O óbvio ou a surpresa de Abel Braga? (por Crys Bruno)

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Oi, pessoal.

Após duas amargas derrotas nas finais do Carioca e uma partida “Padrão Flu 2016” no Uruguai, estreamos com vitória sobre o subestimado pelos “especialistas” da imprensa, o ignorado atual vice-campeão brasileiro, Santos, no Maraca.

Pelo treino desta terça-feira, dificilmente nosso mais importante e perigoso atacante jogará. Wellington Silva sentiu o púbis no “nonagésimo” pontapé sem bola que levou contra o Santos e provavelmente não enfrentará o Grêmio, no Sul.

Independentemente da possibilidade desse desfalque, em sua coletiva, nosso comandante acenou para mudar o time para a peleja de hoje, contra o Grêmio, em competição de mata-mata, a Copa do Brasil, diferente do Brasileirão.

Nas últimas semanas, nós vimos o Fluminense em jogos de “180 minutos” contra o Flamengo e Liverpool-URU. Resultados: três derrotas e uma vitória. Sim, estou preocupada.

Minha preocupação é porque, infelizmente, a primeira partida será fora e Abel tem nas mãos um time ágil e agressivo para atuar na marcação forte, fazendo pressão na saída de bola do adversário, pressionando seus zagueiros e laterais nos dois terços do campo, assustando o Grêmio,

Mas ele não fará isso. Ele fará o que fez contra o Flamengo e até contra um limitadíssimo time uruguaio: recuará os atacantes do lado de campo, montando uma segunda linha de cinco, postada, ou melhor, prostrada na intermediária defensiva, como proposta de jogo e não para eventual necessidade, como se entende fazer quando você tem um bom placar e o segura nos minutos finais.

Para piorar, quem ficará na sobra, na válvula de escape, será Henrique Dourado. Embora nada bobo quando de frente para o gol e na grande área, Dourado não tem domínio de bola nem mesmo bom cabeceio para fazer a parede, costumando perder a maioria das disputas assim.

Com isso, o Grêmio terá campo livre para sua saída de bola, para nos pressionar, sufocar. Como o Santos teve, domingo, quando estivemos na frente do placar e recuamos equivocadamente.

Então se Abel mantiver essa proposta defensiva, italiana, ultrapassada de jogo, ele deverá vir de Pierre ou Douglas. Para essa proposta de jogo que me desagrada e desanima muito, colocaria o Pierre, liberando Sornoza, para jogar como o meia-atacante, mais próximo da área de ataque. Mas acho que Abel virá de Pierre no lugar de Wendel e Marcos Jr no lugar do Wellington. Infelizmente.

Infelizmente porque para o meu gosto e futebol que espero do meu time do coração, e sei que essa molecada pode nos proporcionar, o ideal seria a postura e proposta de marcação alta e posse de bola com esse meio-campo técnico e leve mais à frente, dando respiro a defesa.

Mas as influências do Abel vêm da Itália e Alemanha dos anos 1970 e 80, que influenciou duas gerações mesmo, de verdade. Entendo o uso de seus conceitos, mesmo com tristeza, porque descaracterizou nossa escola brasileira.

Nosso atual e querido treinador que se disse reciclado, que assistiu e analisou cerca de quinhentos jogos enquanto esteve sem clube, melhorou, sim, é só ver a escalação do seu meio-campo, mas parece não ter lido nem ouvido um dos ícones do futebol alemão dos anos 1970 e 80, Paul Breitner, afirmar, em entrevista no Bayern de Munique em junho de 2013:

“Durante décadas, o Bayern jogou com o mesmo sistema. Com o Csernai, o Kalle e eu, jogamos como o Bayern jogou até 2008: podemos chamá-lo de 4-1-4-1 ou 4-2-4 ou o 4-4-2, mas na verdade é a mesma proposta tática com alguns movimentos diferentes. Esse sistema caducou. No século XXI, faz parte do passado. No Bayern, sabíamos que era preciso mudar. Começamos com Van Gaal. E hoje em dia sabemos que só se pode ganhar títulos com o futebol que o Barcelona de Guardiola pôs em prática.”

Recicla-se, de verdade, querido Abel. A molecada lhe dará a resposta positiva em campo. Treine os triângulos do Barça que até os maiores ícones da grande potência, a Alemanha, tiveram a humildade e coragem para “copiar”. O mesmo time cujo treinador afirmou, inúmeras vezes, se inspirar no futebol brasileiro das Copas de 1970 e 82 e sua geração matou.

Recicla-se, Abelão. Vocé é capaz. É um gigante de alma e tem a humildade e coragem que os alemães tiveram. À pressão no ataque! À marcação alta e posse de bola! Ao respiro do setor defensivo! Aos gols! Às glórias! Vamos, Abelão. Eu confio.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: bic

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