários que os levam para fora da pequena área e, assim, forma-se um clarão à frente de Cavalieri. Qualquer um faz isso. Será que ninguém percebe?

Nem deu muito tempo para o Audax comemorar. Aos 24’, o lateral David Modesto não fez jus ao nome e abusou das faltas duras. Antes, o árbitro até quebrou seu galho em fazer vistas grossas numa entrada, por trás, em Conca. Mas na pregada que deu em Rafinha não teve jeito: expulso.

Em seguida, o Fluminense foi para cima e tentou o empate por baixo, pelo alto, pelos lados. Para aumentar o poder ofensivo, aos 31’, Renato tirou Rafinha e colocou Wagner. Essa alteração deu mais movimentação e fez com que a bola rodasse com mais velocidade. No entanto, a organização era zero.

De tanto atacar, uma hora o gol sairia. E no último lance da etapa inicial, numa falha bisonha do goleiro (que se pendurou nos zagueiros do seu próprio time), Wagner, que não tinha nada com isso, meteu uma bicicleta para as redes. Empate e alívio.

Detalhe: impressionante, como os cruzamentos são ruins! Quase todos passavam por toda a área. Michael só olhava para cima.

Palavras-chave: desorganização, posicionamento, errado, zagueiros e defesa.

Segundo Tempo

Jogo empatado, adversário com um a menos. Tudo a favor para deslanchar. No entanto, não foi isso que aconteceu. Toque para lá, toque para cá, bola na área, nada. Pressão total, dez no campo do Audax. Toque para lá, toque para cá, um ajeita, outro chuta com perigo. Conca, Wagner, Conca, Rafael Sóbis, até Chiquinho e William, nada.

Se uma das palavras-chave no primeiro tempo foi desorganização, no segundo, somou-se a precipitação. Era o óbvio vezes o óbvio. As jogadas eram tão previsíveis que os zagueiros do Audax marcaram o Michael, confiaram no goleiro Yamada e deixaram os chutes de média distância acontecer. A bola rodava de um lado para outro, voava em direção à área, voltava, ia novamente. Nada.

Biro Biro foi para o jogo aos 18’ no lugar de Wellington Silva, que deve ter batido o recorde de mandar a bola para o outro lado do campo. A “Flechinha Vesga” correu na direita, correu na esquerda, correu no meio. Rafael Sóbis o colocou na cara do gol por duas vezes, mas, em ambas, demorou a finalizar e perdeu o lance.

Os gols da vitória não surgiram de jogadas ensaiadas. Saíram pela insistência. De tanto jogar a bola na área, alguma tinha que dar certo. Duas deram. Aos 36’ e aos 42’, ambos em cruzamentos de Wagner, os zagueiros Gum e Elivélton colocaram para dentro. Se os dois erraram em suas posições originais, acertaram o lugar no ataque.

Palavras-chave: precipitação, zagueiros, lugar, certo, ataque e “Ufa! Ufa!”.

E agora?

Ontem, recebi um email de meu amigo Márcio. Ele desabafava sobre o estágio atual do Fluminense e o que ele viu nesses primeiros jogos do ano: o Fluminense é um disco arranhado…

Acho que o maior problema transcende as quatro linhas. Um terremoto está por vir: o Brasil inteiro quer destruir o Fluminense. Já escrevi diversas vezes que o Fluminense precisaria se preparar para o rolo compressor que aponta no horizonte. Nesse estadualzinho mequetrefe o problema é relativizado, apesar de que nos clássicos já sentiremos o peso da barra. Mas quando chegar o Brasileiro…

Pensando na temporada, qual é a estrutura que está sendo montada em 2014 para aguentar os abalos? Uma casinha de madeira, um prédio comum ou uma construção que suporte fortes tremores?

Estou preocupado. Afinal, está acabando o recreio.

 

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @MauroJacome

Foto: escolaseducceestevao1.blogspot.com.br/

Revisão preliminar: Rosa Jácome

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3 Comments

  1. Só uma pergunta: E os meninos de Xerém? Não temos reservas, temos q improvisar…

    1. Caro tricolor. Renato Gaúcho… Preciso complementar o que o MJ postou? Ronan e Igor Julião! Obvio ululante!

  2. Tb estou muito preocupado. Acho que deveriamos investir em jogadores bons, mais baratos.
    Pesca-los entre os times da América do Sul. Infelizmente nossos dirigentes tem escolhido mal
    e contratado jogadores que não vingam. Temos que lutar contra essa realidade.
    Saudações Tricolores

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