Abel, Abel, Abel! (por Marcelo Vivone)

Faremos no sábado o último jogo do primeiro turno e, independente do resultado, o Fluminense já alcançou a sua maior pontuação em um turno da era de pontos corridos. Mas isso não é o bastante, pois estamos em 2º lugar e necessitamos da vitória. Nosso adversário é dos mais complicados, pois se trata do Vasco da Gama e a vitória não virá com facilidade.

Nosso comandante é Abel que, além da bela campanha no 1º turno desse ano, vem de 1 título e de excelente campanha no ano passado. Foi com ele que conquistamos o título regional depois de 7 anos na fila. Aliás, o último título, em 2005, também havia sido conquistado com Abel à frente da equipe. No ano passado, ele levou o time a realizar um belo 2º turno, sendo o tricolor o campeão simbólico dessa parte do campeonato.

Mas então por que o técnico continua sendo questionado em alguns momentos? Para mim a explicação é fácil, pois sou um dos que tem críticas ao seu trabalho. Primeiro é importante esclarecer que não é por que os resultados são reconhecidamente bons e irrefutáveis que não há espaço para a crítica construtiva. Inclusive, a crítica, se construtiva, é um importante fator de crescimento para a pessoa que tem a ambição de evoluir na sua profissão ou na vida pessoal e que tenha humildade suficiente para aceitá-la.

Minhas críticas ao trabalho do nosso treinador começam por algumas opções individuais. Na minha concepção não é possível que o Edinho seja titular da nossa cabeça de área, tendo o Valência como seu concorrente. Para piorar, nosso técnico já declarou e demonstrou em mais de uma oportunidade que o Edinho é um de seus homens de confiança em campo.

Outro erro de avaliação sob meu ponto de vista é a escalação do atrapalhado Anderson, que somente deixou a condição de titular absoluto por ter sofrido uma séria contusão. Se a posição de zagueiros é a mais carente do time, e não há duvida quanto a isso, a zaga que atua hoje talvez seja a combinação menos pior do elenco. Gum e, principalmente, Eusébio, não são nem de perto os zagueiros que sonho ver vestindo a camisa tricolor, mas formam uma dupla mais consistente do que quando joga o Anderson. Outra opção seria a entrada de um dos meninos, Wellington Carvalho ou Elivélton, no time titular.

Finalizando as escolhas individuais, discordo também em relação ao esforço feito para a permanência do Rafael Sóbis. Vejo qualidades em seu futebol, mas nada que justifique o que o Fluminense gastou para comprá-lo em definitivo.

Na parte tática, nosso técnico teve muitos meses desde o ano passado para dar um padrão tático ao time. Pois bem, esse padrão só veio já na metade do turno do campeonato corrente e, ainda assim, com uma tática acusada de ser um tanto quanto defensiva. Nosso time em vários jogos marcou um gol e fechou-se todo atrás, tal qual um time pequeno, passando sufoco durante boa parte do tempo e contando em algumas oportunidades com a sorte.

O torcedor mais otimista pergunta então aos mais críticos: como então temos todo esse retrospecto, desde o ano passado, se há erros táticos e de escolhas individuais do nosso técnico?

A meu ver, há uma série de motivos e alguns deles devem-se ao próprio técnico. Abel é um ser humano e, como tal, suscetível a erros e acertos. No aspecto positivo, é inquestionável que Abel é um técnico que favorece e privilegia a união de todo o grupo, é um técnico honesto e com o qual os jogadores gostam de trabalhar, tem muita experiência e vivência em grandes clubes, é tricolor de coração e quer o melhor para o clube, é muito comprometido e profissional e está cercado por uma boa comissão técnica.

Aliado a isso, não podemos esquecer a participação da UNIMED e do belo trabalho que a diretoria tem feito com as divisões de base. O resultado dessa combinação é que temos hoje seguramente um elenco que está entre os 2 ou 3 melhores do país. Outro fator é o respaldo dado ao treinador, à comissão técnica e a todo o elenco pela estrutura profissional de direção montada pelo presidente do clube.

O grande revés que tivemos no ano foi a tão sonhada Libertadores que mais uma vez nos escapou, dessa vez no duelo contra o Boca, oportunidade em que fomos muito prejudicados pela arbitragem e pelos desfalques. Mas, mesmo com tudo isso, será que se tivéssemos um padrão de jogo e as escolhas certas de jogadores, não conseguiríamos ter chegado às semifinais? É nesse ponto que discordo do torcedor que resmunga quando os mais críticos apontam alguma questão a ser corrigida. Está muito bom, mas será que não poderia estar melhor ainda?

Marcelo Vivone

Panorama Tricolor/ FLuNews

Imagem: abril.com.br

2 Comments

  1. Bacana o texto, só discordo da parte que é mencionado fracamente o Gum. Na minha opinião o cara tem jogado muito e digno de aplausos quando entra e sai de campo. Defende o clube na sua condição de zagueiro muito bem!

  2. Fábio,

    Obrigado pela mensagem. Qto a discordar, é perfeitamente natural e até saudável. Gostaria de enxergar no Gum o que vc (e sei q muitos outros) veem. Infelizmente, não sinto segurança nele e muito menos nos demais. Exceção feita aos garotos que ainda não tiveram suas oportunidades. Mas, reconheço que o Gum é o melhor (ou menos pior) dos 3 que são geralmente escalados.

    Um abraço.

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