Waldo, o maior de todos (por Paulo-Roberto Andel)

Tinha acabado de voltar de uma ótima conversa com o Maurício Gouvêa quando cheguei em casa. Saí do banho e me deparei com a notícia da morte de Waldo, o maior artilheiro da história do Fluminense – e que dificilmente será superado.

Por um instante parecia a morte de um ente querido, de alguém que ouvi falar por minha vida inteira. Quando aprendi o que era o Fluminense, saber de Waldo era a mesma coisa. Lá estava ele, ídolo do meu pai, povoando meus ouvidos e mente enquanto trazíamos Nunes e Neinha, Tulica também, até nos encontrarmos com Cláudio Adão. E cresci tendo-o como uma figura típica, inalcançável, o símbolo de um Flu eterno, que não pude ver mas herdei.

Anos atrás, trazido pelo incansável Valterson Botelho, verdadeiro homem escritor de ouro, Waldo esteve nas Laranjeiras para o lançamento de sua biografia. O eterno artilheiro encantava a todos, ainda que mal falasse o português depois de décadas radicado na Espanha. O verdadeiro mito ali estava em carne, osso e histórias diante de homens, mulheres e crianças tricolores que nunca o tinham visto pessoalmente. Foi também a última vez de Waldo no clube, o canto do cisne.

Ezio foi o mais encantador dos ídolos tricolores. Um tremendo artilheiro, um super herói. Waldo fez quase o triplo dele.

Fred foi o maior artilheiro tricolor dos últimos 60 anos. Um monstro da área. Precisou bater 40 pênaltis para ficar a mais de 100 gols de Waldo.

As duas simples comparações, que em nada diminuem o tamanho colossal dos nossos dois super goleadores, dão o tamanho do maior artilheiro que o Fluminense já teve em toda a sua história. Herdeiro de colossos como Welfare e Russo, o negócio de Waldo era fazer gols nem que fosse preciso trombar um defensor adversário para o fundo das redes. Foi o que ele fez, deixando uma missão tão bem cumprida que parece de agora, de há pouco tempo. Gols, gols, gols pra todo lado, de forma tão intensa que atravessaram décadas e décadas sem ameaça da quebra de seu recorde.

O Fluminense dos anos 1950 foi feliz para sempre e cativou uma multidão que se multiplicou e formou uma eterna nuvem de pó de arroz. Waldo é, para sempre, a primeira bandeira que vaza a nuvem branca em seu caminho inevitável para a eternidade.

Panorama Tricolor

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