Voltaço, Madureira e o Flu (por Zeh Augusto Catalano)

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É ponto ser inadmissível que o Fluminense sofra um empate e uma derrota no começo do Campeonato Carioca. Pior ainda, tomando meia-dúzia de gols nestes dois jogos. Em ambos, a lateral esquerda do time foi uma avenida, digna das melhores lembranças da Avenida Júnior, que tantas alegrias nos deu nos anos oitenta. Quinta, contra o Madureira, Marlon tomou um drible feio – e foi contestado por isso – quando cobria um rombo inacreditável na mesma lateral. Como resultado, o (bom) lateral direito do Madureira foi até a cara de Cavalieri e marcou o primeiro gol com uma bomba indefensável. Cavalieri, por sinal, fez uma defesa fantástica no final do jogo, ao impedir gol certo de João Carlos ao pular nos pés do atacante, que iria, a partir de um cruzamento rasteiro, entrar com bola e tudo.

No entanto, há sim um atenuante: Madureira e Volta Redonda exibem, neste começo de temporada, dois times muito bem armados e treinados. Causaram enormes problemas para Flu e Vasco, os dois grandes que enfrentaram até agora. E vão causar muito mais, pois o formato deste campeonato coloca os oito melhores em pé de igualdade, em turno único, todos contra todos. Os dois se classificarão, certamente, e venderão caro seus pontos. Não me espantaria se um desses dois acabasse entre os quatro semifinalistas. Ambos têm, ao contrário do que ocorreu em anos recentes, bons valores em seus times. O Voltaço tem a “grande vantagem” de poder mandar seus jogos em sua casa. O Madureira não. Não é maravilhoso? A agremiação participa do campeonato, tem um estádio em condições, mas não pode enfrentar os adversários mais fortes em sua casa por razões de segurança. Com isso, precisa se deslocar centos quilômetros para jogar em um terreno desconhecido. Apenas como exemplo, mês passado, o poderoso Liverpool jogou partida da Copa da Inglaterra no estádio do Exeter City, aquele mesmo que esteve no Rio e jogou com o Flu há cerca de 100 anos. O estádio, minúsculo (como Aniceto Moscoso), estava lotado. Recebeu sua torcida e a do Liverpool. Já aqui, em terras tupiniquins, Madureira e Fluminense foram exilados em Macaé num jogo às cinco da tarde em um dia útil. Mil e poucos abnegados testemunharam. Tevê? Só no pay-per-view.

Sou defensor ferrenho dos estaduais. O futebol só é o que é (era?) hoje graças às rivalidades criadas entre os times locais. Os grandes sempre suaram sangue ao jogar em Rua Bariri, Teixeira de Castro, Italo del Cima, Godofredo Cruz… No entanto, a Federação, “dona” do campeonato, é quem comanda a destruição do mesmo, com esses desmandos, horários estapafúrdios, preços inaceitáveis. Madureira x Flu em Aniceto Moscoso, na quarta feira de cinzas, com preços decentes, teria um público muito maior, dando ao turista tricolor que veio passar o carnaval no Rio a oportunidade de ver seu time jogar. De perto.

Mas não…

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Achava que Eduardo Batista pediria o boné. Mas acho que isso não acontece mais nos dias de hoje, com empresários e multas contratuais… Qual o último técnico que você, leitor, lembre de ter pedido demissão?

Pois é…

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: jac/pra

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