A crônica do jogo (por Paulo-Roberto Andel)

Mar da tranquilidade

E o Fluminense venceu. Mais uma vez. Venceu e goleou, como se tributasse seu próprio aniversário amanhã. Uma goleada que, se não foi totalmente convincente – mesmo que fosse, alguém diria que o Bahia tem um time muito fraco agora -, serviu para consolidar a posição tricolor na disputa pelo topo da tabela, o título em dezembro e mostrar que temos força. Bom, se o Bahia é realmente limitado e veio muito desfalcado, uma lembrança é considerável: nos dois jogos do ano passado, venceram-nos sem apelação e muito da nossa perda do campeonato se deveu a isso. Fica demonstrada a importância dos 4 x 0 no Engenhão. Não importa que o adversário seja forte ou fraco; ao Fluminense, cabe a missão de alegrar sua torcida e conquistar os pontos rumo ao alto.

Julho tem sido de um frio atroz. O Engenhão teve o mesmo público de sempre, o dos admiráveis maníacos que desafiam qualquer coisa para ver o Fluminense em campo. E fizemos um jogo de razoável para bom na primeira etapa, ainda que sem a velocidade que um mandante deve exercer em seus domínios. Mas fomos bem superiores, conseguimos várias conclusões e o Bahia, completamente desfalcado, raras vezes ameaçou o gol defendido por Cavalieri. Neves perdeu um gol, Wellington Nem outro, Carlinhos outro, Bruno outro. Merecíamos já ter a vantagem bem antes de descermos para o intervalo da partida. Por outro lado, havia um clima de confiança e paciência, um verdadeiro mar da tranquilidade como se soubéssemos que, a qualquer hora, o placar seria aberto e, com ele, o nosso deslanchar. O pressentimento não falhou.

Mal começou o segundo tempo e veio o pênalti claríssimo do goleiro Lomba sobre Wellington Nem. Fred, cada vez mais apurado nas cobranças de penalidades depois dos tempos da “paradinha”, converteu com segurança. Uma cobrança sóbria, confiante, precisa, força e deslocar no canto direito para abrir de vez o marcador e semear a goleada. Já quase no meio da segunda etapa, o artilheiro mostrou sua imensa categoria e acertou um cruzamento perfeito para uma precisa – e até surpreendente – cabeçada de Neves, no canto esquerdo de Lomba, ao estilo rompedor para decidir a partida. Quando for um veterano, a tendência de Fred possivelmente será a de jogar mais recuado, municiando atacantes com passes e cruzamentos precisos. A jogada foi uma verdadeira pintura, digna dos grandes momentos de Deco, e foi bom ver Neves em paz com as redes de forma convicta. Depois disso, foi inevitável que o Bahia beijasse a lona.

Um novo pênalti claro aconteceu, depois da mais uma genial jogada de Deco e o aterramento de Fred por Danny Moraes. Os dois grandes do Fluminense ofereceram luzes de Paris ao jogo. Uma nova cobrança e a mesma segurança de sempre, a mesma força, agora no canto esquerdo, desenhando a goleada que se consolidaria no fim da partida, em belo gol do jovem Wallace, deslocado pela esquerda após a saída de Carlinhos – o drible curto e o toque de bico, no canto esquerdo, lembrando algum grande momento de Romário. Tudo acontecendo naturalmente, com calma, concisão, serenidade. Em nenhum momento houve afobação ou nervosismo, o que mostra um avanço psicológico do Fluminense em relação a outras temporadas. O temor até injustificado de alguns com uma eventual ênfase defensiva foi dissolvido. Parece claro que nosso time mudará padrões conforme cada adversário à frente.

Diante de tal cenário positivo, o Fluminense chegou aos 110 anos que comemora amanhã. Vivemos um momento especial. O resgate da auto-estima, a confiança elevada, as campanhas bonitas, a consolidação de um time que agora caça títulos e classificações internacionais. Não há como estarmos aqui sem orgulho. Mais do que nunca, o coração tricolor bate com a fúria juvenil, o vigor maduro e uma alegra que nos encanta. Domingo, contra a veterana Ponte Preta, seguimos em busca de mais um passo importante. Seriedade e serenidade. Dedicação e tranquilidade. Somos felizes assim.

Paulo-Roberto Andel

@pauloandel
@PanoramaTri
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Créditos da imagem: www.bahiaco.com

 

3 Comments

  1. Puta crônica! Na próxima encarnação, quero escrever assim! Que venha a macaca e que estejamos com a macaca, no domingo!

  2. PARABÉNS, PAULO pelo texto e com certeza o jogo de ontem se tornou mais um motivo pra gente comemorar amanhã.

    Abraço!

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