7 dias, 3 jogos… (por Luiz Alberto Couceiro)

…3 diferentes placares e o mesmo padrão

O que dizer de um time que, no primeiro tempo de uma partida de Libertadores da América, em 23 minutos tem seis chances claríssimas de gol? E mais, que, em todo o primeiro tempo, não foi ameaçado em momento algum pelo adversário. E, ainda, que só aos 32 minutos sofreu o primeiro chute – absolutamente sem perigo, bisonho, até, para a meta? Eu só tenho elogios. Pelo terceiro jogo seguido, o Fluminense repete a escalação campeã brasileira de 2012, impõem-se ao adversário desde a saída de jogo e mostra que posicionamento bem feito, cobertura na marcação e na saída de bola, ataque incisivo e poucos erros individuais continuam sendo a receita para mais um ano de sucesso provável.

O time ainda está se entendendo entre a parte técnica de cada jogador, as tabelas mais rápidas e com menos passes errados, o posicionamento tático melhor articulado, a velocidade dos laterais acionados com mais frequência e o capricho no toque final para o arremate a gol. Esse fundamento é que anda em baixa nas Laranjeiras…

Foi nítido o time não ter recuado, depois de Fred, aos 30 minutos, converter o 11º. pênalti  seguido. O Huachipato mostrava-se atordoado, sem conseguir – embora tentasse – encaixar jogadas de ataque. Logo nosso meio-de-campo, com Jean voltando a sê-lo, Deco jogando como espécie de volante que busca jogo onde quer que a bola esteja, e Fred como um meia, açucarando possibilidades de gol de companheiros, mostrou que não daria trégua ao acaso. O time parecia não querer lamentar gols perdidos, não desejar tomar nenhum e procurar fazer mais outros. Será? A zaga, dessa vez, inventaria chances para mais um adversário tecnicamente inferior ao tricolor?

Nada mudou em relação aos outros dois jogos anteriores. Infelizmente… Novamente, chances e mais chances de gols criadas: aos sete, Nem dribla o goleiro e mais uma vez titubeia no arremate que requer menos força e mais categoria, o mesmo ocorrendo aos 13 com Thiago Neves após mais um dos diversos passes, presentes, até, de Fred. Contudo, aos onze a zaga, e Edinho, sinalizavam que nossa pequena rotina de termos dois times em campo se manteria nesses últimos sete dias. Simultaneamente, vamos bem em termos de criação e chances de gol, e iríamos muito bem se não os perdêssemos com a mesma facilidade que, no outro lado do campo, nossa defesa, noves fora o goleiro selecionável, batesse cabeça e errasse posicionamentos básicos de cobertura e marcação O pior é que em sete dias, isso ocorreu em momentos em que estávamos com os jogos em nossas mãos – dois deles, inclusive, com o placar a nosso favor!

Isso proporcionou a estranha situação de sermos envolvidos pelo conscientemente limitado e aguerrido time chileno. Acabarmos levando mais um gol bobo, com Edinho sendo infantilmente driblado dentro de nossa área. Não vinha bem desde o primeiro tempo o nosso volante, errando posicionamentos e saídas de bola, levando broncas de Deco e arriscando um passe na frente da zaga ao procurar executar uma trivela, algo que não está dentro de suas possibilidades técnicas; de Jean pra frente dávamos a sensação de que o segundo gol poderia sair a qualquer momento.

Contudo, como disse, a semana foi de três partidas padronizadas: lapsos na defesa, e constante busca pelo gol do meio-de-campo pra frente. Acontece que o tempo urge para que duas coisas ocorram: que o nosso time faça os gols nas diversas oportunidades que nossos jogadores criam, em repertório diversificado, e que a nossa zaga, incluindo o volante mais defensivo, cosiga se posicionar de forma correta nos lances os mais elementares e não transformá-los em desastres. Uma vitória, uma derrota e um empate, todos da mesma forma.

Está tudo acabado? Não, em absoluto. Vale lembrar que ser primeiro colocado em campeonatos desse tipo, em seu grupo, na primeira fase, não oferece lá tantas facilidades quanto se pensa. A meta é nos classificarmos, tendo em mente que Abel e os atletas possuem clareza do que devem treinar nesses 11 dias e de que esse grupo está mais do que acostumado a vencer todos os tipos de dificuldades, renascer das cinzas e ser campeão. Esse é o Fluminense, não um, mas sim O, eu disse O, Time de Guerreiros!

Luiz Alberto Couceiro

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: André Durão – O Dia

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