O Fluminense de setembro e mais (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, depois dos dois vacilos homéricos contra vices e londrinos, teremos um setembro inteiro pela frente para nos recuperarmos ou, se as coisas não mudarem, para lamentarmos mais um ano perdido. A apatia no jogo contra o “elevador cruzmaltino”, seguida de mais apatia no jogo da Primeira Liga que valia vaga para a semifinal chegam a assustar, pois nos remetem aos times de anos anteriores, que “corriam para não chegar”. Some-se isso a um desrespeito que partiu do nosso comandante em relação à instituição, escalando time misto para o jogo decisivo, e temos um momento delicado.

O sinal amarelo está ligado no Reino do Laranjal. A partida que perdemos no Brasileiro, se analisarmos de forma isolada, não foi um absurdo total. Tudo bem que o time do Vasco é mais fraco que o nosso, mas o favoritismo não pesa muito nos clássicos. O problema maior foi o aparente desinteresse dos jogadores. E aí, no jogo seguinte, tivemos aquela palhaçada na Primeira Liga. Se no prélio do Maracanã nosso adversário venceu a partida por dominar o meio-de-campo e contar com más substituições do Abel, o Londrina não precisou fazer nada além de nos atacar para sair com a vitória, dado o desinteresse da equipe tricolor pela redonda.

Agora só nos restam duas competições, e temos que ficar bastante atentos para que, quando chegar outubro, não nos reste só uma. Nos dias 14 e 21 deste mês, decidiremos nossa vida na Copa Sul-Americana contra a famigerada LDU. Se passarmos às Quartas, pegaremos Flamengo (time da mídia) ou Chapecoense (de quem somos fregueses). Não sei, sinceramente, quem prefiro enfrentar. Porém, para isso, teremos que superar o time de Quito. E se entrarmos em campo com essa “disposição” demonstrada nas últimas exibições, o risco de entrarmos pelo cano ainda no Mário Filho é bastante significativo. Espero que a Copa Sul-Americana importe para o Abel, mesmo que Corinthians e Ponte Preta sejam eliminados.

No Brasileirão, segue a nossa saga de lutar pelo sexto lugar, que teima em permanecer ao nosso alcance. Mesmo com tantos altos e baixos, só um ponto nos separa da pré-Libertadores de 2018, que é nosso objetivo secundário caso todo o restante dê errado. Só que permanecer no bolo não vai ser nada fácil. Enfrentaremos no próximo domingo o Vitória, lá no Barradão. O time baiano, que estava “fedendo a peixe”, conseguiu impressionantes quatro vitórias nos últimos cinco compromissos e faz uma campanha de recuperação de cair o queixo, tendo batido, quase na sequência, Flamengo, Corinthians e Coritiba fora de casa. É verdade que perderam pro Avaí no Barradão, mas o time catarinense também vem se recuperando.

No domingo seguinte enfrentaremos o Atlético-PR novamente fora de casa, e só voltaremos a atuar no Maracanã no dia 24, contra o Palmeiras, que atualmente está no G4. Estes três jogos poderão nos colocar numa boa situação ou nos deixar perigosamente próximos da zona de rebaixamento, da qual estamos separados por apenas cinco pontos. Pesa a favor o fato de o Fluminense ser um dos melhores visitantes do Brasileirão, o que pode nos garantir seis pontos em outros estados, o que não seria nenhum absurdo. Contra o Palmeiras, em casa, penso ser mais provável um empate, dada a qualidade do time paulista (mas quero sempre a vitória).

Se fizermos sete pontos nessas três partidas, vamos a 37 e provavelmente assumiremos pelo menos o sexto lugar, que parece ser mesmo o objetivo traçado pela diretoria. Mas, para isso, nosso treinador terá que falar menos e trabalhar mais, orientar nosso sistema defensivo, que anda uma água, arrumar uma maneira de povoar esse meio-de-campo, que perdemos nos últimos jogos e conseguir uma solução para acabar com a seca de gols, inaugurada desde a saída de Richarlison. A arrancada para uma colocação digna precisa ser agora, sob pena de, na reta final, sofrermos para alcançar uma certa pontuação que todo tricolor conhece bem. Que em setembro não sejamos nós os amarelões.

NOTA:

SETEMBRO AMARELO é uma campanha de prevenção ao suicídio que merece toda a divulgação possível. Ligue para 141 caso precise de ajuda ou conhece alguém que precisa. Procure um psicólogo ou ajude alguém que necessita a procurar um. Tricolores, façamos a nossa parte e ajudemos a propagar essa mensagem. O valor de uma vida é inestimável, e vale a pena fazer o possível para evitar que ela se extingua. Eu já passei por uma situação assim, e não obtive qualquer ajuda, pois não conhecia os mecanismos para tal. Hoje, com a tecnologia que temos e o acesso à informação amplamente popularizado, é praticamente um dever colaborarmos.

– Curtas:

– Quando o time ganha, o pessoal da internet que defende a gestão detona os que a criticam de todas as maneiras, e aí tudo é politicagem. Quando o time perde, o pessoal da internet que critica a gestão detona os que a defendem de todas as maneiras, e aí tudo é politicagem. Quando o time empata, eles jogam no cara ou coroa. Quase sempre dá coroa. É osso.

– Mas é sempre pior quando o time perde, porque além da chuva de críticas desmedidas e desesperadas, os “fanáticos” de ambos os lados aparecem e iniciam uma guerra virtual. É “torcedor modinha de sofá, associe-se” pra lá, é “fora Abad, devolvam meu Fluminense” pra cá… é tricolor que acha que é melhor que o outro porque tem uma carteirinha de sócio ou porque mora na Rua Álvaro Chaves… são tempos difíceis.

– Paz, meus amigos. Se a eleição acabou em novembro passado, isso vale para ambos os lados. Se não houver bons exemplos nem na situação, nem na oposição, não haverá como termos um Fluminense minimamente unido. Que consigamos enxergar além da escolha de lados e perceber que todos somos seres humanos – e a grande maioria de nós, idôneos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alo

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