Sobre Marco Aquino (por Zeh Augusto Catalano)

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Coube a mim a honra de falar dessa figura única chamada Marco Aquino, que deixou esse mundo mais pobre hoje.

Conhecemo-nos há coisa de quinze, vinte anos, pois nossas mulheres trabalhavam na área de comunicação da Fundação Roberto Marinho. Isso me deu a oportunidade de encontrá-lo em várias ocasiões festivas – rega bofes de lançamento de projetos, eventos burocráticos da empresa ou aniversários de amigos em comum. Foram várias e várias noites divertidíssimas falando de futebol, Fluminense, Vasco, seleção ou o que raios estivesse acontecendo no mundo da bola. A ponto de nossas mulheres reclamarem que só falávamos de futebol…

Pela “capa” parecia um cara muito mais sério do que na verdade era. Pela foto aí de cima, dá pra ver um cara feliz, cujos olhos brilhavam muitas vezes antes de falar. Não era de falar muito. Em grupo, talvez se comportasse de forma calada e observadora. Mas quando abria a boca com seu vozeirão, não era pra dizer besteira. Normalmente falava pouco e fundo.

Dono de uma ironia e um sarcasmo absolutamente sensacionais e destruidores. E de um enorme coração. Tricolor.

Vai pro céu com ele um dos maiores (e pouquíssimos!) exemplos que eu tinha na minha vida de um casal feliz, com os dois devotados um ao outro. Pai de quatro tricolores, felizmente todos já bem criados. Um cara sério, honesto, bem resolvido, completamente fascinado pelo Fluminense e pela família.

Infelizmente, só me lembro de ter tido a oportunidade de assistir a um único jogo com ele. Durante um jantar, na minha casa, nos divertimos às custas do império do mal (não vou falar o nome desse time num texto em homenagem ao meu amigo!) que protagonizou mais um papelão ao vivo para nosso deleite. Faz quase sete anos que estou cumprindo essa espécie de exílio em Brasilia, o que obviamente nos afastou.

Perdem todos os amigos e familiares um grande cara. Perde o Fluminense um pedaço de sua reserva moral e de inteligência. Um cara para estar no coração do clube por muitos anos.

Ironicamente, morre na semana de um Brasil x Argentina. Uma de suas grandes diversões futebolísticas fora o Fluminense. Seu grande amor, Eloisa, é argentina. Quinta feira, quando o Brasil entrar em campo, vou me lembrar do meu amigo. E da Elô. (Ele tá lá no céu com o Assis! Tá certamente feliz agora!)

Termino pedindo licença para usar as palavras escritas por ele em seu Facebook, já como uma despedida desse mundo e dos seus amores:

“Aos meus amigos apaixonados, uma dica.
Digam e, principalmente, demonstrem o amor que vcs sentem por sua parceira (pode ser parceiro tb, qual o problema?).

E no final do dia, tenham a certeza que toda a demonstração de carinho e de amor ainda foi pouco.

E no outro dia, demonstrem ainda mais.
Façam isso todos os dias.

Vale a pena.

Eu garanto.”

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: marco

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