2017: a próxima parada (por Paulo-Roberto Andel)

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Férias, férias, tão rápidas que já se dissiparam no vento. Chegou a nova temporada do futebol. E de cara o Fluminense começa nesta terça-feira uma longa jornada, sob a tradicional desconfiança que muitas vezes foi nocauteada por seus desacreditados times, fato recorrente na história do clube. Estreia na Primeira Liga diante do Criciúma.

É natural que boa parte da torcida tenha estranhado a ausência de reforços mais expressivos. Primeiro, as manchetes dos últimos anos davam o Fluminense como um clube saneado financeiramente. Segundo, devido à opulência da eterna ex-patrocinadora Unimed, durante 15 anos o Tricolor recebeu a cada janeiro – ou maio – uma nau de jogadores, alguns espetaculares, outros bastante discutíveis, outros veteraníssimos. Mas eram nomes geralmente badalados, davam repercussão midiática e o torcedor médio se acostumou a isso.

Os dois casos são outros. Com calotes nas costas, ainda sem a confirmação de novos patrocinadores e, para piorar, com uma penca de contratos longos – e caros – feitos com jogadores de talento discutível, no melhor estilo “boleiragem”, o Flu está durango, ao menos temporariamente. Mas se isso refletiu diretamente na montagem do time, não há como não ter esperanças com as chegadas de Orejuela e Sornoza, que dão ao meio campo tricolor a expectativa de ser um dos melhores do futebol brasileiro, contando ainda com Scarpa. E não se pode negar que a atual diretoria já tem trabalhado no sentido de diminuir a folha salarial e o inchadíssimo cast.

Na defesa e no ataque, dúvidas quanto a alguns nomes e a certeza da limitação de outros, além da evidente constatação de que serão necessários reforços para o segundo semestre.

O time base montado está longe de ser a oitava maravilha do mundo, muito longe, mas também está distante do pré-rebaixamento já pregado pelos videntes de plantão, em sua maioria oriundos do grupo de viúvas eleitorais do clube. Aliás, falando nisso, é hora de deixar para trás definitivamente essa disputa presidencial, que já foi encerrada com o resultado conhecido por todos. Quem quiser torcer para as coisas darem certo, ótimo; quem estiver nesse primeiro caso mas também disposto a criticar construtivamente – eis a minha turma -, ótimo também. Quem quiser passar três anos como porta-voz enrustido de candidato derrotado, sensacional. Que cada um aprecie leituras, falas e discursos e tire suas próprias conclusões. Uma coisa é certa: há gente demais por aí se achando bem mais importante do que realmente é, vide o resultado das eleições…

Um fator fundamental: se vai dar certo ou não, ainda não sabemos, mas a escolha do nome de Abel para comandar o time foi perfeita. Poucos treinadores têm tanto cheiro de Fluminense, que foi cria do clube e campeão à beira do campo. O que mais precisamos hoje é de new blood: sangue, garra, atitude, disposição. Tudo isso o Abelão tem de sobra, ao contrário de alguns de seus antecessores, especialmente do último.

Que 2017 seja definitivamente um ano de reconstrução para o Fluminense no futebol. Há muito a ser feito e muita gente boa querendo ajudar ou já ajudando. Unidos, com diálogo e sem edições da verdade, podemos ir mais longe. A história desse time não foi construída com faniquitos coléricos, mas com entendimento, trabalho e superação. Basta pesquisar.

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Para quem sabe ler, um pingo é letra; para quem se orgulha de não saber, é um abismo.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: rap

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