O Fluminense não sobreviverá a esse modelo por muito tempo (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, eu gostaria de compartilhar com todos a minha enorme preocupação com o futuro breve do Fluminense Football Club.

No começo da semana, tivemos a notícia de que o Fluminense pagou os salários de agosto. Quase R$ 120 milhões programados em venda de atletas esse ano e nós, em plena segunda quinzena de outubro, estamos pagando o salário de agosto.

Depois do passeio, quase previsível, que levamos no domingo, perdemos para os dissidentes de 3 a 0 no primeiro jogo das quartas de final do Brasileiro Sub-20 na última terça-feira.

Sobre a derrota no Brasileiro Sub-20, o que se torna claro aos nossos olhos é que a tal supremacia da escola de futebol de Xerém esvaiu-se ralo adentro, o que já era previsto, pois há cerca de quatro anos eu avisei que os demais clubes não ficariam parados e evoluiriam na formação de atletas.

Então, esse super diferencial de que nos gabávamos não existe mais. Para piorar, transformamo-nos num clube que vende atletas para pagar despesas e dívidas, que não consegue pagar. E olha que já estamos indo para o segundo ano com um faturamento na rubrica superior a R$ 100 milhões.

Com isso, nossos recursos técnicos vão esvaindo-se por entre nossos dedos. Foram, só esse ano, Ibañez, Spadacio, Resende, João Pedro, que se despede em dezembro, e Pedro. Quem venderemos no ano que vem para pagar as contas? E com que preço para o nosso desempenho nas quatro linhas, que já vem decadente há anos, graças a essa política?

Infelizmente, perdemos a oportunidade de estarmos debatendo um novo modelo organizacional e gerencial para o Fluminense, em nome de uma troca descabida de comando, numa eleição sem qualquer apresentação e debate de projetos para o clube. Uma aventura política que nos tirou nosso maior ativo, que era o trabalho de Fernando Diniz.

Para piorar, o risco de rebaixamento acentuou-se. Há alguma rodadas, eu projetava que seria possível se safar até com 40 pontos, mas as duas vitórias seguidas do Cruzeiro e os resultados de Ceará e Fortaleza na última rodada ampliaram essa projeção para 42 pontos.

Significa que teremos que fazer pelo menos 14 pontos em 33 que ainda disputaremos. Bastou uma única intervenção maléfica do VAR, no jogo contra o Athletico, e a penúria da realidade abateu-se sobre nossas mentes.

O que nos restou na temporada foi tentar evitar uma tragédia, que seria o rebaixamento, para na temporada que vem nos dedicarmos a, mais uma vez, sobreviver, respirando por tubos, só que com menos recursos técnicos.

Parece-me evidente que Caio Henrique e Allan não ficam. Temos que louvar de pé, e com lágrimas nos olhos, se conseguirmos manter Daniel no elenco.

Não bastasse a insistência em manter Ganso e Nenê juntos no time, Marcão me saiu com Wellington Nem no lugar de João Pedro no Fla-Flu, sendo que os dois atacantes tinham que recuar até as imediações de nossa área para que Nenê e Ganso ficassem à frente. Para puxar contragolpes é que não era, não causando surpresa que ambos não tenham visto a cor da bola, enquanto Yony entregou a paçoca logo no início, no lance que acabaria originando o primeiro gol da Praia do Pinto.

O que a atual gestão nos promete são mais três anos enxugando gelo. Quando muito, se tudo der certo, podemos ter o projeto de revitalização das Laranjeiras, o único passo previsto para melhorar a relação entre receitas e despesas.

A presença de torcedores do Fluminense no Fla-Flu é o sinal do desencanto de uma torcida que não consegue mais enxergar o futuro. Já fora ruim a presença nas partidas contra Bahia e Athlético, com menos de 20 mil pessoas, o que é ruim para as finanças do clube, pois não paga a despesa do estádio.

Nós teremos uma vida muito difícil no Brasileiro se Marcão não mexer nesse time. O mínimo a ser feito é escolher entre Ganso e Nenê quem fará o meio de campo com Allan e Daniel, colocar Marcos Paulo para jogar por trás do ataque e formá-lo com João Pedro e Yony González.

Não podemos ter dois atacantes em campo jogando recuados, marcando lateral adversário, sem ter com quem ligar o jogo. É por isso que a nossa saída de bola é um parto, porque trazemos a marcação adversária toda para cima do nosso setor de criação.

Se não funcionar com Marcos Paulo, vamos de Miguel Silveira. O que não pode é Marcão insistir em uma escalação que não funciona, sem contar que estamos trazendo o jogo para as imediações da nossa área o tempo todo.

Se não funcionar com João Pedro e Yony, que tente o Evanilson, mas alguma coisa diferente precisa ser feita, porque a vaca está indo para o brejo. Nós precisamos de fato novo, de jogadores que entrem no time para fazer a diferença, para tentar devolver a intensidade perdida e, sobretudo, para que voltemos a compactar nossa marcação mais alto, tirando os espaços do adversário, que estão se assenhorando de nossa intermediária um jogo após o outro.

Que nossa torcida compreenda a importância de estar presente nos próximos jogos, por todas as razões que enumerei acima. Mas que também compreenda a importância de se fazer algo para mudar o cenário atual, que é catastrófico, pois mesmo que encontremos a saída para o nosso drama, viveremos num admirável mundo novo, pintado pela Globo de preto e vermelho.

A espanholização está presente, em cores vivas, e vale lembrar que o atual contrato da Globo, que pagará algo na casa dos R$ 150 milhões ao Flamengo a mais que ao Fluminense esse ano, está em vigor até 2024.

E ainda tem gente que acredita que o grande momento do Flamengo, que estava falido há oito anos atrás, é produto de uma gestão maravilhosa.

É claro que a gestão é importante, assim como o modelo de organização, mas eu queria ver o Bandeira tirar o Flamengo da lama e colocá-lo na condição de clube mais rico do Brasil, junto com o Palmeiras, sem a média de R$ 150 milhões a mais na conta todo ano pelos últimos oito anos.

Coloque o mesmo dinheiro no Fluminense e uma gestão minimamente comprometida com a profissionalização do clube, poderemos obter o mesmo resultado.

Sobre isso, vou tirar um dia para falar, mas, por ora, a nossa única preocupação é evitar a morte, porque é isso que o rebaixamento significa, e eu já escrevi isso antes aqui.

Salvos da degola, será preciso que o clube se mova, imediatamente, para criar um novo modelo organizacional, uma gestão com governança, transparência e lógica, além de um projeto de captação de recursos financeiros, porque, repito, os recursos técnicos estão se acabando e o Fluminense não suporta ter que gerar mais R$ 100 milhões em vendas no ano que vem para pagar dívidas.

Infelizmente, o quadro é esse. Não adianta fingir que não está acontecendo. As coisas vêm sendo feitas de forma errada há muito tempo, num clube que vive uma interminável disputa de egos e interesses nada republicanos.

Não é possível dar o segundo passo sem reconhecer a necessidade de dar o primeiro, sem um diagnóstico da realidade. O Fluminense não sobreviverá a esse modelo por muito tempo.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

4 Comments

  1. Não entendo. O Peter não estava saneando o clube? O clube não veio em um esforço de colocar as contas em dia? Por que quando a Unimed rompeu unilateralmente o clube não processou a mesma e a obrigou a honrar os pagamentos de Fred e e outros medalhões? Por que o clube assumiu esse compromisso? Como pôde o dr. Celso ser aceito como candidato tendo sido a pessoa da Unimed que coordenou o rompimento? Como pode quando o time tem dois ou três resultados positivos e já vêm blogueiros tricolores já…

  2. Comentário justo. A marcação tática proposta por Marcão tá erradissima, até pq, não temos uma boa zaga e Gilbert tá mto mal. Acredito q, temos q dar credito ao Orinho e por Caio ao lado de Allan e Daniel, desde q este jogue olhando pra frente. Yone e um outro, com JP, q precisa vestir a camisa, a entrar sempre q necessário. Apenas uma sugestão.

  3. Enquanto não obtermos a CND, cumprimento o acordo com o Profut e claro o patrocínio Master p clube não conseguirá dar um passo adiante. A cada seis meses uma formação diferente de elenco pois jogador nenhum quer ficar num plantel em frangalhos e não recebendo salários e direitos de imagem em dia. O clube é muito mal falado no meio da boleiragem. O clube precisa urgentemente ser salvo financeiramente

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