O rio interminável (por Erica Matos)

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Vou começar o texto, citando uma frase do filósofo Heráclito: “Nada é permanente, exceto a mudança”.

Olhando o quadro em que nosso clube se encontra, vejo um time inconstante e uma diretoria teimosa.

A sensação que tenho é que vivemos aquele ano atípico de 2012 e lá ficamos. Literalmente, porque depois da partida em que fomos tetra, o time descansou e nós, torcedores, ficamos mais preocupados com as metas e números que poderíamos ter alcançado em 2012 do que eles. Depois do jogo em Presidente Prudente, começamos a perder, perdemos para o Cruzeiro no dia da entrega das faixas. Ironia ou não, de lá pra cá, o Cruzeiro avançou e nós ficamos lá, no Engenhão, com as faixas e o tetracampeonato em um ano magnifico, mas que passou.

Na vida tudo caminha, as coisas mudam. Quando nos deparamos com a morte, a renovação tem que ser estabelecida. Ninguém vive com o que já morreu; aliás, quem vive olhando para o que já se foi simplesmente deixa de viver.

Esta é a visão que tenho do meu amado Fluminense. O que deu certo (e muito certo) em 2012 deixou de produzir em 2013 e 2014. Prova disso foi o que vivemos o ano passado. Como assim? Um time que foi campeão em um ano é rebaixado no próximo? Isso é prova de que a formula estava desgastada.

Em 2013, vimos que aquele elenco já deu o que tinha que dar. No esporte, ninguém é herói pra sempre. Existe um ciclo que termina e essa historia de bater no peito e afirmar “Vou me aposentar no Fluminense”, é coisa de jogador que encontrou um salário fora do comum, um PAItrocinador que o acoberta, uma diretoria passiva e o deslumbramento de uma parte da torcida.

Tenho admiração por jogadores que olham para dentro de si e enxergam que seu tempo acabou. Admiro o Deco, que esteve conosco em 2010 e 2012, foi tri e tetra. Poderia se estender mais no clube em 2013, mas optou pelo bom senso.

Não estou falando que todos os jogadores que estiveram e estão conosco tenham que se aposentar.
O Deco teve motivos “musculares” para isso.

Causa estranheza ver o desgaste de um relacionamento entre torcida e jogadores. Um jogador que foi “o astro” de 2012, hoje, é hostilizado por parte da torcida. Isso é reflexo de atitudes arrogantes por parte de quem quer se aposentar no clube e, também, de uma diretoria submissa, mesmo que não voluntariamente, aos desmandos e caprichos do investidor, que “manda porque paga”.

O dinheiro é o mal de tudo o que estamos vivendo. Se não fossem os salários fora do comum, o clube seguiria seu rumo. Isso é da vida. O que não te serve mais, vai servir pra outro. No futebol é assim: os jogadores entram e saem, eles se ressignificam em um novo clube. Afinal, são profissionais e funcionários. Não estão ali para venerar e sim para honrar a camisa do time que o empregou. Aliás, venerar, dizer que virou Tricolor é fácil quando se ganha quase um milhão por mês.

A verdade é que os jogadores do elenco campeão de 2012, que nos fizeram sofrer em um 2013 que parece não estar tão distante, diante de derrotas inadmissíveis nas ultimas semanas, já deram o que tinha que dar.

Precisamos de renovo.

Este elenco não está com vontade nenhuma. Dos antigos, absolvo o Conca, mesmo porque, se estou falando de 2012, ele estava na China, não foi tetra conosco, não viveu nosso inferno de 2013 e está em 2014, lutando como sempre lutou. Não tem tempo ruim pra esse baixinho. Ele tem vontade e mostra honradez à camisa tricolor, diferente dos seus colegas tri e tetras.

Renovar é preciso, mas a renovação só acontece quando vemos vontade dos que mandam. Na nossa realidade, os que mandam são mandados e a renovação não acontece.

Nós, torcedores, que temos a consciência de que é hora de mudar, queremos deixar ir embora o que não nos serve mais para abrir novos caminhos, dar novas oportunidades aos que virão, e consequentemente termos novas conquistas. Não há nenhuma ingratidão nisso, mas sim entender que nenhum ídolo campeão adquire titularidade vitalícia num time por causa de suas conquistas passadas.

O que não dá é insistir em um passado que já foi e hoje impede o progresso do nosso clube.

Tudo muda o tempo todo no mundo, eis a lição seminal de Heráclito.

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras.” 

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @ericammatos

Imagem: em

2 Comments

  1. ST**** Erica

    Na epoca que o Fred afirmou ser tricolor apercebi-me de sua ressignificação.

    Quanto à tua crônica, parabenizo-te por trazer a neurolinguística para as quatro linhas.
    E por dissertares em prol de uma melhor compreensão do Fluminense.

    Conca é exceção porque possue uma ética consistente e pouco permeável.

    Mauro

    p.s.: o Fluminense e seus diferentes aspectos, o equilíbrio a ser preservado, conforme diria Heráclito, é um distúrbio do Logos lá nas bandas do Laranjal 😉

    1. Mauro,

      Concordo com as suas colocações e agradeço os elogios ao texto .

      ST sempre!!!
      Erica matos

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