A queda (por Walace Cestari)

walace green

“Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.”

A canção “Cartomante”, do tricolor Ivan Lins, parece encaixar-se perfeitamente no momento das Três Cores. O Fluminense é, hoje, casa de pouco pão, em que todos gritam, mas ninguém tem razão. Derrotas sobre derrotas. É insustentável a leveza do ser, do estar e do ficar. É preciso encontrar culpados. É hora de expurgar os pecados.

O óbvio veio como primeira notícia do dia, sem trazer novidade alguma em seu conteúdo: Eduardo Baptista não é mais treinador do Fluminense. Os resultados negativos ligam as críticas de boa parte da torcida. Planejamento não é a palavra de ordem do momento. Mais crítico que os resultados, sem dúvida, é o modo como o time se apresenta.

Eduardo não conseguiu dar a equipe um mínimo de organização tática. Pelo contrário, a zaga – eterno problema tricolor dos últimos tempos – ficou ainda mais exposta, mais desprotegida. Tomamos gols da forma como equipes amadoras sofreriam. Era difícil defender seu trabalho.

Entretanto, é um equívoco do tamanho de um Maracanã lotado imaginar que a responsabilidade sentava-se unicamente no banco de reservas. É visível o desânimo da equipe em campo, salvo algumas exceções. Falta ritmo? Forma física? Vontade? Não há dúvidas que há mais coisas entre o vestiário e o campo que supõe nossa vã filosofia.

A prova disso é que quem demite é, em seguida, demitido. Mário Bittencourt foi desligado da vice-presidência do clube. Crise? Cortina de fumaça? Quem sabe? Seria uma forma de evitar alguma penalização relativa ao Profut? Segundo o presidente, não. Mario demitiu Eduardo sem a anuência de Peter e isso lhe causou a demissão. Mas o mandatário indicou que já o faria de qualquer forma, por conta da vontade de Mário em suceder-lhe. Em ano eleitoral, tudo fica sempre muito mais complicado.

Fato é que a coisa não parece boa no Laranjal. Fred disse que os jogadores estão confusos. Vimos isso dentro do campo também. Agora, a confusão é generalizada.

Ao mesmo tempo, a direção comunica o afastamento de Fernando Simone, por trinta dias, do clube. É caroço demais embaixo de tão pouco angu. Parece que segue no clube, mas longe do futebol profissional. Ora, se era para colocá-lo em outra função, por que não apenas transferi-lo? Se não serve, por que não demiti-lo? Quais as razões para um afastamento temporário com restrição de realocação em sua volta?

Muitas perguntas. Poucas respostas. Deve haver justificativas, mas duvida-se que sejam aceitáveis. Qual o tamanho da crise? A cada momento em que se achava que nos distanciávamos de uma tormenta, eis que nova tempestade se abate.

No final, fica a grande pergunta: quem será a próxima vítima do banco de reservas tricolor? Cuca? Abel? Osvaldo? Levir? Algum José? Ou uma invenção além de nossa imaginação? Ninguém sabe ao certo, mas é certo que sabemos que, em poucos meses, diante de qualquer sequência de maus resultados, a corneta voltará a tocar forte nas Laranjeiras.

Afinal, parafraseando Pessoa:

“O torcedor é um cornetador.
Corneta tão intensamente,
Que chega a cornetar o treinador
que pedira anteriormente.”

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: wc

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