A Fred e Deco, o tributo (da Redação)

voleio guis saint martin 27 04 2015

“O Fla-Flu é um sistema solar com seus planetas, vidas e perspectivas. Na Terra, ele claramente se fez presente em dois cenários ontem: o da realidade e o da fantasia.

O campo dos sonhos, como já se esperava, deu ao Flamengo uma superioridade técnica lunática, oceânica, monumental, a ponto de, num passe de mágica, esquecer-se os 25 pontos de diferença que a Gávea possui para o líder, o nosso líder, o nosso time. E também no cenário da fantasia, chegar ao G4 e até disputar o título tornou-se fichinha na tarde de ontem, ao menos até antes das dezesseis horas.

Depois do britânico começo do jogo, foi tudo diferente. Veio a realidade.”

“Muito antes de Fred ter feito mais um gol de placa, depois de apoteótico passe de Deco, o Fluminense era superior em campo, mas não agredia incisivamente – e nem precisava. Líder do campeonato e tendo o Atlético Mineiro empatado com a Portuguesa, é claro que o Tricolor podia jogar com mais calma. Ah, sim, o Flamengo trocou a correria dos outros jogos por um esquema muito mais cauteloso e fechado. Maior prova da prudência rubro-negra foi o completo silêncio de sua torcida em 90% da partida – e todo o primeiro tempo. Principalmente quando Wellington Nem quase fez um golaço por cobertura. E antes, quando Fred deu lindo passe e Digão furou a finalização? Estes lances, ninguém lembrou de pôr nos “melhores momentos”.

LUIZ ÁQUILA

“Falo do gol. Uma obra de arte. Um Portinari. Um Áquila. Quando engatilhou o tiro de fuzil, Fred já era o senhor do Engenhão – que outro craque fez mais golaços do que ele no estádio alugado do Botafogo? Ninguém. Lembremos contra o Coritiba. O Grêmio. O Botafogo. Ontem, mais uma vez, ficou provado que o golaço redime, o golaço liberta. Irmãs siamesas no setor oeste superior, as torcidas organizadas urraram como nunca, tudo provavelmente abafado nos microfones da emissora oficial. Há palavras para descrever este gol? Não. Tudo o que for escrito será humilde e escasso. O jogo devia ter sido encerrado depois do um a zero, como tributo à beleza do futebol.”

“Deco e Fred foram dois monstros. Por isso, o Fluminense é o líder. Por isso, o Fluminense segue firme na disputa do título, sem manchetes e fantasias, mas com uma verdadeira Praça da Apoteose no gramado e nas arquibancadas. Por isso, mais um centenário terminou em Ai-Jesus com o completo silêncio dos meios de comunicação convencionais.

Esta crônica é dedicada a João Saldanha.”

Também disponível gratuitamente em http://www.panoramatricolor.com.br/fantasia-realidade-e-apoteose-por-paulo-roberto-andel/

Paulo-Roberto Andel em “Duas vezes no céu – Os campeões do Rio e do Brasil”, ed. 7Letras, página 96, 2012

Panorama Tricolor

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Imagem: guis saint-martin/luiz áquila

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