Uma confissão tricolor (por Ernesto Xavier)

Em meados de 2010 fui morar uns meses em São Paulo para realizar um trabalho na TV Cultura. A oportunidade era maravilhosa, mudar os ares me alegrava, mas para um torcedor de arquibancada como eu, ficar longe do seu time é uma questão que dá calafrios. Aquela equipe dava gosto de ver pela entrega, pelo Conca, pelo Fred, pelas vitórias suadas, por ser guerreiro.

Foi então que vi pela tabela que enfrentaríamos o Santos na Vila Belmiro durante aquele período. Seria o máximo que eu conseguiria pela região naquela época. Acionei os parentes da cidade e fui pra Baixada Santista.

Vocês lembram do time do Santos naquele ano? Não? Então, eles tinham no ataque um tal de Neymar, o Robinho, André e Paulo Henrique Ganso. Um timaço! De alguma forma eu acreditava que poderíamos sair com um bom resultado de lá. A torcida deles pressionava, nós fazíamos o possível para apoiar, mas a equipe deles não saía do ataque.

Seguramos o resultado e então Alan fez gol em um contra-ataque: 1 a 0. O suficiente para mostrar que aquele time poderia ser campeão brasileiro.

Neste domingo, 2017, sete anos após aquela vitória em Santos, cá estou no Rio de Janeiro novamente, indo aos jogos quando posso, ou seja, quando tenho grana. Pelas obrigações de estudo e trabalho não pude assistir a partida inteira entre Fluminense e Atlético Mineiro. Quando percebi já era 16h40. Rumando para o final do primeiro tempo. Fui até a sala para ver quanto estava o jogo e falei para mim mesmo:

“De quanto será que estamos perdendo?”.

O espanto misturado com alegria veio ao ver o placar de 2 a 1. Para nós!

Como deixei de acreditar nesse time? Que sentimento é esse?

Jogávamos fora de casa, contra um adversário que está na Libertadores, tem um ataque poderosíssimo com Fred, Casares, Rafael Moura, Robinho(dessa vez desfalque), Elias, Otero. Também um timaço. Eles não perdiam no Horto há 11 jogos.

Foi então que aquele sentimento de 2010 invadiu minha mente. Não que eu afirme que seremos campeões. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas desacreditar desse time é impensável.

Quem é Wendel? Alguém me explicar de onde veio esse garoto que joga como um veterano? Chegará à Seleção Brasileira um dia, fato! E o Henrique Dourado que tanto criticamos e que agora ganha espaço como um bom atacante? E o garoto Richarlison com seu porte físico de um touro espanhol e disposição para atacar e voltar para marcar? E Lucas jogando para longe nossos pesadelos com a lateral direita? E Scarpa voltando a ser o maestro? E os equatorianos mais eficientes que você respeita? E o Cavalieri que volta aos poucos a ser quem tanto nos inspirava confiança? E o Henrique comandando a defesa como um xerife?

Essa equipe tem limitação de elenco. Tem problemas e carências. Vencemos as duas primeiras rodadas e isso não diz muito sobre o campeonato como um todo. É apenas um indício, uma hipótese, um desejo.

No entanto, lá na frente esses 6 pontos serão imprescindíveis. Valerão tanto quanto qualquer jogo do resto do campeonato. Poderão nos dar o título, a vaga na Libertadores…

Não sei onde chegaremos, mas hoje percebo que existe alma nesse time. Dá gosto de torcer por eles. A desconfiança que me fez ligar a televisão com temeridade será substituída pela confiança com que fui até a Vila Belmiro em 2010. O Time de Guerreiros voltou junto com a minha esperança.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @nestoxavier

Imagem: ex

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