A qualidade do meio-campo tricolor (por Crys Bruno)

Oi, pessoal.

Após mais uma boa atuação na vitória sobre o Bangu, num calor de rachar, um fato ficou claro: o meio-campo continua sendo o setor mais importante de um time.

Dizem que o ataque ganha jogos e a defesa, campeonatos. No basquete. No futebol, esporte com movimentos mais complexos, é o meio-campo que faz o ataque e a defesa funcionarem. É o setor mais importante exatamente por isso.

Temos um meio-campo tão perfeito como há muito não via em termos de encaixe, mas ainda melhor em termos de qualidade. Nem em campeonatos históricos como o de 1995 tivemos, embora ao menos o armador clássico, que dá cadência, e o motorzinho, indispensáveis, eram representados respectivamente por Djair e Ailton.

Nos títulos brasileiros, contamos com Deco, com Conca, mas os volantes eram muito aquém em termos de qualidade técnica. Em 1984, não. Dos que, rapidamente, lembrei, o de 1984 é o meio campo que mais me lembra em termos de encaixe com qualidade esse Fluminense de hoje: Jandir, Delei, Romerito e Assis são mais parecidos com Douglas, Orejuela, Sornoza e Scarpa.

O casal 20 de 1984 agora é o Casal 20 & 10 (Sornoza e Scarpa). Que gol foi aquele domingo passado? Sornoza, o meia armador agressivo com drible frontal, fazendo 1-2 com o lateral, rasgando a defesa adversária e achando Scarpa num toque de categoria, quando a maioria cruzaria a bola. E Scarpa metendo de primeira, no ângulo? Lindo demais!

Que bonito e prazeroso assistir esse meio-campo jogar num compasso perfeito, troca de passes, com a passagem dos laterais (aliás, cada vez melhores estão Léo e Lucas). E se a criação funciona assim, destravada, é porque temos um carregador de piano que é pianista, um príncipe jogando futebol (Orê) e o cara da pegada, Douglas, mas não uma pegada qualquer, e sim, uma pegada agressiva e aguda de um baixista, um John Entwistle, por assim dizer (risos).

São eles que dão suporte ao casal 20 & 10 e também a dupla de zaga, que sob a liderança do Henrique e a melhora individual dos novos laterais titulares, desafogou. O meio toca mais a bola porque tem essa qualidade, e isso faz a zaga respirar com a proteção de Orejuela e a recomposição ligada do Douglas, por dentro.

Como imaginava, os equatorianos mudaram a cara do time. Claro que com a vantagem de jogarem com Douglas e Scarpa e não de Pierre, Edson, Cícero… A qualidade de passe dá dinâmica, porque é a bola que tem que correr e, num time que a bola corre mais que o jogador, menor é seu desgate físico, mais desgaste o adversário. Isso tudo com objetivo, jogando em direção do gol.

Mas, como a maioria dos times brasileiros, temos nossas precariedades. No Fluminense, isso ganha lupa. No banco, podemos contar com um zagueiro (Nogueira), um atacante de lado (Lucas Fernandes, Marcos Jr) ou centroavante (Richarlison). É muito pouco. Abel disse que o clube está no mercado. Não parece. E refaço o apelo à diretoria: não sentem sobre esses resultados; ao contrário disso, aproveitem a “paz” mas agilizem. Estamos cheios de jogos, em várias competições, enfim, agilizem.

Toques rápidos:

– Pessoal, me permitam consertar uma falha que cometi semana passada. Foi uma pixotada danada. Papei mosca. Completei a centésima coluna aqui no Panorama Tricolor, esse espaço emblemático, respeitado pela qualidade de conteúdo, no qual muito me enche de gratidão participar.

Gostaria de registrar meu imenso agradecimento ao João Garcez e Paulo Roberto Andel pela confiança, por me abrirem às portas e a todos os colunistas dessa mansão literária por me acolher, em especial, uma citação ao primeiro que me chamou para escrever sobre o Fluminense, Felipe Fleury. Vocês terão sempre meu mais profundo e singelo agradecimento.

E a galera que me lê? Acho incrível! Já tenho até mais de 13 leitores! (Rá!). Obrigada demais. Saudações Tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: cy

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