Abelão e a atitude tricolor (por Raul Lagoeiro)

O Fluminense terminou 2016 de forma melancólica. Ver os jogos do time gerava um misto de sono, desesperança e indignação.

A manutenção daquele elenco, a falta de ousadia nas contratações da pré-temporada (devo confessar que não conhecia o valor dos equatorianos Sornoza e Orejuella…e, depois da partida de ontem, tenho que reconhecer o acerto na contratação do Lucas. Que partida ele jogou!) e o reiterado discurso de contenção de custos e redução da folha do futebol me fizeram projetar um 2017 tenebroso.

Mas eu não estava levando um “pequeno detalhe” em consideração: a contratação do Abelão. Ele já me proporcionou intensas alegrias com o belo futebol jogado em 2005 – “esse time se recusa a perder”, ele dizia depois das vitórias mais improváveis – e com os títulos inesquecíveis de 2005 e mais ainda de 2012.  Mas ainda assim não achei que ele pudesse transformar aquele time preguiçoso de 2016, essencialmente utilizando o mesmo elenco. Chegou falando em atitude, repetiu isso em várias entrevistas antes da temporada começar, mas eu não conseguia visualizar aquele time comendo grama.

O ano começou, e logo aplicamos um inquestionável 3 a 0 no Vasco. Aquilo acendeu uma luz de otimismo, mas era o primeiro jogo do campeonato, o Vasco não tem um bom time, não me pareceu bem armado na partida… mas independentemente disso, vencemos com autoridade, num clássico que tem sido bem complicado para nós nos últimos anos.  Algo bom poderia estar por vir. O campeonato seguiu, fomos acumulando vitórias, tivemos bons resultados na Copa do Brasil… mas o nível dos adversários não nos permitia chegar a grandes conclusões; muito embora, em anos passados, tenhamos enfrentado dificuldades em jogos equivalentes.

Veio a final da Taça Guanabara, a meu ver o primeiro teste real para a equipe. E logo nesse jogo não pudemos contar com nosso craque, Scarpa, e com o ótimo Douglas, peça vital do nosso meio-campo.  Era a hora de começar a entender de verdade onde realmente estávamos.  E o que vi em campo me encheu de orgulho e de mais gratidão ainda pelo Abelão. Embora eu ache que a defesa tem muito a melhorar (os dois primeiros gols do Flamengo eram plenamente evitáveis com melhor posicionamento e mais impulsão na bola aérea), vi um time vibrante, faminto, focado, correndo todo o tempo e muito bem postado em campo. Taticamente dominante, letal nos contra-ataques e com controle total do jogo no 2º tempo (a meu ver, o gol de empate do time da Gávea foi um acidente).

Claro que o mérito dos jogadores é total; treinador não corre, não chuta, não desarma. Mas o Abelão parece ter dado alma a esse elenco. Mais que qualquer evolução tática que estejamos apresentando (e estamos), o sangue tricolor que lhe corre nas veias parece ter gerado no elenco a atitude que a torcida tanto pede, exige e aprecia.  Obrigado pela tarde de ontem, Abelão!  Esperamos que ela se repita na Taça Rio e nas finais do campeonato, porque o que vale é o título ao final.

Ainda é extremamente cedo para concluirmos sobre nossa competitividade para a toda a temporada, porque o Campeonato Brasileiro é outra história. Entendo que ainda precisamos de mais elenco.  Mas a principal semente foi plantada: a atitude reapareceu!

O inesgotável Abelão prometeu e cumpriu. Time que ele treina joga com alma.

Saudações Tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: suss

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