A tradicional impaciência da torcida tricolor (por Paulo Rocha)

 

 

Farei 54 anos de idade no próximo mês, se Deus quiser, e frequento Maracanã desde moleque. O mesmo vale para o clube, pois fui criado em Laranjeiras. Ou seja: conheço bem a torcida do Fluminense e a sua impaciência. Já quase briguei na arquibancada por discordar de outros tricolores. Quem teria razão? Eu? Eles? Arrisco-me a dizer que nenhuma das partes.

Abri desta forma a coluna de hoje para analisar as vaias recebidas pelo time no intervalo da partida contra o Nacional Potosí. Que o time jogou mal é inquestionável. Mas a manifestação, da forma que foi feita, não me pareceu correta. Afinal, não possuímos um timaço e, além disso, teríamos o segundo tempo inteiro para fazer o serviço – que foi feito.

Dizer que o torcedor é soberano, que paga ingresso e pode fazer o que quiser sempre me soou como hipocrisia. O sujeito precisa entender um mínimo de futebol para dar pitaco. O problema é que existe muita gente que pensa que entende. Dizer que o trabalho não está sendo bem feito, que o Abel é burro e outras coisas do tipo, é um direito do torcedor. Assim como é meu direito não concordar.

Não estou aqui para bancar o defensor do Abel, tampouco de diretoria – aliás, em momento algum julguei que esse presidente eleito fosse a melhor opção para o clube. O que gostaria de dizer aqui é que, caso a torcida siga com essa impaciência, quem vai se foder é o Fluminense. Enquanto os tricolores se digladiam, os outros riem da nossa cara, motivados pelos setores escrotos da imprensa esportiva.

Volto a dizer, como não sou fascista ou coisa do tipo, respeito opiniões dos outros. Mas é preciso entender que o processo de transição pelo qual o Tricolor está passando. Se ele não está sendo administrado com expertise fora de campo, dentro das quatro linhas, em minha opinião, está.

Quem conseguiria trabalhar com a terra devastada deixada pela saída da antiga patrocinadora e pela péssima administração do presidente anterior ao atual? Porra, vamos tentar nos unir, deixar a vaidade pessoal de lado. Não estou aqui para defender A ou B. Estou aqui tentando defender o Fluminense.

Nossa torcida é exigente e me incluo nisso. Mas falta de paciência e capacidade de compreensão do momento são itens inadequados para que possamos tocar a vida. Vamos iniciar uma competição na qual precisaremos dar 110% a cada jogo para mantermos a nossa honra. Vamos entender o momento e jogar juntos. Por amor ao Fluminense.

Eu sei que tem muita gente que discordará do conteúdo desta coluna. É um direito, assim como tenho o direito de ter a minha opinião. Não faço parte de nenhum grupo político do clube, apenas amo o Fluminense de todo o coração. Que Deus nos abençoe e dê um pouco mais de paciência à nossa torcida.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#JuntosPeloFlu

imagem: ropa

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