A retranca e o Fla x Flu (por Crys Bruno)

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Semana passada, repercutiu bastante a entrevista de Vanderlei Luxemburgo no “Bem, amigos”, do Galvão Bueno. Questionado se não estava ultrapassado, Luxa, com sua vaidade tola, subiu nas tamancas. Ele sabe tudo de futebol mas se perdeu em sei lá o quê, sei lá onde e, ao lado da maioria dos técnicos brasileiros da sua geração, está ultrapassado sim. Essa geração de treinadores nacionais – Vanderlei Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari, Abel Braga, Muricy Ramalho, Levir Culpi – acha que descobriu o fogo ou a penicilina, mas são pobres herdeiros tanto da derrota de 1982 quanto da conquista de 1994.

O maior erro, o mais grotesco, o que trouxe consequências piores para essa nossa paixão, o futebol brasileiro, foi a de cuspir no que nosso futebol já tinha construído desde os anos 1950 e o que o tornou “apenas” tricampeão do mundo, considerado o “país do futebol” e com o atleta do século XX, mesmo sendo “um vira-lata”, um país de terceiro mundo.

Só por isso, confesso ter uma certa má vontade com o pragmatismo que fabricou esses profissionais que ganharam e/ou ganham fortunas para nos proporcionar uma qualidade cada vez menor de jogo. O futebol brasileiro copiou o que de comum e ralo se joga na Europa, enquanto os grandes europeus perseguiam e perseguem o algo mais, o brilho, o diferencial, que sempre tivemos in natura.

Inegável que os avanços nas áreas física e médica, enfim, ajudam demais no preparo do corpo do atleta, corpo que é seu instrumento de trabalho, como os “jogadores de antigamente” jamais experimentaram, mas nunca para cortar as asas do talento, porque futebol é um esporte de arte.

Com a conquista da Copa de 1994, se entendeu que precisávamos criar “músculos de Dungas” e a explosão de 20 metros do Romário. Não mais o pensador do jogo, o maestro, o Didi, o Gérson.

Vinte e dois anos depois e o que temos além da goleada mais vexatória da história, dentro de casa numa semifinal de Copa do Mundo? Um futebol de várzea: correria e vigor físico em regra. Zico, por exemplo, disse há pouco tempo atrás, com razão, que se hoje chegasse num clube seria dispensado. Sabemos por quê. Franzino, sem músculo, com menos de 1,80m, sem vigor físico.

Desse tipo de futebol jorram as baboseiras de um Luxemburgo, futrificam-se “Scolaris”, ganham Abel e Muricy. É uma pasmaceira, uma única receitinha, o “basiquinho”. Os volantes que só marcam ganharam status de heróis da raça mesmo sem saber dar um passe frontal de cinco metros.

E lá vem nossos times… Proposta de jogo para essa geração de treinadores? Simples, comum, retrógado, pequeno. Jogo em casa? O visitante posiciona 8, 9 jogadores atrás da linha da bola, ficando na retranca. O time local precisa sair, subir as linhas, atacar, mas isso só porque está jogando em casa. Ainda assim, a geração da retranca mantém os volantes que não sabem passar em campo.

Jogo no campo do adversário? Ah, é a vez de jogar na retranca buscando o contra-ataque, mesmo tendo um time igual, mesmo vendo o adversário fazer uma partida péssima e que posso vencer, nem sequer me dou ao trabalho; afinal, para que arriscar se posso empatar? “Vai que arrisco e perco?”, pensam eles, como se ficar na retranca os livrassem da derrota.

Foi isso que aconteceu na derrota do Fluminense naquela derrota para o Santos, na Vila. O Peixe errava passes laterais, jogava mal, jogava até de azul, mas porque jogava em casa, Levir -que pensa que treina o Íbis-PE – manteve os volantes até levar o gol que normalmente acontece, é só questão de tempo, porque nenhum time, senão com zagueiros e líberos italianos, como Baresi, Maldini, Nesta, consegue suportar 45, 55 ou uma hora sendo atacado sem tomar o gol.

Resultado? Levir escolheu perder. E sabe o que é mais trágico: ninguém chiou porque na tal da tabela programada do pragmatismo (que trauma o Paolo Rossi causou!), ser derrotado pelo Santos, na Vila, é aceitável. É, sim. Poderia perder, claro, faz parte. Mas perdesse com dignidade, como time grande, que ao perceber o adversário fragilizado, o agride. Nunca jogando como time pequeno, por uma bola.

Levir, que decepção! “E daí?” Continuo amando e consumindo o Fluminense. E eles, os treinadores da geração retranca, continuam aí mediocrizando o espetáculo com a ajuda determinante dos “professores” da base que estão, afirmo, aproveitando e lançando mais jogadores com vigor físico em detrimento do franzino, do “Zico”, do talentoso e habilidoso. Empregos garantidos!

Fla x Flu:

Por tudo isso, eu tenho a impressão que erram feio aqueles que acham que o Flamengo, agora com um meia de criação talentoso ao lado de dois meias-ofensivos, Alan Patrick e Everton, é time de contra-ataque, de correria, como antes, o que facilita se posicionarmos o time atrás da linha da bola.

O Flamengo, com Diego, ganhou cérebro e repertório de jogadas. Coloca só um meio-campo com três volantes lentos de novo e será engolido pelo trio de meias da mulambada! Faz isso e fique esperando ACHAR UM GOL para ver. Depois que tiver que correr atrás, como em inúmeros jogos, que tenhamos tempo e que Levir acerte nas substituições.

Será um “Ai, Jesus” ou um “à bênção João de Deus!” logo mais? Que seja o melhor para nós.

Eleições:

Em novembro o clube escolherá seu novo presidente. Conto com o discernimento dos eleitores da torcida mais bonita do mundo. Não votarei. Não conheço os envolvidos no pleito, exceto Mário Bittencourt e Celso Barros, óbvio, mas confesso desconhecer o suficiente a parte política do Fluminense para opinar.

Se fosse votar, gostaria apenas de saber o perfil de estilo de jogo. Se tivesse chance, de supetão, faria apenas duas perguntas:

1 – Qual proposta de jogo o senhor deseja e irá cobrar do treinador que assumir?

2 – Hipoteticamente, se pudesse contratar dentre esses três para dirigir o Tricolor, quem escolheria: Pepe Guardiola, Carlo Ancelotti ou Simeone?

Dependendo das respostas, escolheria o meu futuro presidente. Mas, em todas as entrevistas que leio e escuto, só ouço sobre estádio e esporte olímpico… Preocupante.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: crib

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