A fuga de Antero Greco (por Paulo-Roberto Andel)

O jornalista Antero Greco, decano da ESPN Brasil e do Estadão, deixou a rede social Twitter dias atrás.

Em sua coluna de 08/09/2015, que pode ser lida aqui, é possível ler os seguintes trechos:

“Desde o final de semana, tenho recebido centenas de mensagens carinhosas, em apoio à minha decisão de não usar mais o Twitter como forma regular de informar, comentar, interagir. Larguei essa rede social (só servirá para divulgar links de meus comentários no blog) por me estufar das ofensas e agressões pelo crime de emitir opinião. Esquivo-me, agora, de um dos tantos meios de intolerância de que se servem as pessoas para impor pontos de vista.”

“De minha parte, posso garantir apenas o seguinte: as trincheiras habituais que tenho para combater o bom combate continuam intactas. E são o Estadão impresso, o blog que o site do jornal abriga e o trabalho na ESPN Brasil. Essas são minhas tribunas, e às quais devo obrigações e reconhecimento pela liberdade que me concedem.”

“O Twitter era um “divertimento” que virou pesadelo. Sem contar, claro, que não me dava conta de que trabalhava de graça e ainda era insultado! Não tenho tendência masoquista.”

Em tempos de internet, vociferações, violência verbal e outros acontecimentos indignos, é de se compreender quando alguém abdica de um espaço para evitar o belicismo virtual. No entanto, o caso chama atenção porque Antero, famoso por sua aparência bem humorada na TV por assinatura, pelo menos em uma ocasião deixou de lado a fidalguia que tanto defende para ser também um vociferador.

Foi um dos principais difamadores do Fluminense no escândalo popularmente conhecido como “Flamenguesa” em 2013 – o caso André Santos-Heverton. Não o único, mas um dos expoentes. É famosa a seguinte declaração de sua autoria: “Passaria a acreditar um pouco no futebol brasileiro se visse movimento de torcedores do Fluminense pedindo pro time disputar a B. Coisa de macho”.

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Aproveitando o cenário da hipocrisia, com o auxílio luxuoso do blog Barroso em Dia, algumas pérolas do anedotário criminoso exercido pelos arautos da moralidade jornalística do Brasil à época:

“Por cada canto do país onde passar a jogar, o Fluminense será visto como o clube mais detestado do Brasil. Parabéns aos envolvidos. Tem que ser muito apaixonado por futebol para não largar de vez. Malditos coveiros do esporte”. Mauro Cezar Pereira – ESPN.

“Ninguém discute o erro do time pequeno, mas porque só os grandes podem errar, que nada acontece? É isso que você quer para seus filhos?” Jorge Kajuru.

“Se a Lusa não fosse condenada, teriam tirado pontos do Flamengo também, pondo o time mais popular do país na Série B? É só uma pergunta” André Rizek – Sportv.

“Existe algo mais constrangedor que a comemoração desses torcedores do Fluminense?” Gian Oddi – ESPN.

“Nunca poderei provar. Mas aconteceu uma enorme armação. Da suspensão ao julgamento, as cartas estavam todas marcadas. Tão na cara que irrita”. Júlio Gomes – ex-ESPN.

“Só há um vencedor: a aplicação da Lei de forma literal. Todo o restante perdeu: futebol, ‪‎Lusa, STJD, ‪Flu.” Eduardo Tironi – Lance e ESPN.

“Vergonhoso o que aconteceu hoje para o futebol. Lamentável!” Paulo Calçade – ESPN.

“Minha opinião de começar com quatro pontos em 2014, é porque Fluminense e Vasco caíram DENTRO de campo. Não tiveram bola pra se manter na Série A.” Caio Ribeiro – TV Globo.

“Poucos sentimentos são tão poderosos como o constrangimento.” André Kfouri – Lance/ESPN.

“Foi uma audiência extremamente legalista. Os votos dos auditores foram totalmente baseados na letra fria da lei escrita pelos homens e verdadeira, neste caso, apenas no papel.” Vitor Birner – UOL, TV Cultura, Lance.

Entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014, o Fluminense sofreu o maior linchamento midiático da história do futebol brasileiro. A coisa se tornou tão descabida que torcedores tricolores foram ameaçados e agredidos nas ruas, numa campanha de ódio jamais vista por estas terras, numa espécie de fundamentalismo religioso.

Antero Greco, um dos próceres desta camarilha, em resposta a um twitter meu da época, dizendo-lhe que cometia crimes de calúnia e difamação contra o Fluminense em vez de opinião, respondeu-me com a tradicional empáfia de certa parte dos empregados da grande imprensa: “Então que me processe!”. O uso da exclamação deixava bem claro: era um grito e, ao mesmo tempo, uma subliminar declaração da certeza da impunidade, infelizmente alimentada pela letargia da direção tricolor no caso em questão.

Aos poucos, os jornalistas foram diminuindo o tom, diminuindo, até um quase sussurro. Mas se engana quem pensou que houve recuo: basta acessar este vídeo de setembro de 2015.

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“O Twitter era um “divertimento” que virou pesadelo. Sem contar, claro, que não me dava conta de que trabalhava de graça e ainda era insultado! Não tenho tendência masoquista.”

De graça, Antero Greco ajudou a disseminar pelo Brasil o ódio ainda hoje voltado contra o Fluminense. Na televisão e no jornal, o ódio foi recompensado pelos proventos mensais aos quais teve direito. Mas bastou sentir na pele o que um dia ajudou a provocar que simplesmente fugiu.

A história sempre distingue os homens dignos dos covardes de ocasião.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: uol/google

o fluminense que eu vivi tour outubro 2015

9 Comments

  1. pô, sacanagem…,
    ele me bloqueou faz muito tempo, queria tanto esse brevê, me encheria de orgulho, segue o jogo, outros blocks virão.

    ST

  2. Parabéns Andel!. Vc sempre mostrando a verdadeira face destes bandidos travestidos de jornalistas.

  3. A partir de 2014,nunca mais li ou escutei qualquer comentário ou informação desses indivíduos,que a pretexto de uma falsa moralidade,conspiraram para a transgressão das regras vigentes no futebol,com o intuito de prejudicar um clube,sempre cumpridor das leis e que nunca se esquivou de colaborar com o poder público e com o desporto brasileiro.
    Enxergo esse crápulas da imprensa,como médicos charlatões,que às vezes mais matam do que curam.Prefiro ignorá-los.
    ST

  4. É por essas e outras que sou a favor da criação de uma ampla legislação de regulação da mídia, inclusive com a disposição de tipos penais direcionados aos crimes de calúnia, injúria e difamação cometidos por jornalistas no exercício da profissão, com penas maiores das previstas nestes crimes no Código Penal. E punição, também, para a emissora que veiculasse tais crimes.

  5. Eu me sinto orgulhoso em saber que temos torcedores como o PR Andel, assim como todos os demais cronistas do Panorama Tricolor. E não se esqueçam, é claro, do nosso Coronel PR Paúl.

    Esses caras, que defenderam com competência a honra do nosso clube nesses dois últimos difíceis anos, bem que mereciam uma estátua na sede social do Fluminense FC.

  6. Antero está na emissora certa. O lugar dele é lá mesmo. Um medroso que sem argumentos e sem peito para bancar suas bravatas tirou o time de campo. Mais um bajulador do Flamengo servindo ao clube do sistema.

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