De volta na praça (por Paulo-Roberto Andel)

 

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O futebol não espera. A Copa do Mundo passou, a vida segue e escorre pelos dias.

Adivinha, doutor, quem está de volta na praça?

Aí está o velho Brasileiro de guerra.

E o Fluminense também, recomeçando a jornada com uma parada dura. Clássico em São Januário.

Curiosa esta história da atual freguesia, ou quase isso. Nos meus tempos de garoto, a carne de pescoço era o Flamengo. No Vasco, a gente batia direto, direto. Quando perdia, até estranhava.

Depois, em 1993, a coisa virou. Eles ganharam tudo, na bola e, se preciso fosse, no apito também. Também contou para isso a nossa inércia nos bastidores, é bom que se diga. Mas também mostramos as nossas garras.

Ano de 1999, terra arrasada e muita chuva, fomos lá e fizemos quatro. Depois, em São Januário mesmo, o Roger fez um cruzamento de placa e avançamos na Copa do Brasil – o Zetti falhou, hein?

Quase vinte anos depois, dois times durangos, duas crises políticas, duas velhas esperanças e o clássico, ah, o clássico: ele redime, faz sonhar com o falecido Maracanã, oferece alguma esperança no futuro que nem sentido faz, mas a temos de qualquer jeito.

Eu queria mesmo era ver o Donizeti arrancar sozinho e tocar pro gol quase sem querer. O Zé Maria finalizando. O querido Washington dando aquele toquinho por cobertura sem chances para Acácio. Foi um dos grandes jogos de minha vida, um dos maiores Fluminense x Vasco que vi, um tempo de pura paixão: começo de faculdade, o mundo pela frente, aquela arquibancada com cheiro de concreto e história. Depois do gol todo mundo se abraçava feliz. Eles tinham um timaço, tentaram nos evitar nas quartas de final, mas não deu. Eu gritei que nem um louco, voltei muito feliz para casa e, antes de pegar o 435, fiz uma peraltice bem na porta da minha UERJ. Acontece.

Ok, os times não estão mais lá, os craques morreram, o ódio e a estupidez são a realidade incontestável? Dane-se tudo! Eu vou é torcer e torcer, nem que seja como se fosse um entorpecente por uma hora e meia até voltar à tona e perceber que 2018 não é 1988. Dane-se! Quem manda no meu amor sou eu, quem sabe de mim sou eu e está de volta a minha velha conexão individual: eu e o meu Fluminense, sem intermediários nem patifes.

Eu e a minha torcida de um homem só, seja em frente à televisão ou numa cadeira azul moderninha, sozinho na tal Leste, Sul ou outro lugar – antes muito só do que pessimamente acompanhado. A solidão enobrece, seja na vida real e, principalmente, na virtual.

Futebol é sonho, é diversão, é paixão acesa. Meu Fluminense é um escudinho de decalque, uma camisa velha, um botão de galalite, um papo no boteco com meus irmãos tricolores, é gente que morreu e me faz sonhar como nunca.

Vontade de ver uma vitória monumental nesta quinta, para lavar a alma. Isso não significa ser alheio às deficiências da equipe, aos inúmeros problemas e todos os outros detalhes abomináveis do que cerca o clube por dentro e por fora, mas sim uma maneira de encarar as coisas.

De resto, é fechar os olhos e escalar: Paulo Goulart, Edevaldo, Tadeu, Edinho e Rubens; Deley, Gilberto e Mário; Robertinho, Cláudio Adão e Zezé. Ave Nelsinho!

Tudo está contra, os homens são ruins, a ganância é um câncer, mas não há como não torcer.

Nós não vamos sobrar nada.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

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