O risco da fragmentação (por Felipe Fleury)

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Quando onze atletas envergam a camisa Tricolor para jogar uma partida de futebol, quem entra em campo? Sem qualquer esforço responderemos: o Fluminense Football Club. Sob o comando de Abel Braga, porém, costumeiramente se tem feito a diferenciação entre titulares e reservas.

Até a partida contra o Goiás, o Fluminense (o titular) ainda não havia perdido um jogo sequer, enquanto o outro, o reserva, vinha de três malogros: contra o Internacional, o Nova Iguaçu e o Botafogo. E Abelão ainda era cuidadoso em relação ao tema, preferindo enaltecer as qualidades do grupo como um todo, sem comparar, pelo menos explicitamente, reservas e titulares.

A derrota para o esmeraldino, porém, mudou essa percepção de ver o Fluminense em Abel Braga. É bom que se frise que foi uma derrota atípica, que não ocorreria se uma sucessão de infortúnios acometessem o Tricolor. Em condições normais, o Fluminense praticamente sairia do Serra Dourado classificado para a próxima fase da Copa do Brasil.

Mas aí, ao fim do jogo, Abelão relembra a quem já havia esquecido que aquela fora a primeira derrota do time titular Tricolor. Ora, foi a primeira derrota do time titular ou a quarta do time do Fluminense?

A equipe, teoricamente titular do Fluminense, não é imbatível. Perdeu, é certo, um jogo que venceria até com sobras, mas perdeu. Como perderá outras partidas ao longo do ano. Ao dizer que foi a primeira derrota do time titular do Flu, penso eu, Abel erra duas vezes: quando diferencia titulares e reservas, prestigiando os primeiros e desprestigiando os segundos e ao incutir, ainda que sem desejar isso explicitamente, na equipe dita principal um sentimento de invencibilidade.

Essa diferenciação serve ao torcedor, que avalia, em regra, que temos um bom time principal e que o reserva serve mais para se observar alguns nomes que se prestem à composição do elenco. Ambos, no entanto, com a mesma alma que Abel prometeu dar ao Flu quando assumiu a equipe.

E esse torcedor sabe que o Fluminense (dito titular) é uma equipe difícil de ser batida e que só perdeu o primeiro jogo do ano para o Goiás em condições bastante adversas. Para Abel, porém, o pensamento deve ser o de que foi a quarta derrota no ano do Fluminense e que, para se atingir um nível de excelência, ainda precisa melhorar muito como um todo. Um todo de titulares e reservas.

Afinal de contas, se Abelão usa a equipe considerada “alternativa” em partidas importantes, como foram as contra o Inter e contra o Botafogo, é porque confia no seu grupo e deve, por isso, tratá-lo igualitariamente. Não só nas vitórias (ou nas boas apresentações, como no empate contra o Flamengo em Cariacica), mas sobretudo nas derrotas.

Abelão é o comandante em chefe desse grupo, mas se criar distinções poderá fragmentá-lo. E aí perderá a mão e o comando de uma equipe que tem tudo para dar certo.

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Imagem: f2

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